Adeus Mãezinha (25-12-1929 ... 4-1-2007)
Encerro aqui, este meu blog no luto eterno, enquanto coloco nas minhas orações em silêncio os momentos que partilhei com a minha Mãe.
- Fim -
Pensamentos de um qualquer viajante entre caminhos nas areias do deserto ...
Encerro aqui, este meu blog no luto eterno, enquanto coloco nas minhas orações em silêncio os momentos que partilhei com a minha Mãe.
- Fim -
Publicada por Rui @t Blog em Quinta-feira, Janeiro 04, 2007 34 comentários Hiperligações para esta mensagem
Ergo a minha taça e brindo com cada um de vós, o caminho para um novo ano.
Publicada por Rui @t Blog em Domingo, Dezembro 31, 2006 8 comentários Hiperligações para esta mensagem
Olá meu amigo, sei que tens pouco tempo disponível e que provavelmente até não lerás esta missiva, mas mesmo assim a amizade impele-me a enviar-te. Afinal, são tantas as palavras de Amigo, que não lemos ou não ouvimos.
Este Natal a tua ausência fez-se sentir, mais que nunca pois o tempo continua frio e a neve teima em esconder-se. Resta-nos o calor das lareiras e dos aquecedores, que a troco de meia dúzia de madeiros ou de corrente eléctrica, atentam à falta do calor que preferiríamos dos que queremos.
Publicada por Rui @t Blog em Terça-feira, Dezembro 26, 2006 6 comentários Hiperligações para esta mensagem
Foi na pressa do costume que no último momento do dia fiz o meu pedido ao Pai Natal, à semelhança do que faz a maioria das crianças de todo o mundo.
Pedi-lhe que trouxesse o calor da companhia dos que me rodeiam, enfeitado com o sorriso com a lembrança dos que não estando, se fazem eternos na presença.
Pedi-lhe que juntasse o riso e a alegria do meu filho no modo habitual dos seus 3 anos de idade, com que os meus olhos brilham ao som do cântico do 77º aniversário da minha Mãe.
Pedi-lhe também que trouxesse no vento o aroma de cada um de vós, para que na alma e no sentir, todos estivessem presentes e assim, fizesse deste, o meu Natal bonito e colorido, como o melhor dos Natais.
Assim seja e que o Pai Natal se faça representar por cada um de vós.
Obrigado e um Feliz Natal para todos.
Publicada por Rui @t Blog em Segunda-feira, Dezembro 25, 2006 4 comentários Hiperligações para esta mensagem
O céu cinzento cor de chumbo tomara a cor branca como se fosse o tecto de uma sala imensa do tamanho do horizonte, toda atapetada com um espesso manto de neve alva onde enquanto caminhava em passos lentos e firmes, uma figura encolhida do frio imprimia os passos que dava.
Dirigiu-se à janela da primeira das muitas casas que ladeavam a avenida, onde luzes trémulas de Natal enfeitavam as árvores que dançavam ao som do vento, que lhes arremessava pequenos flocos brancos, saturando-lhes as pernadas que sacudia em golpes de tempestade.
Espreitou pela vidraça. Um sorriso ondulou-lhe os lábios confundindo-os com os longos cabelos brancos que se fundiam na barba da mesma cor. Lá dentro uma criança brincava junto à lareira, iluminada por esta, a que se juntavam os olhares dos pais como que a acariciá-la.
Aquecido na alma com aquele quadro familiar, seguiu adiante onde através de uma janela pequena, uma luz ténue fazia-se sentir num apelo que atravessava a vidraça embaciada. Uma figura pequena e dobrada pela idade aconchegava-se envolta por um xaile de lã que denunciava os anos de uso, mal cobrindo o magro corpo que se aninhava junto ao braseiro. Este solidário, aquecia a cafeteira de café, que lhe servia de consolo e de companhia. Os olhos daquele homem, que antes sorriam, agora juntavam-se tristes à solidão. As mãos dedilhavam os botões que lhe fixavam o manto do corpo, que agora retirava e colocava na maçaneta da porta daquela casa, onde batera antes de se afastar.
Continuou o caminho, no mesmo silêncio dos que caminham sós, até que um barulho de vozes lhe interrompeu o pensamento. Dirigiu-se aonde vinham as vozes, que mais perto, denunciavam uma discussão. Um casal sentado à mesa, mantinha os pratos vazios apesar da mesa farta, anunciando que era a alma a quem faltava o alimento que o desentendimento recusava. Ao lado da janela por onde assistia, num pequeno jardim resistiam as últimas rosas onde gotas de orvalho se transformaram em pequenos diamantes que o frio fabricara. Rapidamente colheu duas delas, deixando-as junto da porta do casal com dois pequenos bilhetes de papel que escrevera de improviso na soleira da porta. Tocou a sineta e regressou apressado ao caminho, enquanto as vozes se calaram na surpresa do toque.
De volta ao silêncio da caminhada, continuou lento, olhando para uma janela, esta um pouco mais iluminada que as restantes. Espreitou furtivo para o candelabro que iluminava intensamente um pequeno oratório, onde uma mãe ajoelhada erguia as mãos, como se buscasse a toalha de linho invisível que lhe enxugasse as lágrimas que lhe corriam pelas faces. Adiante, sentado estava um pai de cabeça tombada que encostava às mãos, que tomara nas suas, de um filho enfermo e febril. Cá fora a expressão do rosto daquele homem fazia coro com as daqueles pais que observava, enquanto colocava as palmas das mãos abertas sobre as vidraças, como se projectasse a bênção que a sorte desconhecera até então e que o sorriso inesperado da criança anunciava agora discreto.
A volta ao trilho por onde viera fez-se serena, como mansa era a neve que cobria tudo por onde passara e seguia agora. Um choro baixo mostrava-se discreto, escutado talvez, apenas por aqueles ouvidos treinados pela experiência de ouvir os que clamam em silêncio. Assomou à janela que só ouvindo se apercebia da pouca luz que as vidraças teimavam em deixar ver. Dois rostos ladeavam uma mesa vazia onde uma jarra de flores tomava digna, o lugar que a refeição não ocupava, deixando espaço a dois pares de mãos que pousavam solidárias sobre a toalha branca como a neve. As vestes eram simples e os remendos gritavam mudos de orgulho os cuidados que recebiam apesar do uso, agora menos intenso na actividade, provavelmente por falta de trabalho que atormentava quem aquelas vestiam. Apressado, o homem retirou dos bolsos um embrulho enrugado, onde guardava a refeição seguinte que contava como sua e que o corpo agora recusava. Juntou-lhe algumas moedas que recebera como pedreiro livre e pedinte e deixou no parapeito da janela onde batera no momento de se afastar.
Continuou a caminhar, agora dirigindo-se a um vulto que o acaso lhe fizera encontrar, encolhido na soleira de uma porta, por onde o calor se deixava escapar sorrateiro sob a porta pesada duma casa igualmente imponente e aquecida, reforçando o calor que pedaços de cartão a custo asseguravam delicadamente, como se embalassem o mais frágil dos seres. Com o cuidado de não acordar o homem que dormia quase inconsciente no frio, tirou-lhe as roupas velhas e o calçado roto que rápida e furtivamente trocou pelas suas, como se na troca ganhasse o melhor dos tesouros.
Voltou ao caminho que tomara antes, apoiado num bordão feito de madeira de acácia, perseguindo os passos que agora eram mais leves enquanto a iluminação de Natal se inclinava diante do brilho que levava nos olhos e o sorriso dos lábios calava o silêncio na noite e as mãos abertas acalmavam o vento e o frio. Olhava para si mesmo, feliz com os braços abertos de contentamento que a parca indumentária que agora tinha tomava lugar em vez das vestes vermelhas que usara como uniforme na noite de Natal. Não ia de trenó nem eram as renas que o transportavam. Era felicidade o que sentia enquanto a dava também aos outros. Era isso que o fazia sentir-se o verdadeiro Pai Natal em gestos e sinais que só ele entendia.
Publicada por Rui @t Blog em Segunda-feira, Dezembro 18, 2006 6 comentários Hiperligações para esta mensagem
Noite fria, com o céu a brilhar ao ritmo das iluminações de Natal na baixa lisboeta, olhando indiferente aos poucos carros que avançam na avenida, no adiantado da hora.
O termómetro anuncia severo a baixa temperatura e nem o aquecimento do carro ajudava a aquecer a alma, que parecia avançar desatenta no frio da noite.
Os pensamentos vagueavam como anjos em torno duma árvore de Natal enquanto as pessoas nos passeios, iam encolhidas com passos apressados, quais figuras de um presépio do tamanho da cidade.
O silêncio era atormentado pelas rajadas de vento, enquanto o telemóvel reclamava repetindo-se, pela recarga de uma bateria que solidária comigo se ia entregando ao cansaço.
A teimosia e a presença insistentes do telemóvel, despertaram uma irónica e inquieta sucessão de pensamentos e de questões:
“a quem me apetecia ligar naquele momento ?”
“se quisesse, teria de facto alguém a quem fizesse sentido ligar ?
“se precisasse realmente, ligaria a alguém ? a quem ligaria ?”
“se ligasse àquela hora, quem atenderia de facto ?”
Abruptamente, num acto quase de misericórdia, o telemóvel sucumbira entretanto ao esgotamento da bateria num gemido final que me despertou para a realidade da condução e da estrada, com que dirigia o automóvel e também a vida.
Chegara entretanto a casa e em silêncio acabei por deitar-me, votando ao descanso o telemóvel que sabia inútil naquela noite e na alma.
Em momentos de desespero ou de solidão, o telemóvel ou uma mensagem podem fazer a diferença e até salvar uma vida, em que a verdadeira natureza das pessoas se revela.
Dedico este post à felicidade de uma família, onde uma mensagem fez a diferença para que a dor desse lugar à reconciliação e a uma nova oportunidade.
Publicada por Rui @t Blog em Quarta-feira, Dezembro 13, 2006 5 comentários Hiperligações para esta mensagem
Reza a lenda que um dia duas mulheres afirmavam a maternidade de uma criança, reclamando-a por isso para cada uma delas, e que por isso, terão sido levadas diante de Salomão, o rei sábio da antiguidade, para que se fizesse justiça.
Perante o impasse, Salomão ordenou a um guarda, diante das mulheres, que cortasse a criança ao meio e desse metade a cada uma, ao que uma das mulheres se interpôs e pediu que então que não fizesse mal à criança e que em recurso, a entregasse à outra mulher.
Salomão, sabiamente como lhe era característico, reviu naquela mulher o amor que a fez abdicar do seu bem mais precioso para que a criança não fosse sacrificada, mesmo que isso significasse o seu sofrimento. Assim, ordenou que a criança fosse entregue à mulher que se prontificara a abdicar dela, reconhecendo-lhe o verdadeiro amor de Mãe.
Na realidade dos nossos dias, no julgamento vulgar onde nos encontramos frequentemente, muito provavelmente aquela mãe seria acusada de ter tentado enganar os demais ou até de abandono do filho, enquanto a criança seria provavelmente entregue àquela mulher que em silêncio aguardara a execução da criança, numa política de terra queimada.
Quantos de nós, somos por vezes uma daquelas mulheres e por outras aquela criança.
A justiça pode ser cega, mas quem julga não o deve ser.
Publicada por Rui @t Blog em Terça-feira, Dezembro 12, 2006 3 comentários Hiperligações para esta mensagem
Sempre fui pela preservação da Vida de quem quer que seja e sempre considerei a pena de morte como um acto indigno e um atentado à dignidade humana.
Sempre me achei incapaz de matar alguém, que não fosse em desespero de causa e nessa situação, fá-lo-ia sem hesitar, ainda que pudesse vir-me a arrepender mais tarde.
Contudo, creio que até estas convicções quase perdem sentido perante algumas pessoas que ao longo dos tempos têm aparecido na História mundial, quase sempre secundados de seguidores e acólitos devotos, só equiparáveis ao esterco que denuncia o trajecto dos mais imundos seres a que a má sorte deu vida.Pinochet, Hitler, Estaline, Mussolini, Franco, Sadam Hussein, Mao-Tse-Tung e tantos outros que como eles, marcaram a sua vida com a tortura, a violação, o rapto e o assassínio de multidões de homens, mulheres e crianças, quase sempre, apenas por serem ou pensarem de modo diferente.
Nunca me vangloriei com a morte de ninguém, mas confesso que a morte de um canalha como Pinochet não me dá pena alguma, que não seja a de não se ter feito justiça, por não ter respondido pelos crimes que cometeu directa e indirectamente.
A imunidade de Pinochet ao longo destes anos, assume-se como bandeira da indiferença e cumplicidade de quem pode intervir e não o faz, na defesa dos direitos humanos.Maldito sejas Pinochet, tu e quantos te apoiaram, e que as chamas do crematório te queimem o corpo e a alma. Que por mil reencarnações que tenhas, se as tiveres, cumpras em ti próprio o sofrimento que infligiste aos demais e nessas penas te acompanhem do mesmo modo, todos quantos agiram como tu.
Não comemoro a tua morte, mas comemoro a libertação do mundo de tal vil criatura, em memória dos que sofreram por tua causa.
Publicada por Rui @t Blog em Domingo, Dezembro 10, 2006 2 comentários Hiperligações para esta mensagem
Sabia que as estatísticas apontam para 10% dos casais com problemas de infertilidade ?
O portão de casa abriu-se com o som, naquele dia diferente, insensível e com a tonalidade “de facto”, como se unisse à sentença que a sorte houvera imposto, indiferente aos apelos da maternidade e da paternidade.
Para que queria aquela casa que tanto desejara ? De que serviam, o emprego, o carro, a mota e tudo o resto ? A quem deixar o que embora não fosse demais, significava um nome, um esforço e uma vida num olhar ? Infame seria o pão que comia e vil o beber da água com que matava a sede. A vontade teimava em ser de abandono de tudo e de todos, e a tenacidade sucumbia à frieza dos factos.
Não poderia ser “Pai”. Restava-me o consolo de o problema ser meu e assim poder carregar comigo apenas, o apontar do dedo a uma culpa que afinal não o era. Estaria assim, votado ao amor dedicado a sobrinho e afilhados, que a sorte fazia traduzir em acessos frustados de paternidade adiada ao eterno.
Que fizeram outros que em sombras como eu se acharam em tal desmando ?
Valerá a pena fazer algo, ou arcar com a sorte, que de má, já se anunciara ?
O acaso fizera recorrer da nota que o destino, num aparente acaso sem sentido prévio, durante uma reunião de trabalho fizera guardar previdente na agenda, com o contacto do médico que fizera fama na arte de contrariar as sortes a quem os deuses impuseram de mau trato a quem quisera descendência dar o sonho de vida.
O caminho para a consulta de infertilidade fizera-se de acordo com o estigma lançado pelo nome, transformando à primeira vista o acesso, como um encontro de condenados ante o patíbulo condenatório que as paredes do consultório guardavam cúmplices, numa privacidade íntima.
O anunciar do nome, tornava semi-pública a acusação que cada um dos presentes sentia de estar ali, o que a custo o rosto condescendente do médico procurava atenuar numa atitude compreensível qual sacerdote do sagrado.
A consulta devolvera a rebeldia à sensatez do inconformismo, enquanto os esforços e reforços se concentravam em contrariar a sorte e devolver aos deuses a sorte que só a vontade sabe fazer. A dor tornara-se no alimento que fizera cerrar o punho, capaz de vergar o mais ímpio dos destinos, numa quase insensatez religiosa, que votara injusta no momento e por enquanto, à condenação ateia a hipótese de adopção.
Aliados à contrariedade do destino, exames médicos, consultas e tratamentos sucederam-se num calvário promissor e vicioso, onde conta apenas o objectivo final, a todo e qualquer custo que a sorte imponha no caminho. A determinação fizera esquecer dores e as lágrimas sublimaram-se na decisão a que se vergaram outras opções de vida, para garantir a viabilidade financeira da empreitada.
Os ciclos de tratamentos, nas desmandas à sorte, sucederam-se tríplices, esgotando fontes e alentos e a vontade arrastava-se às sortes sempre iguais do insucesso. Médicos e técnicos manipulavam a vida, quais deuses gerando novos seres a embalar nos cálices sagrados dos ventres das mães que assim se tornavam no instante de o pretenderem.
À terceira arremetida, tudo correra pior que o esperado, vergando pela primeira vez, a costumada impavidez do médico face à sucessão traiçoeira de imprevistos a que apenas a obstinação fez enfrentar até ao último momento, o qual haveria de ser, contra todas as probabilidade, ser coroado do êxito, já precipitadamente desmentido antes.
Assim, de tristezas e resultados a desmentir e de teimosas cautelas, sai o resultado que contrariando os demais e anteriores, qual fénix surtida das cinzas fazem renascer um sorriso amplo, enquanto as lágrimas de felicidade tomam as palavras que a boca não consegue dizer perante a surpresa dos crentes numa desilusão eminente.
Mais análises e exames quebraram as dúvidas e empolgaram a alegria, associando-se à surpresa do médico ante a dura caminhada, digna de fazer temer Hércules, nas dificuldades passadas.
No contrariar das sortes dos deuses, o sentimento era na temeridade, digno do maior dos atrevimentos e na condição de ora em diante de “pai” e “mãe” o do maior consolo, recompensando a obstinação e a perseverança e devolvendo à justiça o sublime amor devotado no acto futuro de “adopção” de qualquer filho próximo.
Dedico este post a todos os casais, que por problemas de infertilidade, tenham de recorrer à concepção medicamente assistida, numa mensagem de esperança, de obstinação e de perseverança, numa tarefa que é francamente árdua e exigente a todos os níveis, na qual quase só a teimosia pode ajudar qualquer apoio médico.
Dedico igualmente ao Prof. Dr. Calhaz Jorge e restante equipa que no dia 5-12-2002 fez a implantação de 2 embriões obtidos pela técnica de Fertilização In Vitro através de Micro-injecção(ICSI) que na terceira tentativa e após tudo (ou quase) ter corrido em contrariedade, sugiu inesperadamente uma gravidez de sucesso, de onde surgiu um pequeno ser que continua a ilustrar o encanto do milagre da vida.
Publicada por Rui @t Blog em Terça-feira, Dezembro 05, 2006 4 comentários Hiperligações para esta mensagem
Publicada por Rui @t Blog em Quarta-feira, Novembro 29, 2006 4 comentários Hiperligações para esta mensagem
Publicada por Rui @t Blog em Quarta-feira, Novembro 22, 2006 4 comentários Hiperligações para esta mensagem
Publicada por Rui @t Blog em Quarta-feira, Novembro 15, 2006 5 comentários Hiperligações para esta mensagem
Hoje é mais um daqueles dias em que a falibilidade do calendário seria bem vinda e acolhida como se fosse, não um defeito, mas uma qualidade humana, que nos permitiria ignorar alguns dos dias, mesmo quando inevitáveis.
Hoje, o cortejo fúnebre tomou o lugar do começo do dia, remetendo o acordar para um passado distante e acrescido do pesar, mostrando que passo a passo, fazem-se mil caminhos que se encontram num mesmo lugar, onde todas as faces e imagens se pintam de uma mesma cor, intercalando-se entre o branco dos actores e o negro dos espectadores.
Hoje o telefone não toca, e o desejo de falar com alguém sobrepõe-se à companhia dos acompanhantes, como uma sede que a torneira à saída do recindo ignora, incapaz de a satisfazer, juntando-e à impotência que o silêncio nos impõe em momentos de solidão.
Hoje, na ausência dos amigos, os demais tornam-se quase desejados, no vil desejo de ouvir alguém, enquanto rostos desconhecidos passam mudos no caminho de regresso à realidade. Os dedos hesitam nas teclas do telemóvel os nomes que o espaço e o tempo recusam e o instinto toma conta da razão e dos actos, remetendo ao recolher dos sentidos.
Hoje é mais um daqueles dias em que a falibilidade do calendário seria bem vinda, como em todos aqueles em que nos sentimos sós numa viagem que no momento se quer rápida, em que fechamos os olhos e adormecemos, como o único gesto que nos resta.
Com os votos de uma Paz Profunda ao Sr. Manuel Bento, pai do meu compadre e amigo Alexandre Bento.
Publicada por Rui @t Blog em Segunda-feira, Novembro 13, 2006 2 comentários Hiperligações para esta mensagem
É apenas um daqueles momentos, em que não me apetece nada em especial, daqueles instantes em que a melancolia toma conta das solas dos sapatos, enquanto as pernas procuram, numa azáfama contrariada, acompahá-los, ainda que a custo.
O rádio anuncia, quase que envergonhado pelo ridículo, que a percentagem de adesão à greve dos funcionários públicos é de algo como 11% segundo um organismo estatal e os sindicatos 80%. Oh quem me dera que quem apurou estes números tivessem a vergonha do meu rádio, com a antena a retorcer-se da mentira que recebera do éter, por onde vagueiam as ondas hertzianas numa imensa bacanal de mentiras acossadas às verdades, qual frenezim de informação que assim, se torna inútil.
Mas valeu-me a notícia de que os astrólogos vão repensar as análises e previsões, agora que Plutão perdeu o estatuto de "planeta". Acho bem que assim seja e oh, como me sinto mais aliviado agora, depois de saber que na minha carta astrológica pode ser emendada na parte que dizia respeito áquele pequeno corpo celeste. Ele que teimava fazer parte do sistema solar como membro de pleno direito, como um deputado de um qualquer partido com direito a dormir no respeitável hemiciclo onde as vozes acordadas e adormecidas, gritos, gemidos e roncos fazem coro num entorpecimento dos sentidos.
Finalmente, as notícias no computador deram-me uma alegria inesperada. Sim, porque nem tudo é mau na vida. Um estudo recente publicado pela revista Science, revela que um grupo internacional de cientistas decifrou a sequência do genoma do ouriço-do-mar e confirmou que é muito semelhante com o do ser humano. Oh que maravilha, oh que prazer sublime, saber que as pontadas que sentia nas costas, podem ter finalmente uma potencial explicação com alguns espinhos que possam aparecer no dorso que teima em manter-se liso. Isto para não mencionar a necessidade agora premente da dupla atenção a usar o papel higiénico, não vá este romper-se numa picada inesperada que possa contaminar o dedo médio na tarefa habitual de limpeza.
De facto, tudo isto roda directa ou indirectamente em torno da ciência. Sim, os cientistas, esses mestres da descoberta na senda de conhecer o desconhecido. Porque não segui eu o desejo de infância de ser cientista ? Sim, eu que a curiosidade me caracterizava no superlativo, o que só era acompanhado pelo pavor constante da minha mãe sobre o que iria acontecer a seguir, sempre que eu perdia a inocência das ligações eléctricas com pilhas e lâmpadas de brinquedos, para aventurar-me na instalação eléctrica lá de casa. Improvisava alarmes e campaínhas que quase matavam de susto quem passasse perto, com relógios armadilhados, montagens e desmontagens de despertadores. Isto além da máquina de costura e outras que a minha mão alcançasse e a distração dos pais, permitisse, quase sempre em processos irreversíveis de reparação, delas e das partes do meu corpo que a minha mãe tocasse em seguida, com ou sem a cumplicidade de uma colher de pau que acabou os dias numa geração espontânea de duas metades, numa reposição do Big-Bang no teatro inocente das minhas costas.
É isso, eu devia ter sido cientista e inventar algo de útil e publicamente reconhecido. Sobretudo agora que o Estado até dá incentivos para que os cientistas se mantenham em solo nacional, quem sabe, na busca da pedra filosofal que permita transformar o chumbo em ouro. Como era bom conseguirem isso. Assim, que animação seria transformar o chumbo existente em cosméticos, nomeadamente nos batons das senhoras. A Lili Caneças ia adorar, ou até a Cinha Jardim e as ricas filhas. Transformavam também o chumbo das munições dos caçadores ou da PSP e GNR que assim, de certeza que já tinha sido possível identificar a origem da bala que paralisou um manifestante sobre a ponte 25 de Abril, porque o imbecil do agente que a disparou e quem o mandou disparar, de certeza que não iam desperdiçar tão valioso objecto.
Pois é, se eu fosse cientista, e como gosto também de biologia, já sei, ia criar um novo ser. Um ser que todos desejassem e se possível, resultante da aplicação das regras da reciclagem, para melhor credenciar a minha invenção.
Inventava algo assim como uma nova forma de marisco. Acredito que era uma boa ideia, de certeza das melhores, algo entre a lagosta e o caranguejo.
Podia aproveitar o Alberto João Jardim para rechear a cabeça, pois que não deve fazer muita diferença, àparte a comestibilidade. Podia aproveitar também a Júlia Pinheiro para a parte vocal, o que iria decerto com os gritos, ajudar a localizar o bicho, onde quer que estivesse, ou até pedir alguma contribuição à Teresa Guilherme para pôr o bicharoco a andar como uma barata tonta, sem sair do mesmo sítio e ajudar à sua apanha.
Pensei também em aplicar um pouco do José Castelo Branco na (in)definição sexual do bichano, o que era uma vantagem porque estava facilitada a escolha para a reprodução.
Na escolha dos braços e pernas, talvez usasse o Major Valentim Loureiro, pois longos são os tentáculos que usa e abusa, tendo de ter o cuidado de não fazer os membros demasiado longos, antes que o bicho se devorasse a ele próprio, com a gula.
Finalmente, ficava a questão da pele e da côr do novo ser das profundezas e aí a minha hesitação fazia-se sentir entre Freitas do Amaral, Zita Seabra e outros como Durão Barroso, seres de certeza já com o ADN mais completo e alterado com genes de camaleão, que podiam dar ao novo ser a capacidade de melhor se adaptar ao meio ambiente, conforme as circunstâncias.
Acho que para tornar o bicharoco mais convencido também poderia pôr um pouco de Herman José, Paulo Portas ou João Baião, claro desde que não exagerasse na dose, não fosse o bichano começar a andar de marcha a trás.
Por fim, e para facilitar a exportação, colocava-lhe um pouco de George Bush, mas muito pouco, pois já tinha aplicado o Alberto João Jardim e podia começar a cheirar mal. Ou um pouco de Le Pen para garantir que o bicho não gostava de mais ninguém, ou um pouco de Silvio Berlusconi mas muito pouco, por causa de já ter aplicado o Major.
Finalmente, sento-me e reflicto sobre o mundo, onde apesar de tanta coisa importante, como a guerra no Iraque, ou o genocídio na Palestina, hoje não me apetece fazer nem falar de nada. Apenas isso.
Publicada por Rui @t Blog em Sexta-feira, Novembro 10, 2006 3 comentários Hiperligações para esta mensagem
Ando sobre as ondas, como a lua sobre o olhar,
Medindo a altura dos sonhos, pela cor dos sentimentos,
Ando sobre as ondas, somo as nuvens e os momentos.
-
Mesmo antes de poder respirar,
Espero-te na volta das marés, como a lua sobre o mar.
Publicada por Rui @t Blog em Terça-feira, Novembro 07, 2006 3 comentários Hiperligações para esta mensagem
Publicada por Rui @t Blog em Domingo, Novembro 05, 2006 3 comentários Hiperligações para esta mensagem
Publicada por Rui @t Blog em Segunda-feira, Outubro 30, 2006 4 comentários Hiperligações para esta mensagem
Neste país, a saúde pública é um termo que enche a boca de governantes, políticos, médicos, técnicos e outros assalariados que a bolsa de todos paga, para que aquela seja, à semelhança das demais necessidades da sociedade, tratadas com o desdém que a incúria pública, na prática professa e assume traiçoeiramente no hábito diário.
Hoje as compras ocasionais no supermercado Feira Nova da Póvoa de Santo Adrião incluiram entre outros bem, um frango.
Até aqui, nada de especial, até ao momento que a abertura da embalagem do galinácio, que surpreendentemente anunciava o fim da validade para amanhã, anunciou irreverentemente o cheiro nauseabundo do perecimento após a morte, onde a conservação não terá passado de uma tentativa, visivelmente falhada.
A probabilidade do estado de decomposição se ter estendido a muitos outros exemplares, era tão elevado, quão expectável que dezenas ou centenas de pessoas iriam comprovar através do choque olfactivo a que seriam sujeitas, como eu.
Assim, o risco associado ao eventual consumo de putrefactos manjares a que nem as mais resistentes faunas e floras intestinais iriam resistir, levou-me ao ritual de alerta que em sociedades actuais, deveria constituir-se como uma prioridade previsível.
A tentativa de contacto para a Inspecção Geral das Actividades Económicas (IGAE), revelou-se inviável, porquanto o número de telefone na agenda anunciava-se como não atribuído. Valeu-me a consulta na Internet para saber que aquele organismo foi extinto, tendo sido integrado na Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE).
Mais uma vez, a tentativa de contacto, agora para a ASAE, se revelou infrutífero, porquanto o segurança que atendeu o telefone cerca das 20h00 anunciou que os serviços estavam encerrados e que poderia contactá-los na próxima 2ª feira, altura em que muito provavelmente, o stock de aves, em estado que nem a mais degradada múmia egípcia invejaria, já estaria pulverizado num enorme número de clientes do supermercado.
O passo seguinte neste calvário de luta pela saúde pública, levou-me a ligar para a PSP de Odivelas, a qual, compreendendo a situação, se anunciou como aparentemente impedida de actuar sem ordens da ASAE para intervir, excepto em caso de evidência de o prazo de validade ter sido ultrapassado.
Restou-me a alternativa de fazer o próprio supermercado actuar como juíz em causa própria, ou seja, alertar o responsável do mesmo sobre a ocorrência, para que sob seu discernimento, ou eventual falta dele, possa intervir impunemente, caso decida retirar o produto em causa da prateleira. Foi o que fiz, mas não sei se foi o que ele fez.
É assim que em casos como estes, nos vimos impossibilitados de fazer intervir, um organismo que devia estar permanentemente preparado para o fazer, sobretudo sabendo-se que o que está em causa é a saúde pública.
No meu entendimento, associado ao estado de impróprio para consumo do frango, associa-se a putrefacção da (in)operacionalidade de organismos estatais que deviam observar aspectos críticos como a saúde pública.
É caso para dizer que "putrefacção assim, não é só no Feira Nova".
Publicada por Rui @t Blog em Sábado, Outubro 28, 2006 1 comentários Hiperligações para esta mensagem
Faz hoje um ano que levei a minha mãe para “o” lar.
Faz hoje um ano que não comemoro nem dou vivas, nem convido os amigos para partilhar as alegrias que a felicidade nos permite colocar na mesa onde os convivas se alimentam.
Faz hoje um ano que aquela face doce que me embalou partiu comigo à descoberta de um espaço, onde esquecidos estão outros que como ela, apenas desejam continuar parte das vidas a quem deram a vida.
Faz hoje um ano que aquele espaço se estendeu a partir do meu, qual ramo que agarrado à mesma árvore, partilha o mesmo sol, a lua, o vento, a chuva e as gotas de orvalho escorrem das mesmas folhas onde bebo.
Faz hoje mais um ano, que nos cuidados as mãos e a alma não hesitaram, na doença e na fraqueza o corpo não se tolheu e na defesa a voz nunca se calou, qual muralha afrontando o mar mais revolto em açoites de tempestades em guarda ao porto de abrigo onde se resguardam os indefesos.
Faz hoje um ano, que mais um ano e anos mais, as vozes se calem, as bocas das hienas não mordam, as beatas não condenem rezando e de esquecido eu não padeça, que ante mil demónios nunca me fiz rogado, e que a mais ninguém ousara temer que não a mim mesmo.
Faz hoje um ano, que a chuva, o vento e o frio, têm sempre a mesma cor do sol num dia de verão, guardado no sorriso com que se alimenta um qualquer amor maternal.
Faz hoje um ano que levei a minha mãe para “o” lar, onde uma parte de mim ficou também e onde volto quase diariamente para me reencontrar.
Publicada por Rui @t Blog em Quarta-feira, Outubro 25, 2006 4 comentários Hiperligações para esta mensagem
Minha irmã, quando te conhecer terminará a minha história, que começou quando tu nasceste.
O pai está contigo e a mãe mal recorda o dia.
Resto eu que não te tendo conhecido, não te esqueço.
Repousa em paz profunda lá no céu eternamente.
Publicada por Rui @t Blog em Segunda-feira, Outubro 16, 2006 Hiperligações para esta mensagem
Não me apetece estar aqui nem ouvir o que não faz sentido. Doi-me.
Apago as luzes e fecho as portas.
Desligo os comentários e encerro a escrita.
Não sei se volto nem quando volto.
Volto a ser sombra no deserto.
Até breve ou até sempre ... não sei.
Vou descansar.
Publicada por Rui @t Blog em Terça-feira, Outubro 03, 2006 0 comentários Hiperligações para esta mensagem
Desde o momento em que iniciei esta pequena aventura de ter um blog, já lá vai a centena de posts, uma moderada quantidade de centelhas que têm saltado com alguma irregularidade da pequena fogueira de sentimentos e de vontades a que me tenho remetido num abandono total ao que penso, sem preocupações de estilo ou modo.
Publicada por Rui @t Blog em Segunda-feira, Outubro 02, 2006 2 comentários Hiperligações para esta mensagem
Parabéns Ana Luar:
Acredito que a perseverança e a qualidade que colocamos naquilo que fazemos, acaba por atravessar fronteiras e chegar mais longe que as nossas mãos.
Um exemplo disto é a qualidade da escrita da Ana Luar, que tem cativado um número crescente de leitores, algo que não surpreende pela sua capacidade criadora e talento que a caracterizam.
Por mérito próprio e a convite, a Ana Luar encontra-se representada ante um átrio de excelentes autores que decoram o site "Sons da Escrita", da autoria de José-António Moreira.
Aqui, para além da leitura das obras dos vários autores expostos, é igualmente possível ouvi-las, num enquadramento musical que transportam a poesia a um nível, infelizmente ainda pouco comum.
Eis um exelente trabalho, que recomendo vivamente consultar, apreciar e naturalmente apludir.
Nota: para se ouvirem os poemas, no site "Sons da Escrita" basta clicar no lado direito na imagem com referância a "Podtrack Player - LISTEN NOW".
Parabéns à Ana Luar, pelo mérito que lhe é devido, e de que decerto se orgulham os que dela gostam e a apreciam.
Publicada por Rui @t Blog em Sexta-feira, Setembro 29, 2006 4 comentários Hiperligações para esta mensagem
Publicada por Rui @t Blog em Sexta-feira, Setembro 29, 2006 2 comentários Hiperligações para esta mensagem
Publicada por Rui @t Blog em Domingo, Setembro 24, 2006 5 comentários Hiperligações para esta mensagem
Publicada por Rui @t Blog em Sexta-feira, Setembro 22, 2006 6 comentários Hiperligações para esta mensagem
A penumbra no quarto e o ruído de fritar a paciência do despertador a que falta a eficácia da antena denunciado pela música que mal se entende, anuncia o dia que se esgueira ameaçador pelas frestas das persianas.
Como detesto este hábito de colocar cortinados, vidraças, janelas e como se ainda não chegasse, as portadas quase a quererem-nos convencer de que o dia não existe, numa prepotência desconcertante da noite.
Os degraus da porta condenam-me à saída numa pressa que o atraso contraria, atropelando o pequeno-almoço que ficou por comer, num mesmo ritual de todos os dias. Nem o cão se ergue à passagem, convencido do regresso a que vota uma apatia condescendente.
O telemóvel acusa a jornada com o sarcasmo habitual, com os telefonemas reclamando como seus o tempo e a paciência que não encontro e que desenho em esboços grosseiros de esforço reincidente.
Como detesto aquelas chamadas ao cair do minuto das nove, como que a incitar à evidência da preocupação vespertina, num ambiente pré-definido à medida da moldura da circunstância.
Mais uma e outra chamada, o colega que precisa de ajuda, a ajuda que o outro não quer dar, o compromisso que a equipa de trabalho deixou por cumprir, a urgência que se fez a si própria num acesso de histerismo, a pergunta que dá acesso à postura sacana do parceiro, o desespero do cliente com crises emergentes e sei lá que mais.
A hora do almoço que foi remetido para as calendas gregas, acaba por dar lugar aos momentos permissivos de estar sossegado na esperança de que a emotividade se transforme na criação de mais uma publicação no blog.
Saio já à pressa para a reunião que me obriga a atravessar a cidade, à velocidade da paciência onde após o tempo que não tenho, consigo estacionar o carro que me conhece há mais anos do que seria de esperar. Acedo ao local do compromisso onde a espera se redobra num esforço de contenção até atingir o clímax frustrante da desmarcação tardia do compromisso, indiferente ao impacte na vida habitual.
Regresso à rua numa correria que me impele à consulta no médico, já marcada com os meses que não recordo, à margem do sentido da oportunidade ou da necessidade, sem saber o que fazer com o tempo que ninguém sabe adivinhar do atraso do médico, que doente se fez substituir por outro a quem preciso de contar tudo de novo.
Sem saber se aliviado ou se preocupado, volto às lides que já me cansam, numa vontade que o corpo desconhece.
A noite faz ameaças nas nuvens que enviou para avisar o cinzento do anoitecer, ao ritmo da chuva que não espera, sorrateira, que eu chegue ao carro, numa corrida em vão.
A roupa toma então o estado viscoso e desconfortável de um semi-húmido a princípio frio e que pouco a pouco adopta uma atitude cúmplice da transpiração que me faz antecipar o desejo do momento áureo do próximo banho.
Resignado com o trânsito que me ameaça o pouco combustível que prevertidamente o ponteiro do depósito do carro acusa em coro com aquela pequena luz cor-de-laranja, sigo numa avenida que serve de palco aos telefonemas residuais do dia, suportes fatais das querelas familiares de posfácios diários.
Estou farto disto tudo.
Paro o carro, de onde saio em abandono e abro a camisa à chuva a que me arremeto de braços abertos. Abro as mãos de tudo e de todos onde o telemóvel lidera, e sigo descalço por uma rua transversal onde dou um pontapé ao mundo, como se fosse uma lata vazia.
Rasgo o cenário que me envolve e sigo para o calor do Sol, para me sentar à sombra de nada.
Publicada por Rui @t Blog em Terça-feira, Setembro 19, 2006 5 comentários Hiperligações para esta mensagem
Publicada por Rui @t Blog em Segunda-feira, Setembro 18, 2006 3 comentários Hiperligações para esta mensagem
A inquietação e a neura juntaram-se ao cinzento das núvens e numa dança nervosa, ostentam o contentamento descontente de ocultar o azul do céu, num prenúncio desentendido de um qualquer anjo negro de má notícia, que termina por não se fazer esperar.
O relógio parou e os ponteiros abandonaram-se à sorte dos deuses na notícia de falecimento, que momentos antes, seria inesperada na quietude da situação, que não sendo eterna, foi prolongando a partilha dos momentos em família.
Os olhos fecharam-se e o silêncio uniu as almas dos amigos e familiares, a que me faço igualmente presente, na partilha da dor, que só esta conhece.
Recolho as lágrimas de filha, onde junto as de amigo numa devoção fraterna juntando os meus aos braços que se estendem num imenso abraço de conforto.
Esta noite não há luar, em que mais uma Mãe, tomou o lugar de mais uma estrela no firmamento, onde moram os anjos da guarda e as preces se fazem ouvir.
Descanse em paz profunda lá no céu eternamente.
Com os mais sentidos pêsames dirigidos à minha muito querida amiga Ana, familiares e amigos na dor da partida da sua mãe, com cujo acompanhamento do estado de saúde me lisongeou numa preocupação constante que os que lhe querem bem, sabem partilhar.
Publicada por Rui @t Blog em Quarta-feira, Setembro 13, 2006 4 comentários Hiperligações para esta mensagem
Neste fim de semana, por necessidade comum a muitos mais, decidi deslocar-me ao IKEA, agora tão em moda entre aqueles que como eu tiveram necessidade de satisfazer uma arrumação com um qualquer móvel que cumprisse os requisitos já estabelecidos.
Apesar de já saber o que queria, o tempo e o espaço dilataram-se numa combinação demasiado irritante, a que se associaram o desespero e a contrariedade de quem se sente perdido num labirinto à partida pouco evidente mas mesmo assim, demasiado eficaz.
Entre o emaranhado de utensílios, móveis e de sei lá mais o quê, aquele formigueiro de gente que se perde e acha, arrastou-me para uma procissão quase apática, onde a fé é remetida rapidamente para a vontade de concluir a compra e emergir de novo para a liberdade de volta aos espaços livres.
Entre voltas e reviravoltas, num caminhar constante mas sem direcção ou sentidos claramente definidos, fui alimentando o descontentamento com a constatação de como:
Com tudo aquilo, coloquei-me irritado, contantemente as questões ?
Fiquei sem saber se de facto o IKEA tem um elevado número de clientes, ou se apenas um pequeno número de pessoas consegue encontrar um meio fácil e eficaz de sair em tempo útil.
Para mim ficou claro que "IKEA, nunca mais" e que o slogan que aquele anuncia "viva mais a sua casa" era mesmo para levar a sério.
Publicada por Rui @t Blog em Terça-feira, Setembro 12, 2006 4 comentários Hiperligações para esta mensagem
Cumprem-se hoje cinco anos sobre o atentado de 11 de Setembro de 2001, quando dois aviões colidiram com as famosas torres Twin Towers, um dos símbolos de Nova Iorque, enquanto outros 2 aviões se despenham, numa atitude suicida, um contra o edifício do Pentágono e outro algures no solo americano (Pensylvania).
O mundo ficou assim, chocado com a atitude terrorista de um punhado de homens, que aparentemente contra todos os princípios de racionalidade, provocam um abalo na consciência ocidental, abalo esse que se veio repercutir no âmbito político e financeiro internacionais.
Desde então, a palavra "terrorista" passou a significar o alvo a abater, a entidade que ninguém parece conhecer e que todos odeiam, por quaisquer razões mais ou menos claras. "Eles" (os terroristas) passam a estar em toda a parte, e a sua invocação é feita, sempre que politicamente pareça ser mais conveniente.
No entanto, e sem querer apresentar aqui qualquer juízo de valor sobre o sucedido, ocorrem-me algumas questões, para as quais, as respostas nem sempre são as mais evidentes, comportando-se como indícios da menor probabilidade do "tudo é possível".
Em suma, quem de facto, está por detrás dos atentados de 11 de Setembro ?
Não digo que o terrorismo não existe, não digo que os terroristas não andam por aí, não digo que os entendo, mas não obtenho ainda a resposta para estas questões. Talvez um dia, quem sabe, os terroristas mudem de nome ou apelido e as vítimas se somem num imenso número de pessoas crentes e de boa fé.
Publicada por Rui @t Blog em Segunda-feira, Setembro 11, 2006 3 comentários Hiperligações para esta mensagem
Freddie Mercury e os Queen sempre foram da minha preferência musical, a par de outros nomes como os Pink Floid ou Supertramp. Contudo, nunca entendi porque a morte de Freddie me comoveu de uma forma singular e inexplicável e quase sem lógica, uma vez que nem sequer fui um fã atento da sua carreira ou vida pessoal.
A única ligação especial, se é que se pode chamar de ligação com aquele artista inigualável, era o facto de no passado me parecer física e fisionomicamente como ele, a ponto de ter sido conhecido entre alguns amigos por "Freddie" e de logo após a sua morte ter assistido a uma expressão de espanto do empregado numa loja de fotografia, ferquentada por turistas, quando ele me viu.
Confesso que em termos artísticos, para mim, Freddie Mercury era o melhor dos melhores e a sua partida, deixou um lugar que mais ninguém conseguirá ocupar.
Dados bibliográficos:
Freddie Mercury, nome artístico de Farrokh Bulsara (Zanzibar, 5 de setembro de 1946 — Londres, 24 de novembro de 1991) foi o vocalista e líder da banda de rock britânica Queen.
Mercury nasceu na localidade de Stone Town, na ilha Zanzibar, que à época, era uma colônia britânica, hoje pertencente à Tanzânia, na África Oriental. Os seus pais, Bomi e Jer Bulsara, eram indianos de etnia persa.
Mercury foi educado na St. Peter Boarding School, uma escola inglesa perto de Mumbai, na Índia, onde deu os primeiros passos no âmbito da música, ao ter aulas de piano. Foi na escola que ele começou a ser chamado "Freddie", e com o tempo até os seus pais passaram a chamá-lo assim.
Depois de se formar na sua terra natal, Mercury e família mudaram-se em 1964 para Inglaterra devido a uma revolução iniciada em Zanzibar. Ele tinha dezoito anos. Lá, diplomou-se em "Design Gráfico e Artístico" na Ealing Art College, seguindo os passos de Pete Townshend. Este conhecimento mostrar-se-ia útil depois de Freddie projetar o famoso símbolo da banda.
Na faculdade ele conheceu o baixista Tim Staffell. Tim tinha uma banda na faculdade chamada Smile, que tinha Brian May como guitarrista e Roger Taylor como baterista, e levou Freddie para participar dos ensaios.
Em abril de 1970, Tim deixa o grupo e Freddie acaba ficando como vocalista da banda que passa a se chamar Queen. Freddie decide mudar o seu nome para Mercury. Ainda em 1970 ele conheceu Mary Austin, com quem viveu por sete anos e manteve forte amizade até o fim de sua vida (inclusive a sua casa em Londres ele a deixou para ela).
Mercury compôs muitos dos sucessos da banda, como "Bohemian Rhapsody", "Somebody to Love" e "We Are the Champions", hinos eloqüentes e de estruturação extraordinária, particulares e sempre eternos.
Lançou dois discos a solo, aclamados pela crítica e público. Mercury era bissexual, mas só assumiu publicamente sua condição ao anunciar que estava com SIDA, um dia antes de falecer, em 24 de novembro de 1991 em Londres.
Em 25 de novembro de 1992 foi inaugurada uma estátua em sua homenagem, com a presença de Brian May, Roger Taylor, da cantora Montserrat Caballé, Jer e Bomi Bulsara (pais de Freddie) e Kashmira Bulsara (irmã de Freddie) em Montreux, na Suíça, cidade adotada por Freddie como seu segundo lar.
Os membros remanescentes dos Queen fundaram uma associação de caridade em seu nome, a "The Mercury Phoenix Trust", e organizaram em abril de 1992 o show beneficente "The Freddie Mercury Tribute Concert" para homenagear o trabalho e a vida de Freddie.
Publicada por Rui @t Blog em Terça-feira, Setembro 05, 2006 9 comentários Hiperligações para esta mensagem
Todos temos sido bombardeados sobre o Futebol e o "caso Mateus". Sem ser uma actividade que me interesse muito e sem conhecer todos os detalhes que constituem este caso, quase uma futebolonovela cujos artistas convidados ou não, são a FIFA a Federação Portuguesa de Futebol, a Liga, o Gil Vicente, o Belenenses e o Leixões, ficam aqui, algumas reflexões.
Ao longo destes tempos, temos vindo a ver desempenhar cargos relevantes no futebol português, pessoas que no mínimo, têm visto o seu carácter ser posto em causa pelos mais diversos motivos, senão vejamos:
Ora bem, pegando apenas nestes exemplos de um conjunto muito vasto de pessoas e de entidades que têm vindo sucessivamente associadas a situações de escândalo, de tráfico de influências, etc. e aplicando o critério de análise de credibilidade, 0x0x0x0x0x0x0=0, ou seja, no meu entender, e decerto no entender de muitos mais, o futebol português tem pouca ou nenhuma credibilidade, e considerar esta actividade como "de interesse nacional", apenas adjectiva este país de igual fama, que apesar de tudo, bons resultados de jogos efectuados no âmbito da selecção nacional, não conseguem apagar.
Publicada por Rui @t Blog em Segunda-feira, Setembro 04, 2006 3 comentários Hiperligações para esta mensagem
Pois é, para quem ainda não saiba, hoje comemora-se o dia mundial dos blogues. Supostamente tratando-se de uma iniciativa do bloguista israelita Nir Ofir, em 2005, esta comemoração tem apenas um ano de vida.
Na verdade não sei para que serve, nem se faz sentido haver um dia como este, que afinal poucos conhecem e a maioria continuará a ignorar, como se fosse a comemoração de algo a que alheios à importância, se tornasse comum o seu consumo, cada vez mais, constante entre nós.
Confesso que até ao momento em que, por cortesia, acedi ao blog de uma amiga, nunca me tinha sentido atraído por algo do género, como se tratasse de mais uma "mania" como tantas outras que habitualmente remeto ao desinteresse sazonal.
Confesso que em poucos minutos, e na maior surpresa me vi contaminado no poder de expressão que um simples blog pode assumir, a ponto de em poucos minutos ter construído o meu próprio blog, ao qual, como sempre faço com tudo, dediquei o meu melhor empenho, fiel aos sentimentos que me levam a contactar com os outros.
Confesso que, salvo indicação ou evidência em contrário, todos os conteúdos se referem a situações reais, ainda que frequentemente sejam sujeitas a tratamento mais ou menos literário, seja para provocar um sorriso no leitor na situação mais alegre ou caricata, seja para tentar conter qualquer lágrima teimosa perante uma situação mais dramática.
Confesso que em tudo o que escrevi e escrevo, tento imprimir os princípios que mais defendo, nomeadamente os de Liberdade, de Igualdade de direitos e de oportunidades e de Fraternidade, baseados na Justiça e na Verdade.
Confesso que encontrei neste espaço, tão pequeno e ao mesmo tempo tão vasto, as mais diversas pessoas e convicções, que diferentes se têm tornado num mosaico vivo e colorido de cidadania e de ideias por onde, entre outros, caminho qual criança fascinada por tudo o que a rodeia.
Confesso que alguns dos blogues, pelo seu conteúdo e encanto, fazem parte do gesto diário de leitura, como se fossem pequenos caramelos com que adoço o espaço de leitura, qual abelha que colhe num jardim, pequenos pedaços de néctar nas flores mais apetecíveis, plantadas e cuidadas pelas pessoas que mais admiro e que pouco a pouco se têm tornado parte de mim.
Confesso que cada um dos que a este espaço vêm, levam consigo um pouco de mim, e cada comentário que aqui registam, deixam um pouco do seu aroma com que me delicio num gesto genuíno de agradecimento.
Publicada por Rui @t Blog em Quinta-feira, Agosto 31, 2006 4 comentários Hiperligações para esta mensagem
Acabei de receber uma carta enviada pelo Centro Hospitalar das Caldas da Rainha com uma Nota de Débito, a reclamar pagamento de taxa moderadora correspondente ao episódio de urgência, efectuado no hospital daquela localidade.
Até aqui tudo bem, o "sistema" funcionou aparentemente bem, se não fora:
Aquando do dito episódio, e no final do mesmo, dirigi-me ao balcão para, não só carimbar receitas como para validar de que não havia nada pendente do processo, ao que me disseram que não, e consequentemente vim-me embora, tranquilo embora frustado com 3 horas de espera na companhia dos poucos utentes que estavam presentes (aparentemente apenas 1 ou 2 médicos estavam a atender num ritmo, no mínimo, suspeito).
A referida Nota de Débito, acresce no ridículo, da solicitação que o pagamento seja efectuado no local (que não é o meu local normal de residência) no prazo de quinze dias (já supõem a minha disponibilidade logística para o efeito) e nos dias úteis entre as 9h e as 12h30 e 14h e 16h, ou em alternativa, por meio de cheque ou vale de correio.
Pelos vistos, "eles" até já têm tudo previsto. Só que o montante a pagar é de 1,55€, ou seja, repetindo o extenso da missiva (talvez até eles tenham reconhecido o ridículo da situação), "um euro e cinquenta e cinco cêntimos".
Isto é, alguém cuja função é a de assinar aquelas missivas, num gatafunho que de nada serve e apenas denuncia talvez a vergonha, pelo menos de assinar esta, gastou e pretende que eu gaste também, uma quantia bem superior àquela que, não só, o hospital não soube cobrar, ou que subsequentemente vem reclamar, incorrendo em custos adicionais estupidamente superiores.
Fiquei sem saber se no Ministério da Saúde, a missão de assinar / gatafunhar Notas de Débito faz parte de alguma carreira profissional em especial, ou se a função pretende que seja "raciocinar" e agir em conformidade com a análise criteriosa do documento que se está a assinar.
E ainda dissem que os burros estão em vias de extinção ...
Publicada por Rui @t Blog em Quarta-feira, Agosto 30, 2006 3 comentários Hiperligações para esta mensagem
Entre recantos e deambulações entre os blogs da minha preferência e que por isso, passaram a fazer parte do meu hábito de visita quase diária, através de escala de leitura no blog "As três Pirâmides" da Luna acabei por aportar ao blog da Marta Santos, supostamente uma jovem de 12 anos, que recomendo como remédio para a nossa falta crónica de bom senso de adultos, onde entre os vários posts, de leitura fácil, mas menos expectável para a idade, denuncia-se uma maturidade que se vai mostrando precoce.
Entre comentários feitos pela Marta no blog "As três Pirâmides" encontrei uma frase que me chamou particularmente à atenção e que se refere à Amizade e às venturas e desventuras que grassam pelo mundo:
"... se todas as pessoas lembrassem do que pensavam quando tinham meros 12 anos, tinham a resposta para tudo."
De facto em pequenas palavras se tiram grandes conclusões.
De facto resta-nos a vergonha de encontrar nas crianças, o bom senso que frequentemente negamos reconhecer-lhes.
De facto esta frase reflecte um julgamento simples para questões que fazemos complicadas e que tendem caracterizar a imbecilidade da sociedade mundial em que vivemos ou sobrevivemos.
Vale a pena pensar sobre isto. Quem sabe, seria bom que as crianças se fizessem ouvir nos Parlamentos, nos Governos, na ONU e em tantos outros lugares, não por representantes mas por elas mesmas, pois com julgamentos simples, elas cantariam por toda a parte, e não lhes faltaria, nem o engenho nem a arte.
Publicada por Rui @t Blog em Segunda-feira, Agosto 21, 2006 11 comentários Hiperligações para esta mensagem
O tempo passava lento e a temperatura do ar de Verão misturava-se com o nervosismo, dando forma a um sentimento que só o desejo compreendia. Os passos repetiam-se ao ritmo da ansiedade, numa caminhada que a espera sabia de cor, tudo para que o nome soasse e rompesse aquele olhar constante para o relógio. Tudo era esperado correr bem, mas a imprevisibilidade da vida obrigava à sensatez de recear a hora seguinte, embora a alma chamasse por cada minuto que passava.
13h... 13h26... 14h... a voz da enfermeira fez-se sentir, qual soar de trobetas, ante a solenidade do mais feliz dos acontecimentos. Tinha chegado o momento porque ansiara, minutos, horas, dias e anos. Tinha-se aberto a porta mais alta do mais venerado dos palácios e as guardas davam alas à minha correria, qual caminhada onde os passos nervosos galgavam de leve, portas e escadas rumo ao salão sagrado onde se guarda o mais precioso dos tesouros.
Eis que a derradeira porta que só a persistência e a coragem souberam abrir, se fazia esperar onde um sorriso enfeitava outra cara agora maternal, qual espelho da felicidade que era também a minha.
Finalmente tivera acesso, onde no Olimpo os deuses guardam os segredos primordiais, agora ao alcance do meu olhar que se esvaía num encantamento que concentrava naquele pequeno ser toda a energia do bater do coração, como se estivesse a ser embalado de mansinho no aconchego desenhado pela minha alma.
Naquele momento, a palavra "Pai" traçava o contorno da importância de tudo o que fizesse de ora em diante, numa adoração que os olhos convertiam em gotas de orvalho que escorriam numa face que sorrindo, se juntara à incapacidade momentânea de falar, como se nenhuma das palavras conhecidas tivesse a virtude que o momento exigia.
Sentia-me como se ousasse tirar aos deuses o que de mais precioso tinham estes em mil cuidados concebido, qual Prometeu que tirara o segredo do fogo para o dar aos homens, sentimento que se repete em cada momento que olho aqueles pequenos olhos expressivos que adornam aquela carita pequena e irrequieta que hoje faz 3 anos num encanto que se renova a cada instante, como se cada dia fosse o primeiro.
Parabéns meu filho, e amar-te é o mais simples e devoto dos gestos nesta adoração constante.
Nota:
O Rui Pedro resultou de um processo de concepção assistida (Fertilização In Vitro - ICSI), que resultou após várias tentativas e situações algo complicadas, graças à persistência e tenacidade física e psicológica, em particular da mãe, com a assistência constante durante todo o processo, de uma equipa competente de profissionais de saúde.
Nasceu no dia 12 de Agosto de 2003 às 13h26, com 49cm e 3,220Kg por parto assistido (cesariana) ao som da música "Feel" de Robbie Williams que se tornou assim, um símbolo familiar.
Seja este um gesto de estímulo e de encorajamento aos que, aquele meio possa ajudar ao ascender desejado da condição de pais.
Outro post relacionado com este:
O nascimento de um príncipe
Publicada por Rui @t Blog em Sábado, Agosto 12, 2006 7 comentários Hiperligações para esta mensagem
Bonsai significa árvore cultivada em um vaso em forma de bandeja, e o seu cultivo sempre me fascinou, a ponto de me ter iniciado nessa arte, mais por desejo que por vocação ou conhecimento. Aprendi nesta arte que por vezes, em mil cuidados, sufocamos os que mais amamos, atribuindo ao que nos rodeia, as culpas que não vemos em nós próprios e só o descobrimos quando o instinto de sobrevivência e a teimosia nos faz perder quem mais desejamos conservar.
Escolhi a minha pequena árvore, que o destino nos cruzou em caminho, num espaço comercial. Foi quase amor à primeira vista e logo me apercebi que aquela me seria diferente das demais.
Cuidei que o seu lugar fosse o melhor, não lhe faltando, nem cuidados nem luz nem as atenções que se redobravam a cada instante no conter da forma que lhe destinara à revelia daquela, que de outro modo, seria naturalmente a sua.
Controlava a cada instante cada um dos pequenos ramos, quais rendilhados do mais puro verde, dizendo-lhe onde e quando crescer, o que a obrigava com a persistência obstinada a que a arte ensina.
A minha pequena árvore ia crescendo, qual paixão a dois, alimentada nela pelos cuidados e ternura que lhe entregava diariamente, e em mim, pela beleza de a ver crescer num espreguiçar verdejante que só eu controlava. Ela crescia para mim e eu deleitava o meu olhar naqueles ramos que ansiavam o mais ténue abraço.
Achava-me dono duma natureza que na verdade nunca poderia ser minha.
Contudo e apesar dos cuidados a que poucos se acometeriam, a minha pequena árvore viria brevemente a acusar um cansaço que eu não entendia, apenas denunciado pelo estiolar daquelas preciosas folhas que teimavam em tomar a cor dourada para em seguida tombarem num abandono, que me constrangia, como se quisessem tomar outro rumo em direcção à liberdade.
A situação ia ganhando intensidade, tal quanto o meu desespero enquanto redobrava os cuidados, qual ciúme que me tomava no arremesso contra a luz que achara ser a melhor, contra a água que acreditara ser a que bastara ou até contra a temperatura que pensava ser a mais adequada.
Embora não encontrasse respostas para as perguntas que entendia estarem apesar de tudo, respondidas, havia ainda uma que não ousara colocar, ou porque não pensasse nela, ou porque não quisesse pensar, condenando no julgamento apressado tudo e todos que não eu, que amava com devoção aquela pequena árvore, que amigos e vizinhos cobiçavam de tão verdejante que estivera, qual ser pequeno, belo mas indefeso que tomara à minha mercê nos melhores cuidados do mundo. Não, a culpa nunca seria minha, que a amava e era de mim que ela precisava mais do que tudo.
Em desespero de causa e no limite que nos coloca a teimosia, decidi ouvir de quem entende, o que fazer numa situação que as já escassas folhas afirmavam como quase perdida. Em boa hora, o olhar mais atento do jardineiro, me fizera ver o que o meu coração escondera no abrigo dos sentimentos.
Assim, no melhor dos cuidados, ignorara que o problema da minha pequena árvore não estava nem na luz, nem na água nem na cobiça alheia, mas apenas na capacidade de respirar e de crescer e de ser ela mesma, que eu lhe roubara no cuidar constante num egoísmo devoto, que a sufocava e impedia de ser o que ela era, ... uma pequena árvore, que, como qualquer pessoa, precisava de espaço, de receber a luz do sol e da lua, de sentir o vento no jardim e lavar-se nas águas das chuvas, para que as folhas despontassem, enfeitadas pelas gotas de orvalho, quais pequenas pérolas de felicidade.
Receando já o tardio do arrependimento, coloquei assim, a minha pequena árvore no jardim, onde ela retomou a vida que tivera, e a meias escolhemos o espaço onde os ramos se estendiam para darmos as mãos numa paixão que se manteve desde então, qual rainha do meu jardim.
Publicada por Rui @t Blog em Sexta-feira, Agosto 11, 2006 17 comentários Hiperligações para esta mensagem
Sempre entendi a televisão como um dos melhores e mais eficazes meios de comunicação, tendo-me tornado um incondicional devoto do pequeno ecrã, procurando constantemente, ora divertir-me, ora informar-me, ora aprender e descobrir sobre o mundo que nos rodeia.
Contudo, verifico que a tarefa a que frequentemente me proponho ao ligar aquele ecrã mágico, se torna cada vez mais difícil e quase que apenas um Hércules dos tempos modernos será talvez, capaz de descobrir algum valor acrescentado entre os comuns quatro canais à disposição.
Com efeito, entre o despertar ao adormecer, somos intoxicados, adormecidos, agredidos, enganados e embrutecidos com a mixórdia da maioria dos programas transmitidos, capaz de fazer vomitar o mais indiferente dos espectadores.
Intoxicados com programas totalmente inadequados à audiência, seja infantil, seja juvenil e até adulta, fazendo proliferar a violência e o desrespeito por quaisquer valores num público sensível e em crescimento.
Somos adormecidos, entre outros exemplos, intoxicados com a carga intensa de telenovelas, que se repetem até à exaustão, com histórias frequentemente absurdas e ridículas, fazendo nascer sucessos de audiência através do insucesso da inteligência colectiva.
Somos agredidos em reportagens, onde a função de informar é desrespeitosamente submetida à intenção de chocar e de fazer espectáculo à custa do sofrimento de pessoas, em que o "jornalismo" dá lugar à "preversão".
Somos enganados por notícias que frequentemente vemos desmentidas e em que a verificação prévia da veracidade das mesmas, se tornou num custo adicional a evitar, a bem das audiências. E quando tal não é possível, o "sencionalismo" ou a deturpação na forma de apresentar as reportagens, procura obter o mesmo efeito, de forma descarada e maliciosa.
Somos embrutecidos com programas, nomeadamente de suposto entertenimento, onde a consciência do ridículo é transformada num desprendimento de valores e na aculturação de um povo.
Senão vejamos:
- Desenhos animados ou similares pejados de violência;
- Programas e consursos onde as pessoas são tratadas como anormais ou de inteligência residual;
- Espectacularização das opções individuais, sexuais ou outras, transformando pessoas em grotescas personagens do ridículo;
- Talk-shows impregnados de mau gosto, onde impera a parvoice;
- Reportagens exacerbadas da infelicidade e do drama;
- Telenovelas emitidas três vezes quase em simultâneo;
- ... .
Acho até que as estações actuais poderão adoptar as siglas:
... RTP 1/2 = Raramente Tentamos Programar (1ª/2ª tentativa, embora a 2ª seja melhor);
... SIC = Sem Interesse na Cultura;
... TVI = Talvez Venhamos a Informar.
É esta a televisão que queremos ?
Não existe uma autoridade que ponha cobro a esta situação ?
Todos sabemos que quanto mais inculto é um povo, mais fácil é manipulá-lo e só essa me parece a explicação plausível para o que está a suceder.
Só essa me parece a explicação para algumas personagens ainda subsistirem à nossa volta e à nossa custa.
Desta vez, não fomos tomados pelos espanhóis nem invadidos pelas tropas de Napoleão. Fomos colonizados pela mediocridade, somos explorados por crápulas e somos sucessivamente governados por gente que tem sido incapaz de tornar este país numa nação decente, onde os "majores", os autarcas fraudulentos, os pedófilos, os Albertos Jardins e tantos outros sejam submetidos à justiça que merecem.
Publicada por Rui @t Blog em Quinta-feira, Agosto 10, 2006 8 comentários Hiperligações para esta mensagem
Existem pessoas que passam pela nossa vida fazendo-se acompanhar por um sentimento como se um aroma a flores nos invadisse a alma, transportadas no vôo fascinante das mais belas borboletas em anúncio de Primavera.
São pessoas que de algum modo chegam e deixam a sua marca de forma indelével que o tempo se recusa a apagar e a memória saúda a cada segundo que passa, numa saudade constante e insaciável.
Com efeito é este o sentimento que me tomou a alma, ante a surpresa das palavras que sobre este blog vi publicadas, que menos as entendendo merecer, mais atestam a simpatia e a generosidade da Ana Luar, que no blog do mesmo nome, sendo a autora das mesmas, lançou neste espaço o feitiço do encantamento que aqui lhe é igualmente dedicado.
Quando a inteligência, a criatividade e o sentido da beleza se juntam em harmonia, revelam inevitavelmente a pessoa que, apesar de remeter aos demais tais predicados, ela própria se apresenta na posse dos mesmos na sua forma mais intensa.
Obrigado Ana Luar, num agradecimento consciente, que apesar de forma insuficiente, procura retribuir todos os sentimentos já testemunhados de apreço e de dedicação que lhes estão subjacentes, numa vénia em que humildemente lhe tomo as mãos para nelas depositar o mais devoto dos beijos.
Publicada por Rui @t Blog em Terça-feira, Agosto 08, 2006 11 comentários Hiperligações para esta mensagem
Matamos, porque temos de nos defender ...
Defendemo-nos porque nos querem matar ...
Temos de ser implacáveis com o terrorismo ...
Chamam-nos terroristas porque defendemos a nossa terra ...
...
Deus está do nosso lado ...
Allah guia-nos ...
...
Este é o guião da morte, onde os actores são muitos e os espectadores são ainda muitos mais, em que uns aplaudem e outros limitam-se a ignorar enquanto os cenários tomam conta da realidade diária da destruição e do assassinato.
Sim, assassinato porque aqueles homens, mulheres e crianças, não morreram, foram roubadas à vida, foram assassinadas por fanáticos, políticos e generais e estes, sim, quais mortos de alma, alimentam-se insaciados, do sangue das vítimas.
Não importa se as vítimas são judeias, cristãs ou muçulmanas, são tão somente vítimas, e são inocentes, porque os verdadeiros culpados somos nós.
Somos nós que impávidos ficamos aos que rezam de armas em punho sobre a Tora,
Somos nós que impávidos ficamos aos que rezam empunhando as armas e o Corão,
Somos nós que impávidos ficamos aos que rezam empunhando as armas e a Bíblia,
Somos nós que impávidos ficamos aos que alimentam as guerras enquanto pavoneiam a imbecilidade que lhes coroa o espírito que já não têm, contra terroristas que são eles próprios, em nome duma Liberdade e Justiça que desconhecem.
Não importa se as vítimas são judeias, cristãs ou muçulmanas, porque aquela criança que foi assassinada era minha também, e aquele pai sou eu também que desesperado procuro acordar de um pesadelo que afinal é real e onde os criminosos existem impunes, numa orgia infernal que alimentamos submissos e impávidos.
Hoje um dos meus filhos dormiu sereno enquanto o outro foi assassinado por judeus, árabes e cristãos. E eu naquele pai, chorei desesperado também porque as balas que o mataram tinham ainda o cheiro dos livros sagrados que estavam nas mãos de quem as disparou e ouvem-se ainda as vozes de quem mandou disparar.
Hoje o holocausto estendeu-se mais um dia, e as estrelas de David e as cruzes gamadas apenas mudaram furtivamente de mãos quais testemunhos numa corrida de morte e assassínio.
Sei como àquele pai, que ninguém ouvirá o meu pranto, mas com ele choro em silêncio a dor dos inocentes que ninguém quer ouvir.
Publicada por Rui @t Blog em Quarta-feira, Agosto 02, 2006 18 comentários Hiperligações para esta mensagem
No dia 29 de Julho saiu finalmente o livro "a poesia nos blogs" no qual se encontram poemas existentes em vários blogs do espaço nacional.
Trata-se de uma iniciativa de mérito, que testemunha alguma da surpreendente poesia que pulula quase anonimamente o espaço cibernético nacional e não só.
Estão de parabéns todos os participantes e merece o nosso aplauso o Jorge Castro do blog "Sete Mares" que com a sua pro-actividade soube mostrar que muitos desejam, alguns querem, mas apenas alguns como ele efectivamente realizam.
Quanto à minha parca e pretenciosamente discreta participação, dedico-a contudo, àqueles que como eu, passeiam descontraídos neste espaço bloguístico, em especial aqueles a quem diariamente dedico a minha atenção.
Publicada por Rui @t Blog em Sábado, Julho 29, 2006 1 comentários Hiperligações para esta mensagem
É o rubro da magia dos sentidos.
O Sol uniu-se ao despertar e levanta-se como um véu fino, estendendo-se sorrateiro na languidez do dourar as dunas como se acariciasse de mansinho as curvas sensuais da mais bela das odaliscas num harém onde só cabem os amantes.
O calor intenso denuncia os corpos sedentos na impiedade dos sentidos, onde a areia fina se esgueira num imenso mar dourado de entrega e abandono.
Ao longe, anda lenta uma longa caravana que percorre a passo cadente o curvilíneo do horizonte, num bailado cúmplice de sombras onde se deleita a mais pura visão do prazer.
O calor nota-se ardente de desejo e mistura a respiração com o odor do êxtase, sucedendo-se em vagas de leite e mel, numa sede que não acaba nunca.
E quando ainda o Sol se deita com os corpos já cansados, um luar emerge num céu anilado cor de fogo, brotando abundante da Lua que tomou a cor verde dos prados dos sonhos de Amor.
Publicada por Rui @t Blog em Quinta-feira, Julho 27, 2006 7 comentários Hiperligações para esta mensagem
Vêem de mansinho, quais felinos de andar manso e olhar fixo, procurando no fascínio encontrar a fechadura dos sentimentos que nos desarmam cada vez mais a cada momento que passa.
Recorrem à inteligência, ao encanto e até ao desejo de bem fazer e que por mal não se tomem, não vá a máscara cair em cascatas de verdade que se esconde por detrás das boas intenções, fazendo-nos regressar ao bom senso de ignorar o que não é verdadeiro.
Apelam a quem acuda, mesmo que se alimentem, não só da dádiva como da mão que a fez, reduzindo a pó o que antes era muralha, quase sempre fazendo do direito o que antes era mais um dever.
Fazem triste, tudo à passagem, como uma praga de maldição, que transforma em fragmentos, o melhor dos sentimentos, ou talvez não.
Publicada por Rui @t Blog em Domingo, Julho 23, 2006 6 comentários Hiperligações para esta mensagem
Caminhem sorrindo, que felizes se acham,
Antes por caminhos, que achem floridos,
Mais por encanto do que deveras garridos.
Clamem assim de contentamento,
Numa voz que de contente, se chama,
Para que se diga que não goste mas ama
Crendo ser esse o entendimento.
Publicada por Rui @t Blog em Sexta-feira, Julho 21, 2006 3 comentários Hiperligações para esta mensagem
Nos últimos dias tenho, à semelhança dos demais, assistido à novela (para não dizer tourada que a época agora é disso e por respeito aos alunos e à grande maioria dos professores) dos exames do 12º ano, alguns dos quais, aparentemente elaborados incorrecta e se for verdade o que por aí se diz, vergonhosamente.
Mas infelizmente, este não é um caso isolado, nem agora o Ministério da (In)Cultura ou da Educação ou de outro nome qualquer, que titule o ensino em Portugal, é pior do que tem sido antes.
Infelizmente, depois de Abril de 1974, ainda não apareceu um governo que dê ao ensino em Portugal, a atenção que este merece, uns por receio político (não sei de quê) de adoptar modelos do "passado", outros por estão revestidos de alguns "cursos superiores", daqueles que são usados como "refugo" de nada servir e de nada saber, outros ainda, porque são incapazes de resolver os problemas do ensino em Portugal, submissos à crença política generalizada de que quanto mais desapercebido o político passar, mais probabilidades tem de subsistir no aparelho do Estado, hibernando à espera da reforma choruda que saqueou ao desgoverno.
Ensino Básico:
Sim, aquele, que antigamente chamávamos de "Ensino Primário". Aquele que durante anos teve manuais que frequentemente passavam de mão em mão e que muito dinheiro pouparam a quem os reutilizou. Aprendia-se na mesma a ler, a escrever e a contar.
Hoje os manuais são escolhidos de acordo com os critérios das escolas, e quiçá, dos lobbies das editoras junto das mesmas. Mudam-se os anos, mudam-se os manuais, e por vezes mudam-se estes durante os anos, quando as necessidades de aprender são ainda quase as mesmas ao longo dos anos.
E porque acontece isto ? Porque se desperdiça tanto dinheiro ? Por simples incompetência e inoperacionalidade do Ministério da tutela que é incapaz de definir os manuais obrigatórios para um número de anos alargado.
Ensino Secundário:
Sim, foi este o ensino que durante décadas alimentou a capacidade produtiva deste país, com as escolas industriais, comerciais e os liceus.
Sim, foi este o ensino que deu de comer a famílias e ganhou o respeito além fronteiras, quando se expunha e dava a conhecer a capacidade dos técnicos e operários portugueses.
Hoje a palavra "operário" causa urticária a muita gente, uns porque são políticos e usar tal palavra os parece aproximar duma qualquer ideologia marxista ou algo do género, outros porque a recusam enquanto nada fazem ou fazem algo que de nada serve.
Porque acabaram com os modelos de ensino que ensinavam a trabalhar e a produzir ?
Primeiro disseram que as crianças ainda não tinham capacidade de decidir sobre o seu futuro. Pois, na altura ainda não existia a disponibilidade de técnicos / psicólogos que os ajudassem a identificar aptidões e tendências.
Óptimo, então hoje temos alunos que chegam até à idade adulta, e continuam a ser incapazes de escolher um futuro, porque aquilo que vão descobrindo de que gostam, não tem saída no mercado e acabam por ir frustados e profissionalmente sem preparação, "pairar" nas empresas num emprego qualquer de ocasião que um amigo lhes arranjou.
Ensino Superior:
Englobo aqui, a abordagem do 12º ano, que anterirmente também foi o "Ano Propedéutico". Para que serve, na realidade, um ano escolar, onde se pretente, segundo o que já foi indiciado, reavaliar todo o ensino secundário, ou preparar os alunos para a realidade das universidades? No mínimo, diria que este ano serve apenas de atraso da vida escolar dos alunos, para não falar das condições degradantes com que o Ano Propedêutico foi constituído e após ele, o 12º Ano.
A somar a isto tudo, temos um ensino superior, em nada conectado com o ensino secundário, ou seja, são duas realidades distintas que não se complementam nem dialogam.
Lembro-me de algumas "cadeiras" de engenharia onde se pretendia em magros semestres leccionar o que supostamente se teria aprendido no antigo curso geral das escolas industriais. Lembro-me de professores ´da cadeira de "Electromagnetismo" do Instituto Superior Técnico de Lisboa, em atitudes arrogantes, regozijarem-se do elevadíssimo índice de reprovação nos exames, cujo conteúdo da disciplina em causa, para os alunos de Engª Mecânica, para além de ser usual levarem vários anos para conseguirem fazê-la, pouco mais servia do que inspiração para o desprezo que lhe votavam quando almejavam os míseros 10 valores.
Lembro-me de professores (assistentes sobretudo) em atitudes de histeria, como um que vi na cadeira de Mecânica de Fluidos, que ocupava o tempo das aulas em deduções matemáticas, e ignorando os fundamentos da cadeira que leccionava, isto para não falar na completa ignorância que tinha sobre bombas hidráulicas, onde misturava os conceitos, de forma plenamente anedótica.
É este o ensino que pretendemos ?
E quem avalia de forma credível e honesta a capacidades dos estabelecimentos de ensino e dos seus docentes ? E quem o sabe fazer ?
Qundo se separa o trigo do joio, em matéria de docentes, evitando misturar todos numa amálgama de malfeitores ?
E quem avalia efectiva e eficazmente a capacidade e a viabilidade dos alunos, face ao seu desempenho e perspectivas no ensino que frequentam ou pretendem frequentar ?
Quem gere a comunidade escolar, nomeadamente de forma a evitar que alunos fiquem a "estagnar" em estabelecimentos de ensino, só porque estão na idade obrigatória de frequência escolar, sem que contudo tenham o aproveitamento mínimo exigível ou o comportamento cívico exigível, sem que por vezes os professores possam fazer algo ?
Quem acompanha efectivamente os alunos, evitando, impedindo ou alertando para situações de índices escandalosos de reprovações, para professores que aparecem nas aulas aparentemente drogados, para alunos de histórico excepcional que de repente passam a ter notas baixas, para aulas que são leccionadas por nomes sonantes da sociedade e cujas aulas são imcompreensíveis, para alguns professores que se tornam "pequenos reis" nos seus decrépitos departamentos das universidades ? Quem ? O Ministério ? Não me parece, pois nem internamente demonstra discernimento para emitir exames correctos e adequados.
É nesta torrente da ignorância e mau ensino, que alunos passam a professores e a alguns metre-escola (esses que recordamos com saudade) e outros, talvez os que menos aprenderam até se tornam gente que se pretendia respeitável, com responsabilidades no ensino em Portugal.
Por mim, no ensino, salvo raras excepções, bastaria voltar a 1973 e implementar liberdade e condições de acesso ao mesmo. Voltaria a formar, operários, técnicos, mecânicos, electricistas, enfermeiros, médicos, engenheiros, etc.. Chamem-lhes o que quiserem, mas aos 18 anos (os que ainda não tinham entrado nas universidades), todos eles sabiam trabalhar e produzir alguma coisa.
Publicada por Rui @t Blog em Terça-feira, Julho 18, 2006 4 comentários Hiperligações para esta mensagem

Quisiera yo que mi cuerpo se disolviera en el viento para portarme junto de ti, mientras digo à la luna para llamarte á la ventana para que me dejes entrar en tu espacio.
Quisiera yo besar l’agua, mientras las olas porten mis besos cubriendo tu cuerpo cuando te bañas en la mar.
Quisiera yo que no deseara todo esto, para que no fueras bajo la luna, tu, la deseada.
Publicada por Rui @t Blog em Quinta-feira, Julho 13, 2006 3 comentários Hiperligações para esta mensagem

Minha irmã, a minha história começou quando tu nasceste. A tua só terminará quando te conhecer.
Repousa em paz.
Publicada por Rui @t Blog em Terça-feira, Junho 13, 2006 Hiperligações para esta mensagem
Capítulo I – A travessia (este cápítulo já foi publicado em Abril/2006)
Amanhece com o sol a espreitar timidamente pelas janelas que as nuvens combinaram, aspergindo o lugar com um calor calmo, que o crepúsculo teima cada dia em tomar de posse no cacimbo da noite.
O corpo eleva-se lentamente num abandono do lugar onde antes repousara, emprestando a sua forma no leito de areia, num testemunho onde a realidade e o sonho se olharam de frente durante o sono.
Avança solenemente ao compasso do silêncio até à beira da água, pelo caminho que os pés nús foram traçando no espaço que o dia prometeu até à chegada da Lua.
Recolhe-se à pequena barca de madeira de acácia, tomando nas mãos as ferramentas com que há-de dar forma à pedra que o aguarda na outra margem, onde nasce o Sol, anunciado pelo aroma das rosas que o vento transporta no tempo.
Guarda as últimas recordações enquanto se liberta das amarras, para tomar nas mãos o leme que a bondade governa enquanto a vela se ergue revolta, enfunada pela alma.
Por fim, a embarcação avança, na travessia que o prendeu, enquanto as ondas lhe anunciam a viagem até ao porto de abrigo, onde mestres e aprendizes trocam artes e conselhos, num renascimento constante.
Capítulo II – O aprendiz 
A viagem fizera-se mansa quando o peito se ofereceu ao vento enquanto as águas que o acompanharam se fizeram submissas à roda de proa, que decidida fizera da rota traçada a oriente o seu caminho.
Deixara para trás o dia profano e um novo já acorrera sem espera do outro lado, à chegada do homem igualmente renascido.
A subida da margem fizera-lhe mais próximos os sons e os homens, onde os malhetes e cinzéis traçavam na pedra a vontade que os esquadros e os compassos mediam no conhecimento de um novo templo.
Assim, entre iguais, igual se fizera na alma e nas vestes, fazendo seu também, o trabalho que os demais levavam por diante, quais cruzes transportadas por um mosaico de apóstolos, quais irmãos de uma mesma família formada por homens livres e iguais.
Tornara-se então neófito, na sabedoria, na força e na beleza, onde entre companheiros, o lugar de aprendiz lhe concedia o direito e a vontade de aprender mais, que o saber de mestres lhe haveria um dia de desmentir, por mais ainda haver por aprender.
Publicada por Rui @t Blog em Terça-feira, Junho 06, 2006 14 comentários Hiperligações para esta mensagem

Hoje é o Dia Mundial da Criança
Hoje esta criança está a morrer à fome porque onde ela está não lhe chega a comida.
Hoje fui almoçar e havia comida, mas ela não estava lá.
Hoje milhares de governantes e políticos empanturraram-se como eu, mas ela não foi lembrada lá.
Hoje o Santuário de Fátima vai continuar a ser ampliado com os milhões de euros de ofertas dos devotos, mas ela nunca irá lá.
Hoje milhares de operários empanturram-se como eu nas cantinas das fábricas das armas que matam o país desta criança, mas ela ainda está lá.
Hoje, milhões de cristãos, muçulmanos, hindús, judeus, budistas e outros crentes, vão rezar por esta criança, mas ela não os verá.
Hoje milhões como eu, falarão desta criança, mas ela não nos ouvirá.
Hoje esta criança está a morrer à fome porque onde ela está não lhe chega a comida.
Hoje o meu filho chorou porque não queria comer o que lhe deram.
E eu choro pelos dois, porque qualquer um dos dois pode ser o meu filho.
Hoje é o Dia Mundial da Criança. Será mesmo ?!
Publicada por Rui @t Blog em Quinta-feira, Junho 01, 2006 8 comentários Hiperligações para esta mensagem
Eis que me apresento a vós cristandade e mouraria, de meu nome Sheikh Al-Ali Taj Mahal Hamas Adhir Hassim, um vosso criado e figura importante do jet-set, ou seja do camel-set deste deserto, onde as dunas dão vida a este blog.
Quiseram os deuses que periodicamente vos venha comentar de faladura sábia, assim o profeta me inspire.
Sabor a romãs no deserto ...
Pois assim foi, botei os arreios no camelo e fiz-me às caravanas bloguísticas. Passaram luas de caminho sereno, onde o sol me açoitou o cabedal e o couro cabeludo que deste, na verdade se vai rareando, pr'a grande gozo do camelo que acha mais pêlo na cauda do que eu nas latitudes acima dos ombros.
De cansado me encontrara e da areia farto, que teimosa se agarra a tudo quanto alcança, mesmo nos momentos mais íntimos de alívio, moendo-me em comichões dignas de um mártir.
Eis que do alto da bossa da montada avisto fruta madura e rubra quais faces de donzela envergonhada em dia de guloseima. Eram romãs, suculentas, sadias e poéticas que no mais frágil dos cestos brilhavam o blog da Paula. Eram assim, na tribo, conhecidas pelas Romãs de Paula.
Pelas barbas do profeta, pelas almas do deserto e pela comichão que me assola. Acha-se ali ela, em palácios de poesia, num anúncio de uma mulher como as outras, que à cautela avisa caminhar a 300 por cento, enquanto nos embala em poemas das 1001 noites, ou seja 1000 noites porque uma fica de caução, não fosse eu fugir com a mobília.
Dei-me assim por amores por aquela escrita de poesia, que muitos mais comigo se acharam em comentários, onde os nobres filhos da mesma, Rita, Bruno e Gustavo , ganham assento de privilégio na devoção à dança do ventre, donde brotam as palavras em saques de rimas, capazes de encantar até o mais renitente dos dromedários.
Achei-me então de conversa com os céus, sobre tal moura encantada e seus amores, na inquietude de pensar como seria para estes, caminhar no deserto com uma mulher daquelas.
Aquele cabelo da cor e o ondular das dunas, enfeitando uns olhos da mesma cor, capazes de enfeitiçar o mais maricas dos homens e fazer ajoelhar o mais paralítico dos infiéis.
Oh pobre camelo e companheiro, quanto esforço por seguir uma mulher que anda a 300 por cento desafiando a mais resistente das sandálias, até que se gastassem as já curtas pernas, no risco de arrastar os ditos pelo chão.
Oh inclemência do além que no feitiço atormentas em deleites de odalisca com tal escrita aos que ousam chegar a tal oásis de poesia.
(este post é dedicado à Paula Raposo e ao seu blog onde a sensibilidade e a inteligência denunciam uma mulher, que de facto, não é como todas as outras)
Publicada por Rui @t Blog em Terça-feira, Maio 30, 2006 8 comentários Hiperligações para esta mensagem
Nunca me moveu nenhum sentimento homofóbico e até confesso admirar alguns homossexuais que numa postura discreta e serena, enfrentam diariamente preconceitos, injustiça e todo um rol de inconsistências sociais, que já deveriam ter desaparecido.
Com efeito, sou dos que entendem por bem, a autorização de casamento entre dois indivíduos do mesmo sexo e não aceito a condenação dos homossexuais por parte da Igreja, pois esta deveria ter sempre uma atitude contra a exclusão social, em vez de a provocar.
Contudo, uma coisa é a orientação sexual de cada um e outra é procurar enfatizar uma postura, não diria "gay" por respeito aos que o são, mas "amaricada" no sentido negativo do mesmo.
Estou farto de ser constantemente bombardeado, sobretudo na TV com palermices mais ou menos amaricadas e/ou mais ou menos anormais, em programas, que supostamente poderiam ser de maior divertimento.
São os "Nunos Eirós", os "Níltons", os "Danieis Nascimentos", os "Serginhos" e os "Cláudios Ramos" que em trejeitos de gosto duvido reduzem à imbecilidade uma actividade, que deveria ser cultural, a de ver televisão.
De facto o nível (ou falta dele) geral dos programas que temos, é tão baixo que levanta questões sobre a sanidade mental de quem permite alguns dos programas nas cadeias de televisão.
São as horas infinitas de telenovelas, apenas entrecortadas por notícias do futebol ou de qualquer desgraça alheia, transformada num circo montado sobre o sofrimento dos outros, qual coliseu romano infestado de aplausos ante o sacrifício dos cristãos.
Claro que todo este bolo condenado a vómito, não ficaria decorado sem o nosso José Castelo Branco, não porque ele seja como é, pois que tal lhe confere o mais legítimo dos direitos, mas porque tal nos encharca constantemente os serões, ora em circos, paradas e quintas, ora em programas sem qualquer interesse ou graça, secundados por grotescos Alexandres Frotas.
Quando foi que qualquer de nós teve acesso a ver na televisão uma ópera ou opereta ? um programa de bailado ? um concerto de música clássica ? um teatro ? um bom programa cómico com artistas de verdade ?
Quando é os artistas para os programas são escolhidos pelo seu real valor e aptidão profissionais, em vez do tamanho do cú ou das mamas, da voluntariedade de se despirem ou supostamente se bamboliarem amaricadamente ?
Quando é que na televisão, um qualquer programa de qualidade deixa de ser visto como uma raridade digna de gravação par ser revista, aliviando os ecrãs privados da nojisse constante na televisão ?
Todos sabemos que esta barbárie, não é um fenómeno isolado dentro da nossa sociedade e nem aparece por acaso.
Todos sabemos que quanto mais embrutecido e ignorante é um povo, menos ele é capaz de pensar e de reagir.
Todos sabemos que quanto mais mobilizados os indivíduos para bandeirinhas, hinos e aplausos dirigidos a selecções milionárias de futebol, menos reagem aos aumentos descomunais de combustíveis ou de bens essenciais.
Todos sabemos que quanto mais absorvidos estivermos com as inaugurações, jogos e comícios, menos nos apercebemos que nos palcos das mesmas, se encontram os que estão envolvidos nos escândalos de "apitos dourados", de "reformas escandalosas", de "processos fraudulentos", de "jobs for the boys" ou de supostos pedófilos, corruptos e corruptores afrontando o poder judicial.
Quantas as bandeiras que enfeitaram carros, janelas e fachadas, a pedido do seleccionador nacional, numa mobilização geral em torno da selecção.
Raras as faixas negras ou gravatas da mesma cor, a sugestão migrada na net, em protesto contra a exorbitância e aberração de algumas reformas atribuídas a alguns políticos.
Não admira ser Portugal o 3º consumidor de alcoól, pois só assim se justifica a embriaguez com que lidamos com a realidade que nos cerca. Só assim se justifica o coma social e não se cumprir o hino que nos impele a ser um "nobre povo" e "levantar hoje de novo, o esplendor de Portugal" numa nova "marcha contra os canhões".
Publicada por Rui @t Blog em Sábado, Maio 27, 2006 5 comentários Hiperligações para esta mensagem
É meio-dia e neste momento um amigo de amigos meus foi entre cravos e lágrimas para a sua última viagem.
Não entendo a emoção que sinto, pois eu não o conhecia e pouco ouvira até então, falar dele. Ouço os soluços quase em silêncio dos que o conheciam, na exaltação das qualidades e até talvez dos defeitos, mas sobretudo num dos mais nobres sentimentos que tentam fazer de nós, seres gregários, o da Fraternidade.
Sim, a Fraternidade, esse sentimento, essa atitude, esse princípio, que ao longo dos tempos foi acolhendo as gentes em "famílias", "organizações", "partidos" e "movimentos".
Eram os amigos que se juntavam na alegria e na desgraça, quais "famílias" no sentido lato, que garantiam o que de outra forma era dificilmente alcançável.
Eram trabalhadores que se juntavam e associavam, ganhando força negocial e facilitando o anonimato na luta laboral.
Eram gentes que no desespero diário de sobreviver dão corpo a partidos na ânsia de que profetas políticos lhes ajudem a matar a fome num qualquer 25 de Abril que quase nunca acontece.
Eram pessoas que se juntavam por causas aparentemente únicas, colocadas no vértice duma pirâmide imensa de necessidades de movimentos de ajuda.
Eram... são... e continuam a ser gentes, pessoas a quem a Fraternidade é por vezes a companhia de quem está só, o pão que lhes mata a fome, a mão que os ajuda a levantar, a emoção de chorar em conjunto, o suspirar pelas mesmas dores e o cantar em coro pelas mesmas alegrias.
É a Fraternidade que fez conhecido aquele amigo dos outros que hoje partiu, aquela mulher idosa que dedicou a vida a tratar os abandonados e doentes, aquele homem que deu instrução a quem aprendeu e tantos outros que estão sempre onde os esperam.
Amanhã será meio-dia e depois de amanhã outra vez, e continuará a fazer sentido que pessoas, gentes se juntem, partilhando as dores e os cantares, não porque sejam socialistas, comunistas democratas ou fascistas, não porque sejam portugueses, franceses ou de qualquer outra nacionalidade, não porque sejam brancos, pretos ou amarelos, não porque sejam deste ou daquela sindicato ou religião ... mas porque queiram ser gente, assumir a posição de pessoas, de indivíduos, de serem amigos do seu amigo, de se verem entre si como num espelho e serem capazes de trazer outro amigo também.
(texto dedicado aos que na Fraternidade, na Amizade, na Solidariedade, na Igualdade e na Liberdade encontram a sua postura natural de vida)
Publicada por Rui @t Blog em Quinta-feira, Maio 25, 2006 4 comentários Hiperligações para esta mensagem
Faleceu hoje um elemento muito especial da comunidade Blogueira nacional, Fernando Bizarro do blog Fraternidade, dinamizador dos encontros entre bloggers por altura dos equinócios, como o Blognócio do Outono realizado em Outubro de 2005, o Blogstício de Inverno realizado em Janeiro de 2006 e o Blognócio da Primavera realizado em Março de 2006.
Para os que se queiram despedir do fernando Bizarro, poderão fazê-lo amanhã, a partir das 11h00, na Igreja Velha de Carnaxide.
O Funeral será na Quinta-feira, no crematório do Alto de S. João, às 12h00.
Os que o conheceram entendem por bem, levar-lhe um "cravo vermelho", acreditando que não há flor que ele mais gostasse que lhe levassem.
Eu não tive a oportunidade de conhecer pessoalmente o Fernando Bizarro, embora tivesse várias vezes visto o seu blog Fraternidade. Contudo é também minha, a pena que os meus amigos sentem. Assim, junto ao dos demais amigos e familiares do Fernando Bizarro, o desejo de que repouse em paz, agradecendo-lhe o igual apreço pelo sentido de Fraternidade que lhe era reconhecido.
Publicada por Rui @t Blog em Terça-feira, Maio 23, 2006 3 comentários Hiperligações para esta mensagem
Depuis que la mer est la,
Depuis que ta main me dit au revoir,
et je ne vois pas.
Depuis que les vagues me chantent cette chanson,
en me chantant des mots,
desquels je n’entends qu’un nom.
Un nom qui n’existe pas.
Je cherche et je ne trouve pas,
depuis que la distance existe.
Depuis que la mer est la.
Rui @t Blog, 5-11-1983
Publicada por Rui @t Blog em Terça-feira, Maio 16, 2006 7 comentários Hiperligações para esta mensagem
Publicada por Rui @t Blog em Terça-feira, Maio 16, 2006 Hiperligações para esta mensagem
Se todos os caminhos vão dar a Roma, naquele recinto, todos os passos se encaminhavam para aquele local apertado, onde as pessoas convergiam quais pequenas crias recolhendo-se nas asas da mãe, concentrando os olhares serenos naquela imagem alva onde as angústias são depositadas em preces confessadas mais ou menos em voz baixa.
A fila de gentes, ora de joelhos, ora de rastos, segue em silêncio o caminho marcado no chão, onde as lágrimas tentam em vão quebrar a dureza das pedras salpicadas das marcas das feridas dos que fizeram das promessas o ponto extremo da sua devoção, seja em agradecimento, seja em sacrifício na busca da ajuda que na probabilidade encontre pouca sorte.
Os ramos de flores emprestam às velas sortidas na forma e altura, com que se cruzam em passos apressados, aromas fugidios que se juntam às pequenas chamas votivas, tentando estas prolongar no espaço e no tempo a recordação dos entes a quem foram dedicadas.
Passam sacerdotes, monges e freiras.
Passam cónegos e auxiliares.
Passa gente de olhar triste, enquanto outros em cantares.
Passam emigrantes, gente simples e gente abastada.
Passam crianças, idosos e outros que já não esperam nada.
Passam polícias, políticos e até ladrões.
Passam até alguns que rezando bem alto, se esquecem da condição de vilões.
Passa aquela mãe que desesperada, veste o filho doente e fraco de anjo, esperando conservá-lo mais tempo com o bálsamo das suas lágrimas, reclamando à imagem de Nossa Senhora a simpatia de quem também já perdeu um filho.
Passam ateus, agnósticos e de outras confissões.
Passa tanta gente, meu Deus.
Porque não ficam ? Porque não estendem no recinto uma longa mesa com pedras de catedrais, onde nos actos votivos e orações, todos se juntam numa primeira ceia, partilhando o pão e o vinho e até as lágrimas e as angústias ?
Publicada por Rui @t Blog em Sábado, Maio 13, 2006 2 comentários Hiperligações para esta mensagem

Mãe,
eu sei que não irei decorar os beijos que te dou com as palavras que aqui plantei, pois o teu tempo já não se dispõe a ler nem te cobra os cuidados da maternidade.
Eu sei que as flores que te dou hoje já não têm o aroma de outros tempos, nem os espinhos das rosas já te cobram na pele o perfume de outros dias.
Eu sei que que as horas de ontem são apenas imagens que a igual custo guardas hoje e as dores de outrora já não passam o espaço que te guardei.
Mãe,
olha o Sol que já se levantou,
olha as núvens que apenas trazem a chuva que já não te molha, e agora a trovoada é apenas a música descompassada do tempo.
Os cães já não uivam e as hienas já não mordem, e os cuidados que me deste, são agora os teus pelo mundo que te chega por mim.
Mãe,
eu sei que não irei decorar os beijos que te dou com as palavras que aqui plantei, pois agora é meu, o tempo de cuidar de ti.
Publicada por Rui @t Blog em Domingo, Maio 07, 2006 4 comentários Hiperligações para esta mensagem
Foi o 1º de Maio dos que trabalham,
foi também dos que não têm trabalho e querem trabalhar,
foi dos que têm trabalho e não querem trabalhar,
foi dos que trabalham e não têm salário,
foi dos que têm salário e não trabalham,
foi também dos que trabalham e temem deixar de trabalhar,
foi dos que querem deixar de trabalhar;
Foi dos que quiseram estar juntos e comemorar,
foi também dos que se separaram e fizeram festejos,
foi dos que não fizeram festa por estarem tristes,
foi também dos que estavam contentes por não festejar;
Terá sido o 1º de Maio ?
Ou foi apenas o feriado do 1º de Maio ?
Publicada por Rui @t Blog em Segunda-feira, Maio 01, 2006 0 comentários Hiperligações para esta mensagem
O dia ainda não se tinha decidido a nascer e já a porta denunciava alguém que teimava em bater-lhe com mãos habituadas a tocar de mansinho, de forma furtiva e cautelosa.
- Que é pá ? Que se passa ? Perguntou o meu pai estranhando tal procedimento, antevendo que algo de grave havia acontecido. Ele, que sabia o que valiam aquelas pancadas na porta.
- Não vás trabalhar, parece que houve um golpe de estado. Tenho estado a ouvir a rádio. Acrescenta o amigo aquela preocupação à longa amizade que os unia desde sempre. Aquela amizade que nascera e crescera na cumplicidade de entreajuda ao longo dos anos, sempre que um deles necessitava, sabendo encontrar no outro a resposta que o próprio daria em qualquer momento.
O resto do dia estendeu-se em risos, sorrisos e receios nocturnos que só a insistência dos comunicados veio acalmar como ar novo numa forja já quente ao rubro.
Era o 25 de Abril e era o ano de 1974.
Era a fome e a miséria que alimentavam o dinheiro com que se tomavam as vidas, a liberdade, a saúde e o direito a aprender para saber mais.
Eram os que na calada da noite passavam fronteiras para fugir a guerras que não entendiam, eram pretos que matavam os que como eles também não percebiam.
Eram as bocas que calavam os corpos torturados pelas denúncias dos que pouco ou nada viam.
Eram as cabeças que se vergavam em orações que os adormeciam.
É o 25 de Abril e é o ano de 2006.
A fome e a miséria numa vergonha que já pouco dá para esconder, agora com liberdade para soltar as queixas, continuam a alimentar os que lhes inutilizam as vidas no desemprego e sem meios para poderem aprender mais.
As armas, e as fugas tornaram este silêncio cúmplice dos que converteram as torturas e as denúncias em discursos e acusações repetidos numa cantilena partidária de poder.
As cabeças ora erguidas encondem almas que quedam vergadas quando se privilegia o 24 de Abril na Madeira, quando deputados na falta de vergonha escapam ao trabalho, em suma, quando não se faz justiça.
A solidariedade e a liberdade, voltaram às orações em bocas que continuam secas.
Publicada por Rui @t Blog em Terça-feira, Abril 25, 2006 1 comentários Hiperligações para esta mensagem
Para os cristãos, Jesus Cristo terá sido o Cordeiro de Deus que foi crucificado para salvação e libertação de todos do pecado, cuja morte terá ocorrido no dia da Páscoa, facto que Ele teria antevisto durante a sua última ceia com os seus discípulos.
Não conheço tradição religiosa com igual paralelo em cada um dos nossos dias, e esse facto faz-me recordar os quantos são diariamente imolados, ainda que sem qualquer propósito de salvação ou purificação.
As ceias repetem-se entre familiares, amigos ou colegas, onde os supostos “Judas” tomam agora os nomes de Bernardos, Jaimes ou Josés, substituindo os beijos da traição, pelas mentiras, falsas acusações ou difamações. Lembro-me particularmente da afirmação de um antigo colega depois de uma dessas ceias de colegas, quando me confessou que se para se “safar” tivesse de “entalar” um colega, não hesitaria em fazê-lo, algo que sem escrupulos, foi demonstrando ao longo do tempo.
Não nos faltam Manueis, Pereiras ou Paulos, que por inveja, despeito ou apenas antipatia, oscilando entre Sinédrios ou palácios, em papeis de Caifás ou de Pilatos, não hesitam favorecer quaisquer Barrabás à mercê dos seus intentos, nas empresas, organizações ou departamentos, com carreiras construídas à custa dos que impune e injustamente condenam.
Não nos faltam sequer os que martirizando os que no trabalho e na honestidade se refugiam para alimentar aqueles que troçando dos Simões e das Verónicas, usam iguais milícias romanas a mando dos que se banqueteiam em repastos dominicais, comendo avidamente os cordeiros já emagrecidos pela aridez da sociedade de que alimentam.
Lembro-me de facto, dos que têm fome, dos que não tendo nada, não se podem sequer sentar à mesa para receber o pão e o vinho que lhes é devido.
Lembro-me dos que, com avidez insaciada, se passeiam impunes nos Sinédrios e palácios onde os discípulos da bondade reclamam justiça, venha ela de Deus ou do Diabo.
Tenham, apesar de tudo, uma boa Páscoa, sobretudo os que de alma livre, fraternalmente enfilam nas hostes a par do Calvário, que os demais teimam em ignorar.
Publicada por Rui @t Blog em Domingo, Abril 16, 2006 2 comentários Hiperligações para esta mensagem
Sempre vi Judas Iscariote ser remetido para o recanto dos traidores, sendo frequentemente usado como modelo de comparação para aqueles que de algum modo, traiem os que neles confiaram.
A descoberta e divulgação recentes do manuscrito a que se tem chamado de "Evangelho segundo Judas", veio levantar de novo a questão sobre a hipotética traição de Judas sobre Jesus, agora referindo-se que aquele se limitou a cumprir a missão que este lhe confiara, como o derradeiro sacrifício, decerto acolhido com a condenação dos demais discípulos e crentes.
No entanto, há uma questão que sempre me pareceu evidente "que levaria um discípulo, após uma vivência comum com os demais discípulos, certamente com a mesma devoção e fervor, atraiçoar aquele que era o seu mestre, que tanto adoraria como os restantes ?". "Qual a lógica da actuação atribuída a Judas, sabendo o resultado que isso traria ?"
Será que os restantes discípulos de Jesus, esqueceram todo o tempo que viveram em comum com Judas, para o condenar numa actuação inesperada, que aparentemente não compreederam, colocando assim, em causa, num momento, a experiência de anos ? Será que esqueceram todos um dos aspectos que fora ensinado, o da "confiança" ?
Não me parece que o conhecimento do "Evangelho segundo Judas" venha alterar a posição "franchisada" que a Igreja Católica tem vindo directa ou directamente a fomentar. É sempre mais fácil ignorar que corrigir, mas a verdade, essa será só uma , mesmo que leve mais 1700 anos a ser conhecida de todos.
De facto, quantos de nós vimos condenar em momentos, sem piedade, aqueles que durante anos ganharam a confiança, só porque actuaram, aparentemente sem razão ?
Como é curta a memória dos homens, sejam eles discípulos, ou gente vulgar.
Publicada por Rui @t Blog em Sábado, Abril 15, 2006 6 comentários Hiperligações para esta mensagem
Apesar de as hostes monárquicas não encontrarem em mim, conhecedor de lógica assumida para tal forma de governar, não significa que o "hábito" torne em "monges" republicanos os que este regime professem.
Quase todos conhecemos o actual pretendente ao trono de Portugal, Don Duarte Pio, Duque de Bragança. Quase todos assistimos ou fizémos parte de expontâneas encenações, fazendo daquela pacata e aparentemente simpática e culta figura, alvo de chacota circunstancial. Ultrages a que a mesma, indiferente, remete ao sorriso calmo e sereno com que convive, mesmo com os que se confessam do outro lado da barricada política.
Talvez aquela serenidade venha de ver a ponte "Vasco da Gama", da principal rotunda de Lisboa "Marquês de Pombal", do centro comercial "Colombo", da casa "Pia", das escolas "rainha D. Leonor" e "rainha D. Amélia" e outras referências ao passado, que o presente não consegue ombrear, mesmo em períodos idênticos de governação. De facto, reconheçamos que perante D. Afonso Henriques, D. Diniz, D. Manuel I e a Ínclita Geração e Marquês de Pombal, a maioria dos governantes do nosso tempo, não passam de políticos da triste figura em posturas de velhos do Restelo, que nenhum Cervantes nem Camões, envergonhados, se atreveriam a imortalizar.
Com efeito, em oposição política à dinastia que o pretendente ao trono de Portugal pretende recuperar, nos submetemos a ciclos políticos que sistematicamente se renovam e renascem, ainda que não por direito de sucessão, mas por convénios de favores e conveniências pessoais.
Assim, a dinastias familiares, alimentamos dinastias políticas, com acólitos que frequentemente a dignidade desconhece, na arrogância do incumprimento do seu dever, perante os que submissos, os alimentam, como já outrora o faziam a outros, reconheço que muitas vezes, com mais sentido de Estado.
Publicada por Rui @t Blog em Sábado, Abril 15, 2006 0 comentários Hiperligações para esta mensagem
Amanhece com o sol a espreitar timidamente pelas janelas que as nuvens combinaram, aspergindo o lugar com um calor calmo, que o crepúsculo teima cada dia em tomar de posse no cacimbo da noite.
O corpo eleva-se lentamente num abandono do lugar onde antes repousara, emprestando a sua forma no leito de areia, num testemunho onde a realidade e o sonho se olharam de frente durante o sono.
Avança solenemente ao compasso do silêncio até à beira da água, pelo caminho que os pés nús foram traçando no espaço que o dia prometeu até à chegada da Lua.
Recolhe-se à pequena barca de madeira de acácia, tomando nas mãos as ferramentas com que há-de dar forma à pedra que o aguarda na outra margem, onde nasce o Sol, anunciado pelo aroma das rosas que o vento transporta no tempo.
Guarda as últimas recordações enquanto se liberta das amarras, para tomar nas mãos o leme que a bondade governa enquanto a vela se ergue revolta, enfunada pela alma.
Por fim, a embarcação avança, na travessia que o prendeu, enquanto as ondas lhe anunciam a viagem até ao porto de abrigo, onde mestres e aprendizes trocam artes e conselhos, num renascimento constante.
Publicada por Rui @t Blog em Quarta-feira, Abril 12, 2006 5 comentários Hiperligações para esta mensagem
Ele há dias que todos gostaríamos de esquecer, e até seria bom esquecê-los, se não fossem úteis a fazer-nos reflectir, mesmo que tal nos faça reclamar de esquecidos.
Mesmo assim, o dia até teria sido sofrível, apesar do desânimo que olhar mais pelos outros que por nós próprios frequentemente nos tráz, se não fora terminar ante o desespero de uma mãe perante a in(certeza) de perder o seu filho, ainda criança.
Não sei o que é perder um filho, e os deuses no mais impiedoso dos castigos, à mais cruel das desventuras me poupem, mas sei o que é aparecer no seio familiar após tal desacerto da vida.
Assim, o regresso a casa após um dia interiormente desiludido, relembrou-me o compromisso de pai, levando-me a conduzir o meu filhote à urgência pediátrica do Hospital de Santa Maria.
Bendito o alívio de ser informado da bondade viral de que o meu filhote tinha sido alvo, mesmo após um par de horas numa sala de espera, em estado condizente com a insuficiência mental do funcionário do hospital e do segurança que lhe fazia companhia.
Não quero e não gosto de menosprezar as pessoas que exercem a sua actividade profissional, excepto quando se sentem ou escudam no cumprimento de um dever, que nem sabem identificar qual é, seja do ponto de vista profissional, seja do ponto de vista humano e/ou moral.
De facto, aguardava a ansiada consulta com o pediatra, numa calma tacitamente assumida perante o barulho saudável das crianças que de pleno direito teimam em sê-lo, indiferentes aos lugares e preceitos.
De repente, uma mãe saía pelo hall de entrada, amparando com as mãos, a cabeça coroada por um lenço, como uma pequena capela deambulante, donde se soltavam gemidos de pranto embrulhados com as lágrimas de mãe. A dor tomava progressivamente a forma de uma cantilena monocórdica e triste, que ela recuperara da memória perdida por terras africanas que lhe deram o ser.
Passados momentos, juntou-se-lhe uma funcionária da limpeza, que igualmente saneando a alma aos que imóveis obervavam sem agir, lhe copiou o abraço que eu lhe queria dar enquanto cuidava egoistamente do meu filhote, emprestando-lhe o amparo que lhe desejava uma mãe igualmente africana, onde a tez escura da pele apenas fazia reluzir a brancura da alma.
Aquele curto espaço de tempo, tanto quanto me permitiu ficar ciente do ocorrido, levou-me a interpelar o segurança e o funcionário da recepção para que pedissem à urgência central apoio para aquela mãe, para que a sua dor e alma se podessem acalmar. Ambos, disseram que não podiam fazer nada, que não sabiam o que fazer, o primeiro representando fielmente a cor escura da farda que envergava e o segundo revelando a aptidão quase irracional que tinha para continuar a agrafar os papéis que segurava na mão, indiferente ao que se passava.
Perante tal estado, a minha repugnância e tom de voz fizeram coro ao nervosismo e à revolta que o desespero que por empatia assumira em forma crescente, exigindo que o cuidado fosse prestado, enquanto o segurança, decerto envergonhado e por insistência quase surda de um polícia que observara o que se passava, me informa então, que o pedido tinha sido feito.
A minha revolta fora entretanto adiada pelo chamamento para a consulta, após a qual, enquanto saía, entrava de novo aquela pobre mãe, amparada pela senhora da limpeza e uma enfermeira que procuravam acalmar aquela dor, que entretanto, silenciosamente também passara a ser minha, e se vergonha e solidariedade houvesse, também passaria a ser de todos os que ali estavam quietos.
Vim-me embora, mas confesso que a dor continua, para aquela mãe e para mim também. Ele há dias para esquecer, ou talvez não.
Publicada por Rui @t Blog em Terça-feira, Março 28, 2006 10 comentários Hiperligações para esta mensagem
Há dias ouvi na televisão que as certidões de óbito têm uma validade de 3 (três) meses.
Pois, a maior parte das pessoas dirá que quem determinou a validade das certidões de óbito estava louco ou mesmo embriagado.
Mas não, tratou-se mesmo de uma legislação cautelosa e culta, com uma daquelas culturas que raramente se encontra, tão guardadas estão, que só emergem para actos heróicos, dignos da melhor nata de decisores políticos (claro que não estou a falar de George Bush, mas de algo parecido, em termos de inteligência).
Foi de facto alguém com a visão milenar da experiência.
Pois digam-me lá o que teria acontecido com a certidão de óbito de Cristo ? E a de Lázaro ? E a de provavelmente mais alguns que Cristo possivelmente terá ressuscitado ? Ainda por cima, com a agravante de afirmar que todos se voltariam a ver após a morte.
Claro que o legislador ficou chateado e preocupado com tudo isto, que alguns ainda afirmam.
Sim, Cristo, esse cidadão subversivo que ia contra a ordem instituída, que provavelmente também teria expulso dos templos políticos actuais, muitos funcionários que conhecemos, quando exigem IVA a quem facturou e não recebeu, que teria expulso legisladores que exigem multas insensatas, que teria expulso governantes que se deixam conduzir a alta velocidade nas nossas ruas enquando punem severamente os restantes condutores.
Sim, está escrito o suficiente para determinar a culpa de Cristo, acompanhada dos milhões de fiéis igualmente culpados, que sustenta que os nossos legisladores têm razão na validade das certidões de óbito, talvez no receio, ou na esperança de que, sei lá, alguém do passado ressuscite, para lhes fazer coro num hino ao ridículo.
Publicada por Rui @t Blog em Sábado, Março 25, 2006 4 comentários Hiperligações para esta mensagem
A realidade ténue e difusa de um mundo fechado altera-se ao ritmo do quebrar da casca envolvente.
Um novo mundo vai-se revelando no novo equinócio, em coro com os sons que se tornaram familiares.
Nasceu para o primeiro passo.
Deu o primeiro passo do seu nascimento.
Publicada por Rui @t Blog em Terça-feira, Março 21, 2006 3 comentários Hiperligações para esta mensagem
Entre o passado ...
Pai, hoje é o teu dia, agora o nosso dia. Sei que de nada serve o que escreva, pois nunca o irás ler. São apenas palavras mudas como tantas que nunca trocámos, como se tivesse faltado o tempo ou ocasião, neste caminho, onde lado a lado, demos passos paralelos que nunca se cruzaram.
Na verdade tudo o que nos unia, impunha-nos igualmente a distância entre nós , como os carris de uma via que conduz a uma estação de onde todos já partiram.
Não te lembro para te julgar na exigência do que nunca me pudeste dar, nem me sentei na soleira da porta à espera de receber o que não te deram.
Lembro-te sim, no sentir a falta que há muito se fez conhecida, que a condição de filho, indiferente às sortes, foi reclamando ainda na tua presença.
Lembro-te como sempre me lembrei. Recordo-te porque nunca me esqueci.
... e o futuro 
Filho, hoje é o meu dia, que um dia será o teu também. Sei que poderá ser importante o que escreva, pois talvez um dia o venhas a ler. São mais do que palavras, são ideias e sentimentos que nos envolvem em cada momento que sentimos, num egoismo que remete longe o que antes fora importante. Tempo, espaço e presença fundem-se numa corrente de vida que se lança indiferente às horas ou momentos, numa descoberta constante de menino.
O teu sorriso lembra-me o mundo que te quero dar, e que os teus braços alcançam no calor do mais sentido abraço, que o tempo não ousa apagar.
Lembras-me em cada passo que dás. Recordas-me hoje para que nunca me esqueça.
Obrigado. Amo-te meu filho.
Publicada por Rui @t Blog em Domingo, Março 19, 2006 5 comentários Hiperligações para esta mensagem
Vagueava pela noite. O frio fazia coro com as portas fechadas numa cumplicidade com o caminho por onde seguia, negando-lhe qualquer alternativa àquele percurso que o subjugava.
Ouvia os próprios passos, como se fossem tambores rufando à passagem de um exército que era só ele e as poças de água gemiam reflexos que o denunciavam a cada passo, troçando da solidão que lhe enrugava a alma.
Queria dormir. Queria repousar em qualquer lugar onde a chuva não ocupasse o espaço vazio dos que o deixaram só. Queria parar e aquecer as mãos geladas pelos que sempre admirara. Aqueles que ninguém olha, aqueles que todos ignoram, aqueles que ninguém ajuda. Queria murmurar o mesmo grito que se repetia a cada troar da tempestade que o acompanhava, enquanto cerrava as mãos sobre o peito que lançava à sorte, qual proa de navio onde embarcara os que mais amara.
Apesar de servir junto dos inocentes e de comer do pão dos famintos, queria ainda acolher na alma, todos os que sofrem e dar-lhes a beber o vinho das adegas dos sumo-sacerdotes. Queria agarrar nas mãos os mesmos raios que o feriam e lançá-los a dragões e demónios que de mansinho se lançam sobre os que oram por bem.
Soam-lhe longe os gritos das crianças que com as mãos dadas aos avós, dançam a ronda dos deuses que ele sempre adorara, numa fé que espera encontrar ao virar da próxima esquina.
Continuou a caminhar, mesmo com o declive do caminho a contrariar-lhe a intenção, mesmo com as luzes a apagar-se num acorde mudo com os passos, acentuando a escuridão à qual não consegue habituar-se.
Lança mãos de um espelho, onde não se revê no anonimato da luz que vai reflectindo no caminho, imitando a lua que se evadira no horizonte.
Como está frio, meu Deus, confessa-se-lhe a alma num pranto surdo de silêncio.
Publicada por Rui @t Blog em Quinta-feira, Março 16, 2006 5 comentários Hiperligações para esta mensagem
Sim, é isso mesmo. Hoje fui assaltado à mão armada em pleno dia e numa rua bem frequentada.
Não, não aconteceu em Angola, Moçambique ou na Colômbia. Foi mesmo aqui em Portugal, quando ia trabalhar.
Saio da auto-estrada quando vários elementos de um pretenso bando se fizeram ao caminho de quantos passavam como eu. De repente, um dos elementos faz-me um sinal que não distingui, entre seguir contornando os veículos parados, e parar após os contornar.
Optei pela primeira, mas a visão no retrovisor fez-me mudar de ideias e resolvi dar-lhe a oportunidade de me esclarecer numa atitude calma de "quem não deve não teme", voltando ao local da passagem.
Foi aí que me apercebi que afinal não era um bando de ladrões, pelo menos não estavam a roubar em proveito próprio nem aparentemente por iniciativa própria. Era a GNR-BT que tinha decidido montar a ronda naquele local, dando preferência aos veículos de transporte (que normalmente andam a trabalhar mas que são presas fáceis) e aos que notassem qualquer falta de dístico no pára-brisas, classe em que me incluia.
De facto, o agente que me tinha feito sinal e perante o meu á-vontade de boa fé pelo regresso consciente, simpaticamente me relembrou que me faltavam dísticos no pára-brisas, pedindo a apresentação dos mesmos junto dos demais documentos, incluindo a prova da inspecção do veículo.
Com efeito, tinha todos os documentos necessários e embora tenha concordado com o reparo, eis que afinal não tinha a inspecção do veículo em dia, a que corresponde uma coima de 250 euros.
De facto, embora o veículo tivesse sido inspeccionado há cerca de apenas 9 meses, eu deveria ter ido repetir a inspecção em Janeiro, isto porque uma alma sábia das leis, determinou, não em função do tempo de intervalo entre inspecções, mas que os veículos com matrículas análogas à minha, devem ser inspeccionados em Janeiro.
Ora se o veículo estiver parado por exemplo, por qualquer razão, e entretanto quiser começar a usá-lo em Dezembro, para o que tenho de fazer a respectiva inspecção periódica, esta teria de ser refeita apenas um mês depois, porque a insuficiência racional do legislador assim determinou.
O bom do agente que me interpelou, entendeu que de facto eu tinha agido de boa fé e na suposição de ter de inspeccionar o veículo um ano após a última inspecção (apesar de a informação de Janeiro de 2006 constar no anterior certificado de inspecção a que não tinha dado atenção) e teria tomado apenas a atitude inteligente de dar conhecimento do facto, se não fosse a intervenção do "chefe" que de esporas nas botas, lhe deu ordens para autoar e proceder à extorsão legalmente autorizada, que aparentemente o motivava naquela actuação.
Visivelmente constragido e contrariado pela ineficácia da atitude o agente obedeceu e assim se consumou o assalto que a outros governa e nos colocava a ambos na condição de títeres num teatro bem real, que apenas governantes e algumas figuras públicas ignora em papeis de malfeitores.
Publicada por Rui @t Blog em Terça-feira, Março 14, 2006 6 comentários Hiperligações para esta mensagem
Hoje é o dia internacional da Mulher.
Fará sentido dizer algo ?
Pode-se até falar sobre o Sol, mas nunca conseguiremos imitá-lo.
No silêncio de uma admiração infinita, repousa uma rosa de respeito.
Publicada por Rui @t Blog em Quarta-feira, Março 08, 2006 3 comentários Hiperligações para esta mensagem
- "
Obrigado filha".
Disse aquela idosa, de corpo curvado pelo sofrimento, num olhar e sorriso meigos a condizer com o agradecimento, elevando quem a trate à condição da filha que o destino lhe roubara tão severamente há anos atrás.
- "Filha não, sra. enfermeira. Eu não sou sua filha".
Retorquiu a enfermeira visada, numa relutância bruta e agreste.
- "Tem razão sra. enfermeira, de facto a senhora não tem características para ser minha filha".
Responde-lhe a idosa na mesma voz adocicada pelo ar resignado da perda que teimava em marcar a falta que sentia.
A enfermeira retirou-se da sala e da vida daquela idosa que a presenteara com o que tinha de valor mais elevado.
Publicada por Rui @t Blog em Terça-feira, Março 07, 2006 5 comentários Hiperligações para esta mensagem
Aqui está um projecto, que dispensa outros comentários que o de um forte aplauso.
Parabéns ao autor.
Este cartão vai alternando aleatóriamente entre as diferentes crianças da nossa base de dados. Tem 3 botões, [+Info] para obter mais informação sobre a criança, [Foto] fotografia da criança e [Alert] que permite enviar qualquer informação que possa ajudar na sua localização.
SOS Crianças
Para mais informação visite o site da Policia Judiciária.
CONTRA A INDIFERENÇA!
Publicada por Rui @t Blog em Segunda-feira, Fevereiro 27, 2006 2 comentários Hiperligações para esta mensagem
- Se estivesse no teu lugar, já tinha partido o loiça toda. Não faz sentido o que te estão a fazer. Comenta ele ao amigo num ar de revolta contida pelo alheio da situação, que apesar de tudo, também lhe era próxima.
- Será que vocês não vêem que quem estão a castigar é a ele, não é mais ninguém ? Dirige então a revolta para a companheira, que num silêncio quase envergonhado se quedara até então.
- Não disseste sempre que ele era para ti como um irmão ? Não pudeste contar com ele sempre que precisaste ? Não foi ele quem te ajudou sempre que foi preciso ? E agora que ele precisa, porque não o ajudam ? Isso não faz qualquer sentido. Reitera ele o raciocínio que lhe alimenta a revolta.
- Olha, dirige-se ela ao amigo que perante tudo, se mantém no silêncio que a injustiça desconhece. Eu ajudo-te naquilo que precisares de mim, mas a ela não sinto vontade de a ajudar e não ajudo, pronto. Eu sei que não é fácil para ti, mas não posso fazer uma coisa de que não tenho vontade.
Aquelas palavras ficaram-lhe tão certas e definidas na memória, quanto a certeza de que ela facilmente as iria ignorar na próxima situação em que a necessidade de ajuda não se fizesse tardar.
Seria a amizade um direito que nos permite dizer o que sentimos, ou um dever de impor uma atitude solidária ao conforto de não fazer nada pelos outros ?
- Olha, eu não te pedi nada até agora, mesmo que tenha precisado e não vai ser agora que te vou pedir. As pessoas não mudam de opinião só porque lhes pedimos. Custasse o que custasse, mantive-me de pé e fiel aos meus princípios, dos quais não abdico. Muita gente gostaria de me ver caído ou de joelhos, mas essa mesma gente, na minha situação, provavelmente já teria sucumbido. Não me importa se me ajudas ou não, importa-me quem eu sou, e um dia talvez, se estiveres na mesma situação, então darás valor a tudo o que se está a passar, pois não sei se aguentarás o que eu suportei.
Respondeu-lhe assim, o amigo, mantendo o olhar directo e incisivo, com o sorriso que lhe vagueava nos lábios, daqueles sorrisos calmos que se ganham quando se tem a consciência limpa de se ter feito o que estava certo, mesmo que numa batalha solitária que uma razão, quando incontornável, não deixa perder.
Aquela resposta do amigo, além de selar a discussão, selou algo mais importante, o conhecimento das pessoas, que revelando-se nos direitos de uma amizade, se ocultam nos deveres que a mesma acarreta.
Ela era apenas, mais uma, entre muitas as pessoas que se revelam quando a vida decide levar-nos a exame, nem sempre com os melhores resultados. Ele, de qualquer modo continuaria pelo caminho que a consciência lhe ditara, o de ajudar os que dele precisassem, não por uma qualquer obrigação religiosa, que outros tão facilmente vira atraiçoar, mas por uma questão de princípio, ou talvez de vocação.
Pois, a vida não é algo que se ensina, mas algo que se aprende, ainda que nem sempre da melhor forma.
Publicada por Rui @t Blog em Segunda-feira, Fevereiro 27, 2006 3 comentários Hiperligações para esta mensagem
A companhia dos amigos torna-se por vezes, desde a diferença nos caminhos que escolhemos até às escolhas nas situações mais dramáticas.Publicada por Rui @t Blog em Sábado, Fevereiro 25, 2006 4 comentários Hiperligações para esta mensagem
Não pretendo discutir agora nem a bondade nem a justiça do IVA. Não pretendo discutir nem a necessidade do Estado nem a coerência da aplicação daquele imposto.
Mas, imaginem-se como gestores de uma empresa que presta serviços ou vende bens, numa postura séria e profissional: Imaginem que forneceram bens ou serviços, na forme e termos acordados com os vossos clientes, e que estes, numa atitude inesperada ou até pouco séria não vos pagam as facturas que justa e oportunamente enviaram.
Pois, aí começam os problemas. Quem forneceu os bens ou os serviços, para além de ter suportado em avanço o custo dos mesmos, terá de pagar ao estado IVA correspondente aos mesmos, apesar de ainda não ter recebido do cliente. Este no entanto, e apesar de não ter cumprido a sua obrigação contratual, ou seja, pagar, pode de imediato contar com as facturas para deduzir o mesmo IVA ao Estado.
Para agravar um pouco esta situação, imaginem que o desafortunado fornecedor está em início de actividade, ou seja, já contraiu dívidas na aquisição dos bens ou serviços a fornecer, não recebeu o que lhe era devido pelo fornecimento que fez e ainda por cima, tem de dar ao Estado o valor do IVA que não recebeu e se o não fizer, o Estado ainda o multa e cobra juros de mora.
Resumindo, em toda esta transacção, o único desgraçado honesto foi quem se prejudicou, pois tem de pagar aos seus fornecedores, não recebeu do cliente e se não paga ao Estado, o qual numa atitude mafiosa, nem quer saber porquê e ainda lhe penhora os bens numa situação de que não é culpado.
Qualquer um de nós se perguntará se isto é novo para os ministros das Finanças, primeiros-ministros e demais acólitos que têm desfilado nos sucessivos governos. Claro que não é, pela clara evidência da injustiça desta situação, que infelizmente é comum.
Mas pensem também que aconteceria aos milhões de euros de IVA que o Estado toma de assalto vindos das facturas que o próprio Estado tarda a prazo indefinido, a pagar aos seus fornecedores ? Não assume aqui o Estado um papel pernicioso, ao favorecer os incumpridores, em prejuízo dos cumpridores ?
Isto leva-me a supor que em vez de "Imposto sobre o Valor Acrescentado" o Estado lhe chamará internamente de "Indiferentes Vamos Assaltando".
Publicada por Rui @t Blog em Sábado, Fevereiro 25, 2006 2 comentários Hiperligações para esta mensagem
O nosso colega Jorge Castro do blog Sete Mares está a liderar uma iniciativa no dia 4 de Março, digna do maior apreço e adesão, a que são convidados os que tal desejam.
A iniciativa “A poesia nos blogs”, procura difundir aquilo que de melhor cada um sente de si, na forma cantada em silêncio, isto é, na forma de poesia.
As peças poéticas apresentadas no encontro (duas por inscrição) constituirão o acervo que integrará a feitura de um (ou dois, se a quantidade o justificar) volumes do projecto de “literatura de cordel” da Editora Apenas Livros, Lda. (na colecção Literatralha Nobelizável), garantindo a editora, após publicação, um preço protegido por exemplar, sobre o preço de capa, a cada autor.
Dou o maior apreço e apoio tal iniciativa, e embora sinta os apelos que reclamam de mim presença, peço transportem a lembrança, porquanto estiverem presentes, presente também me sentirão, enquanto os recordando também, resto onde e no que sou, uma sombra no deserto que se forma e desforma em areia ao som do silêncio e ao sabor do vento.
Nota: Clicar sobre o título para aceder a informação sobre o evento.
Publicada por Rui @t Blog em Terça-feira, Fevereiro 14, 2006 4 comentários Hiperligações para esta mensagem

O tempo corre qual vento no deserto procurando varrer as memórias que obstinadamente teimam em ficar e as dunas tomam a forma de cada mulher que conheci num namoro constante que só o silêncio conhece.
Publicada por Rui @t Blog em Terça-feira, Fevereiro 14, 2006 3 comentários Hiperligações para esta mensagem
De acordo com uma notícia de um jornal diário, o PSD-Madeira solicitou a avaliação das faculdades mentais do deputado do PS, João Carlos Gouveia, na sequência da intervenção deste deputado na Assembleia Legislativa da Madeira, na qual teceu fortes críticas ao executivo e ao sistema judicial madeirenses, afirmando que reina uma oligarquia criminal na Madeira e que existe uma usurpação do poder democrático, fora do controlo constitucional, à margem da lei, sobrepondo-se aos diferentes órgãos de soberania.
Não me importa se aquele deputado é do PS, do PSD ou de qualquer outra força partidária. Importa-me sim que alguém, sem rodeios nem meias palavras e aparentemente sem qualquer compostura de influência, de dedo bem esticado no apontar a quê e a quem, diz o que pensa e dispõe-se ao julgamento público por isso.
Importa-me sim, relembrar quando os políticos eram homens (e mulheres também) e em que isso significava honra e discernimento e em que a palavra se sobrepunha a interesses circunstanciais.
Solicitar a avaliação das faculdades mentais a quem, de alta e boa voz diz o que pensa e o que se passa (supondo a validade das acusações, baseada em factos concretos) é solicitar a avaliação das faculdades mentais de um povo que suporta gente há anos situações que em nada dignificam a classe política nacional nem aos que os sustentam.
De facto é preciso não estar bom da cabeça para alimentar algumas situações.
Publicada por Rui @t Blog em Quinta-feira, Fevereiro 09, 2006 4 comentários Hiperligações para esta mensagem
Um dia, era eu pequeno, um homem bateu à porta de minha casa durante a hora do almoço, mendigando um pouco de pão.
Havendo comida sobre a mesa, o meu pai mandou-o entrar e comer, não apenas pão mas que partilhasse da restante comida que lhe serviria num prato como aos demais.
Ele recusou o prato e o copo de vinho que lhe estenderam os meus pais, justificando-se com a tuberculose de que padecia e do receio de contaminar quem lhe dava de comer. Era a doença que o impedia de trabalhar e de ganhar o sustento.
O meu pai disse-lhe que comesse sem receio à mesa de quem já tivera a mesma doença e que saberia como proceder, pela experiência do passado.
Resignado e mais confiante o mendigo saciou a fome e a sede, sobre aqueles gestos dignos de inspirar a mais solidária das eucaristias e onde qualquer mendigo era elevado à condição de apóstulo numa religião anónima de solidariedade. Mistério, quem sabe, da fé ou da fraternidade.
Hoje já não tenho o meu pai, mas guardo esta recordação dele, daquela situação e do pão e os mendigos continuam a bater à porta de cada um de nós.
Este post vem na sequência da leitura do post "recordação viva de mendigos" no blog "Arde o Azul", cuja consulta recomendo.
Publicada por Rui @t Blog em Quarta-feira, Janeiro 25, 2006 11 comentários Hiperligações para esta mensagem
Amanhã é dia de eleições presidenciais. Durante estes dias tivémos a oportunidade de assistir ao desfile de candidatos, em postura mais ou menos solidária, qual enlutados num funeral da vaidade, certos no amanhã, do mesmo milagre que ressuscitou Lázaro, para voltarem à cimeira dos castelos e palácios, ciosos da distância que preferem manter no dia a dia, dos que os alimentam e servem, em vez de serem servidos.
Foram beijos nas faces crispadas de peles sem hidratantes, foram apertos de mão e abraços a corpos vergados pela vida dura, com os membros doridos pelo esforço constante da subsistência.
Foram risos e cantares, ao som de flautas mágicas, onde em magotes se procuravam alucinar numa caminhada para a terra dos sonhos, meio embriagados nos almoços e jantares que chegaram aos corpos, cada vez mais distantes das almas.
Mas passado o desfile dos candidatos, faça-se o balanço das dúvidas e das certezas:
À parte do doce direito que a liberdade e a democracia preserva para os eleitores para escolherem, não encontrei respostas claras para as perguntas que deveriam orientar o voto.
Na incerteza quase certa, será que continuarei a ver a Justiça indexada ao porte financeiro, a administração das empresas públicas no rol de jogos políticos, a Saúde em distrações irresponsáveis e a Educação em exercícios de gente inculta e pouco interessada no futuro deste país ?
Tudo isto sancionado em magistraturas do faz de conta, dos favores e da irresponsabilidade das influências mornas do caldo político onde todos se saciam e alimentam ?
Publicada por Rui @t Blog em Sábado, Janeiro 21, 2006 3 comentários Hiperligações para esta mensagem
Descalço, como que abafando o som dos passos no etéreo, avanço quase a medo, passo a passo em direcção à porta que me separa do outro lado do mundo.
Rodo a fechadura, num teclear de acasos e deixo-me levar num labirinto de valores, onde autores incógnitos passam lentamente a condição de anonimato em passos de magia de luz e de cor, qual campo verde onde factos e opiniões ondulam suavemente ao sabor do tempo, e onde apenas alguns ousam sobressair.
Assim é de facto, quando a luz e a cor se misturam em tons de poesia que nos transportam além da vontade.
Assim é "Maat" no seu "Arde o Azul", onde tudo se mistura numa simbiose doce, qual mistura cordata dos estados da matéria.
Nota: O autor não autoriza a reprodução total ou parcial da imagem exposta, excepto pela visada no artigo.
Publicada por Rui @t Blog em Segunda-feira, Janeiro 16, 2006 3 comentários Hiperligações para esta mensagem
Sempre tive comigo este defeito de querer saber mais e mais, sem que para isso me tenha lançado em estudos ou leituras, dignos de outros que nisso admiro.
O que aprendi, muitas vezes nem sei como, nem onde, pois frequentemente tive a intuição e a atenção por companheiras, em lições que a vida me foi lançando ao caminho.
Assim, e sem saber porquê, alguns temas me têm soado à memória como que lembrando-me insistentemente para ir ver e aprender, umas vezes seguidas de um desinteresse igualmente súbito, outras para me revestir das roupagens que o crescimento obriga a renovar em chamamentos mais ou menos compreendidos numa descoberta do dia a dia.
É um exemplo disto a "Maçonaria" e "Rosacruz". Não sei bem o que é, nem para que serve exactamente, nem o que as diferencia. Nunca estive intimamente ligado a nenhuma delas, nem cresci em meio ligado ao tema, mas curiosamente os nomes sempre me soaram familiares e continuo na mesma ignorância.
Se nada acontece por acaso, algum sentido deve ter.
Se aprender não faz mal, algo deve ter para ensinar.
Não sei, sei que não sei, mas sei que não saber é a principal razão para aprender.
Publicada por Rui @t Blog em Segunda-feira, Janeiro 16, 2006 6 comentários Hiperligações para esta mensagem
Ando, caminho, e já não corro.
Os pés doem-me e sigo uma viagem a sós,
Olho e conto as pedras que piso a custo,
Umas trazem as outras em voz de coro,
Castigando o curso por onde vou,
Ando, caminho, mas não sei onde estou.
Publicada por Rui @t Blog em Segunda-feira, Janeiro 16, 2006 3 comentários Hiperligações para esta mensagem

J'écoute le vent,
Et il me dit souvent
Que tu n'es plus là,
Donc je m'aperçois
Que tu es partie,
Et la lumière de la nuit
Se finie calmement,
Et nous pleurons souvent,
Moi, toi et le vent.
O autor não autoriza a reprodução total ou parcial da imagem aqui exposta.
Publicada por Rui @t Blog em Sexta-feira, Janeiro 06, 2006 4 comentários Hiperligações para esta mensagem

10 ... 9 ... 8 ... 7 ... 6 ... 5 ... 4 ... 3 ... 2 ... 1 ... 2006
Os últimos momentos foram rompendo-se como fios de seda do casulo formado pelo ano que se extinguia como a luz da derradeira vela no altar dos deuses.
Um corpo ora disforme foi emergindo na conformidade da sequência do tempo e as asas foram estendendo-se para abraçar todo o ar que o peito era incapaz de conter, enquanto nas veias o leite e o mel procuravam recuperar uma nova vida ainda por inventar.
Finalmente o tempo chegou no momento em que os olhos voltaram a abrir-se para olhar o horizonte onde a alma já esperava pelas asas que partiram num novo vôo.
Publicada por Rui @t Blog em Domingo, Janeiro 01, 2006 6 comentários Hiperligações para esta mensagem
Não queria fechar este capítulo anual sem primeiro fazer o balanço de 2005 neste espaço etéreo em que nos encontramos, qual 5ª dimensão de sentimentos que se embrenham à velocidade do pensamento.
Tudo começou numa incursão quase a medo, acabando numa cavalgada quase desenfreada.
Assim, resolvi destinar alguns destes résteos minutos do ano cessante para os dedicar aos espaços que durante este ano, romperam com a minha relutância à escrita e à criação de algo de novo, quais agentes de conversão a um qualquer credo adormecido.
Cobre & Canela:
Este foi de facto o espaço de onde emergiu quase que involuntariamente o Sombra do Deserto. Visitei-o sob sugestão da Sandra, autora exímia numa arte, onde sendo mestre, se toma como aprendiz. Dificilmente se encontra neste espaço, algo que não esteja escrito com um sentimento forte, algo que não nos surpreenda.
Em suma: Tenho orgulho do trabalho que a Sandra fez.
Riso Cor de Tejo:
Embora o tenha descoberto por contágio, através do Cobre & Canela, este espaço, tornou-se uma visita habitual e constante. Adora-se tudo ou quase tudo o que ali se encontra e confesso-me admirador devoto. Num só recanto, encontramos inteligência, arte, sensibilidade e sentido a tudo o que as palavras permitem.
Em suma: Tenho uma admiração imensa pela Risoleta.
Arde o Azul:
Reconheço que este, foi um dos encontros mais surpreendentes que tive, e que ainda estou em fase de digerir. A empatia de gostos e de afectos, electriza-me a cada encontro, que na frequência, faz parte de uma peregrinação diária, em crescendo exponencial de admiração.
Em suma: Adoro este blog.
As Romãs de Paula:
É no mínimo impressionante, a capacidade e a fertilidade na criatividade poética que se encontra neste espaço, que encontros me fizeram descobrir. Dificilmente tão poucas palavras são misturadas com tantos sentimentos que nos impressionam e deliciam, transportando-nos num carrocel de imagens.
Em suma: A Paula escreve como um vulcão em plena actividade.
Estes foram este ano, os meus espaços de eleição que numa atenção quase religiosa, também me mantiveram neste meu espaço ao longo deste tempo, além de outros afectos, não menos importantes de outros leitores, a quem presto igual atenção.
A todos vós eu marco encontro para 2006, arrogando-me o desejo sincero de vos reencontrar.
Obrigado.
Em resposta à questão que alguns já me colocaram sobre o encontro da irmandade blogueira, acho uma excelente iniciativa, que apoio convictamente. Contudo não estarei presente, remetendo-me teimosamente à sombra anónima de um deserto qualquer.
Publicada por Rui @t Blog em Sábado, Dezembro 31, 2005 9 comentários Hiperligações para esta mensagem
Foi assim o meu Natal, que o Pai Natal se dignou a enfeitar com a árvore que fui plantando e cuidando ao longo dos tempos.
Coloquei a árvore num vaso de companhia dos mais próximos, encimada pela estrela de pouco mais de 2 anitos que diariamente me encanta ao som do 76º aniversário da minha Mãe.
Até os ausentes se fizeram sentir, num permanente sentimento de saudade.
Desenhou em cada bola, a face de cada um de vós dos que tornam a minha vida mais colorida e acendeu velas com o calor que alguns de vós me dão nos momentos mais difíceis.
Juntou os ramos com as fitas brilhantes que nos unem e prendeu com pequenos presentes que vocês me dão, em tudo o que me dizem.
Assim, o meu Natal foi mais bonito e colorido, como o melhor dos Natais e o Pai Natal fez-se representar por cada um de vós.
Obrigado e um Feliz Natal para todos.
Publicada por Rui @t Blog em Domingo, Dezembro 25, 2005 5 comentários Hiperligações para esta mensagem
Querido Pai Natal, eu não sei se existes nem onde moras, por isso escrevo-te sem endereço, na esperança vã que venhas a ler a minha carta.
Dizem que andas muito ocupado, sei lá, talvez também andes em campanha eleitoral à presidência dos Pais Natal, pois andam por aqui outros, que embora se pareçam mais com as renas, também fazem promessas de melhores Natais no futuro, embora no passado, só tenham dados prendas aos que se têm portado mal.
Eu queria pedir-te muito pouco para mim, talvez um Natal com as pessoas de quem gosto à minha volta, pois as outras por vezes é mais fácil não as ver, bastando apagar a televisão.
Pai Natal, como dizem que é época de crise, e como talvez a sintas também na compra de presentes para todos, ou quase, pois há muita gente que merece e não os tem, eu quero fazer-te uma sugestão que talvez ajude a resolver o problema e assim todos ficariam contentes.
Proponho-te que comeces por cima, quer dizer, com os nossos governantes, por exemplo a reduzir o número de ministros, de secretários de estado, de sub-secretários de estado, etc. Assim, com menos ministros para receber, já o senhor Primeiro-ministro tem mais tempo para pensar bem no que anda a fazer, com menos secretários e sub-secretários, já os ministros têm mais tempo para ouvirem as pessoas que eles representam, para saberem o que devem fazer, pois às vezes vê-se mesmo que não sabem do que estão a falar, e com isto tudo era dinheiro que se poupava para verdadeiros presentes para todos.
Como a maior parte das pessoas nem anda de avião, também podes converter o dinheiro do novo aeroporto em hospitais bem equipados, esses sim, já seriam usados por todos e esse era mesmo um grande presente. Também podias desistir do TGV (quer dizer Tontaria a Grande Velocidade) que poucos vão usar, para dar dinheiro às instituições que cuidam dos meninos abandonados ou que são mal tratados ou ainda dos avós que não têm ninguém que cuide deles para que possam viver com dignidade. Eu sei que vais ter dificuldade em explicar a palavra "dignidade" às pessoas com quem terias de falar para fazer isto tudo, mas mesmo assim tem de ser.
Também podias ajudar os senhores que tratam das prisões e que se queixam muito das condições. Olha é fácil, pegavas nos presos todos e punhas-os a trabalhar nos campos, nas serras, a fazer estradas, escolas, hospitais, etc. e só à noite é que voltavam para as prisões, e olha que vinham tão cansados que até iam gostar do sítio onde dormem. Durante o dia, também podias pegar em muitos senhores que vemos quase todos os dias na televisão e mandavas-os para as prisões trabalhar para as melhorar. Assim todos faziam algo de útil e até podias usar aqueles que estão muito aborrecidos e com sono na Assembleia da República, por não terem nada de fazer.
Olha Pai Natal, até podias ajudar aqueles senhores que são acusados de pedofilia. É assim, se eles forem mesmo culpados, quer dizer que gostam mesmo de criancinhas, então ofereces um Pinóquio com um nariz bem grande a cada um deles e quando vieres a minha casa eu digo-te o que fazer com o Pinóquio àqueles senhores.
Pai Natal, no outro dia fiquei muito triste com a última viagem do nosso submarino que já tem 30 anos, e por causa disso encomendaram dois novos submarinos. Já viste que não aproveitaram a última viagem do submarino para o afundarem com muita gente que anda por aí, cheia de prendas que não mereceram ou as roubaram aos outros ? Pode ser que o venham a fazer com os dois submarinos novos, mas acho que ainda vai faltar muito tempo. Há quem ache que podiam usar o dinheiro para outras coisas mais úteis, mas depois, como faziam se nos atacassem ? Se calhar os submarinos até são importantes para alguns dos nossos políticos se esconderem de vergonha nas profundezas, não do mar, mas do inferno.
Tu, Pai Natal, que já estás habituado a voar no teu trenó, tens de ter cuidado, sobretudo no Verão, não vás chocar com os aviões e helicópteros que andamos a alugar para apagar os incêndios. Vê lá tu, que algumas pessoas até acham que nós também devíamos comprar aviões para apagar incêndios. Para quê, Pai Natal, se até existem alguns senhores simpáticos e sempre disponíveis que tratam de tudo, desde a colocar os incêndios até a alugar os aviões para os apagar.
Bom, meu querido Pai Natal, para que não aches esta minha carta muito comprida, eu vou resumir o que eu queria como prenda de Natal. Queria que pegasses em todos os filhos da mãe que andam a infernizar este mundo e nas suas obras e exércitos e os transformasses em comida, água, cuidados médicos e bem estar para todos os meninos, idosos e pessoas boas que existem, e já sabes, se precisares de ajuda, conta comigo, isto se tiveres lugar no teu trenó.
Teu amigo,
Rui
Publicada por Rui @t Blog em Sábado, Dezembro 24, 2005 1 comentários Hiperligações para esta mensagem
Recebi há dias um pequeno postal de Natal, supostamente da autoria do meu filhote de pouco mais de dois anos, sem dúvida com o auxílio precioso da educadora no infantário.
A verdade é que raramente se consegue definir o Natal de forma mais completa, como quando se usam as palavras das crianças, que aqui vos transmito e partilho.
Natal é uma menina,
que me vem dar a mão.
Natal é o Pedro e o João.
Natal é dar um beijo,
pela manhã ao pai e à mãe.
Natal é dar amor a quem
o quer e não tem.
Natal é lá na escola,
quando todos dão as mãos,
abrem a sacola e repartem
o seu pão.
Natal é ÀÀÀ, III, óóó.
Natal é não estar lá.
É estar aqui e não estar só.
Publicada por Rui @t Blog em Segunda-feira, Dezembro 19, 2005 3 comentários Hiperligações para esta mensagem
Existem histórias que se fundem na imagem de um conto, mesmo que esse conto relate a realidade.
Um olhar atento decorava aquela carita de olhos precoces, onde a atenção a tudo o que o rodeia mal servia para saciar a sede de tudo o que a vista alcança.
Eram tempos em que as ruas e estradas se confundiam com lugares de brincadeira, à míngua dos escassos automóveis que quase envergonhadamente se atreviam nos espaços e vielas do bairro, onde tudo e todos se conhecem mutuamente. Era neste espaço que aquela e outras crianças partilhavam brincadeiras e risos, sob o olhar cúmplice das mães que trocavam cuidados entre todos.
Entre jogos e corridas, aquele menino atrevia-se nas incursões nas ruas e recantos numa descoberta constante de espaços e de novidades.
De repente, quase como que por magia, cuidadosamente empilhados, uns quantos pinheiros, tão pequenos quanto ele, estão quase que envergonhados, lado a lado, num abraço fraternal como os que ele gostava de sentir. Não sabia como tinham ido parar alí, bem próximo da mercearia onde a sua mãe costumava ir. Não percebia qual o sentido de pequenas árvores que costumava ver no pinhal, que julgava ser de todos, irem para às ruas, aparentemente abandonados, à espera que algumas pessoas lhes pegassem, quase sempre com um sorriso nos lábios para os decorarem com requintes multicores, quase sempre acompanhados de presépios mais ou menos encenados, que ele se habituara a ver nas casas dos amigos com os olhos arregalados.
Assim, aquele aventureiro de poucos anos arma-se de um andar discreto mas decidido e decide-se pela indecisão até chegar a casa entre dois dos mais formosos pequenos pinheiros que segura nas duas mãozitas que a custo os arrastam. Naquele ano também a sua casa iria ter um pinheiro de Natal.
Chegado a casa, concluiu a sua escolha do pinheiro da sua preferência, que decidiu esconder debaixo da cama para surpreender os pais, remetendo o outro para aquele idoso que ele conhecia vagamente e que o vinha secundando nos passos, perguntando-lhe onde fora buscar os pinheiros. Contente e feliz, partilha com ele aquele pinheiro, enquando de dedo esticado aponta onde o idoso poderia buscar mais se quisesse, eventualmente para dar a outras pessoas, que como ele, nunca tinham tido um pinheiro de Natal. O idoso aceitou o pinheiro afastando-se em direcção aos restantes.
Surpreendida e visivelmente preocupada, a mãe obriga-o quase ameaçadora, a dizer onde tinha ido buscar aquele pinheiro. Inocente e frustrado, indica o local onde os pinheiros de natal se ofereciam a quem os quisesse. O caminho fez-se de volta, obrigado, de novo com o pinheiro que adoptara diante do ar zangado da mãe, numa atitude que não compreendia. Ali estava de novo o idoso que antes vira e a quem não entendia porque a mãe lhe pedia desculpa, enquanto o açoitava por uma culpa que não conhecia.
Entre as lágrimas, a dor mais forte era a de não compreender, porque não tinha ele um pinheiro de Natal como as outras crianças ? Afinal de quem são os pinheiros que ele costuma ver nos pinhais ?
Resignado, esperou mais uma vez por aquele dia mágico em que de manhã bem cedo iria à cozinha buscar o brinquedo que o menino Jesus lhe teria deixado, mesmo que fosse sem árvore de Natal nem presépio, mesmo sem festa e sem a família reunida, apesar da sua mãe fazer anos naquele dia.
Entretanto e sem resposta às perguntas que não fizera, um dia chegou a casa, onde surpreendido, encontrou um pequeno pinheiro que se esforçava para brilhar num pose de vaidade, com serpentinas de brilhantes e bolas de várias cores com que a sua mãe enfeitara, que apesar do esforço já não lhe fazia arregalar os olhos, embaciados por tudo o que não compreendia.
Publicada por Rui @t Blog em Sábado, Dezembro 17, 2005 2 comentários Hiperligações para esta mensagem
A sombra teima em seguir os passos, cada vez mais compassados com o cansaço. O sol e a chuva guerreiam-se pela liderança dos dias e o vento e o pó juntam-se-lhes no endiabrar das horas.
Carrego nos braços um album de fotografias onde as pessoas ganham vidas novas, trocando-se nos planos da imaginação e da lembrança.
Vejo-te nelas numa imagem a preto e branco esfumando-se em positivos e negativos condenados ao passar dos tempos, em que a lembrança se torna cúmplice da sombra que se projecta no caminho, qual mensagem que não se apaga na memória, num repetir constante:
- Se eu cair, não me levantes, se quiseres que seja meu o teu caminho;
- Se eu tiver fome, não me dês a comida que me queiras cobrar;
- Se eu tiver sede, não me dês de beber a água que não é tua;
- Se eu sofrer, não me consoles, se assim me queres comprar a alma.
A caminhada continua, dia após dia, duna após duna, onde o caminho a custo segue a lineariedade da alma. Na areia, o caminho andado deixa a mensagem "quando te lembrares de mim, verás na fraqueza dos que se quedam, a fortaleza dos que caminham".
Publicada por Rui @t Blog em Sábado, Dezembro 03, 2005 5 comentários Hiperligações para esta mensagem
Ontem, após ter ouvido na rádio os comentários de uma qualquer organização de carisma ético e religioso, que se afirmava contra a criação de embriões como fonte de células estaminais, mesmo com fins medicinais, imaginei como seria usar in-extremis, alguns argumentos sobre a preservação da vida.
“Acordo cedo e ainda estremunhado, sigo a peregrinação diária à casa de banho. Acabo de evacuar e numa devoção inabalável, apanho todo aquele esterco cheio de matéria viva (sim, porque as bactérias também são seres vivos) e coloco-o cuidadosamente no quintal, no pouco espaço livre deixado pelos dias anteriores.
Faço a barba, mas recuso-me a lavar os dentes, com receio de aniquilar as pobres bactérias que me profanam a placa dentária. Até parece impossível como numa universidade portuguesa, pretendem criar uma vacina contra as bactérias que provocam as cáries. Cambada de assassinos.
Reduzi o pequeno almoço ao leite com café e o pão foi deixou de levar fermento, pois para quem não sabe, a fermentação baseia-se no trabalho desenvolvido por bactérias.
Está a chover, descalço-me e saio num bailado cómico para evitar pisar aquelas poças de água preciosas cheias de vida microscópica. Sim porque o tamanho pequeno não retira a dignidade e eu que o diga, pois apenas meço 1,69 m.
A custo lá cheguei ao carro e em ziguezaques conscientes sigo o caminho pelos pedaços secos da estrada.
A entrada no escritório é atormentada pela senhora da limpeza, que com ar cúmplice e criminoso, atira a sua fúria contra os pobres ácaros que angelicalmente povoam tapetes, cadeiras e sofás. Tanta maldade meu Deus, que aquela pobre mulher tem de expiar.
Chega a hora do almoço e numa fé que não desiste, renunciei ao habitual pernil assado no forno com batatas fritas e ao peixe cozido com todos. Só os nomes, exalam criminalidade. Sim porque, ao menos podiam ter chamado “membro inferior do porco, sujeito a temperatura mais elevada, com batatas passadas com óleo aquecido” ou “peixe mergulhado em água agradavelmente aquecida acompanhado com alguns legumes e batatas igualmente aquecidas”. Acabei por comer meia salada, ou melhor, partilhei a outra metade da salada com a pequena mas venerável lagarta que piedosamente devolvi ao jardim mais próximo, perante o ar estupefacto dos demais clientes. A sopa de legumes (que outra poderia comer ?) acabou por ser recusada, perante o crime que os cadáveres dos minúsculos seres a boiar denunciavam. A refeição terminou com um inocente café.
Terminado o dia de trabalho, o regresso a casa fez-se cheio dos mesmos cuidados da ida, agora mais carregado das fezes fielmente recolhidas durante o dia, para então as depositar junto das matinais. Quase podia ouvir o contentamento dos microorganismos que populavam a área de despejo.
Durante o jantar, tipicamente vegetariano, assisto a um telejornal que mais me enerva sobre crimes horrendos como a pesca e a caça. Como é possível matar tanto ser vivo, mesmo com a desculpa de alimentar muita gente. Como não fazem como eu ?
E ainda por cima, pretendem criar embriões ? Mesmo que sejam apenas dezenas ou centenas de células ? Nunca. Resignem-se ao que Deus criou. Deus sabe o que faz concerteza, pois até me criou a mim.
E nem falemos em abortos, nem que se tratem de fetos com dias ou mesmo horas de vida. Nada deve destruir o que Deus criou. Se tiverem de sofrer, pois que sofram, pois sempre ouvi dizer o senhor padre que sofrer purifica a alma e que Cristo também disse 'venham a mim, os que sofrem'.
Hoje calhou a dormir sozinho, porque a minha mulher foi visitar os pais. Ainda bem, não fosse ela querer que eu condenasse à morte alguns espermatozóides, o que para mim estaria fora de causa. Já basta a insistência dela em limpar a casa, numa orgia satânica contra as bactérias, vírus e ácaros.
Até o pediatra do meu filho participa na conspiração anti-vida quando receita antibióticos, quais bombas de napalm e até essas já foram proibidas. Claro que como tudo na natureza, aqueles seres minúsculos também se vingam, claro, e as bactérias multi-resistentes que o digam.
Matar, nunca. Mantenho-me numa fé firme e hirta, como uma pedra num imensa pedreira cheia de calhaus esclarecidos e conscientes como eu”.
Publicada por Rui @t Blog em Sexta-feira, Dezembro 02, 2005 2 comentários Hiperligações para esta mensagem
Os dedos calcorrearam o teclado, marcando um qualquer número desconhecido ditado pela ânsia só permitida quando a ligação se estabelece baseada em convicções ou falta delas quando apenas se ouve a própria voz do outro lado.
Éramos alguns, decerto muitos e talvez muitos mais, os que em línguas, dialectos, linguajares e intenções nos precipitávamos para ouvir quem atendesse, ora em chamamentos, ora em orações de gente apinhada em credos que ora unem irmãos, ora afastam infiéis.
Em anonimato de silêncio, encontrei a minha voz junta aos ouvidos atentos às respostas para as perguntas que ousara colocar:
- Porque sofrem as crianças, idosos e mendigos, às mãos dos que os deviam cuidar ?
- Porque matam, os assassinos, inocentados nas inércias das nações ?
- Porque acusam, os que são culpados, amnistiados nas cumplicidades dos políticos ?
- Porque guerreiam, os que os inocentes não satisfazem com as suas vidas e o seu sangue ?
- Porque roubam, os que já muito tendo, apenas partilham a má sorte ?
- Porque têm fome, os que servem a fartura ?
- Porque proclamam humildade, os que se fardam na opulência ?
- Porque rezam os infiéis ?
Terá respondido Deus, em palavras facilmente entendidas por quase todos à minha volta, cristãos, judeus, muçulmanos, hindús, budistas e outros crentes que em clamores de entendimento, remeteram ao silêncio o meu sentimento de não ter compreendido as respostas.
Publicada por Rui @t Blog em Quarta-feira, Novembro 30, 2005 1 comentários Hiperligações para esta mensagem
Faz hoje um mês que publiquei o último artigo. Faz hoje um mês que o vazio tomou a forma da incapacidade de dizer e escrever algo com sentido, qual final de viagem que termina num adormecer que não dá descanso nem quietude.
Foi longa a viagem após ano e meio, e duros os dias e as horas que se sucederam em catadupas de episódios onde não faltou a solidão, o sofrimento e a má vontade que caracteriza os que angelicalmente infernizam a vida a quem por vezes tanto devem.
Foram tempos, onde a ignorância dos factos condecorou falsos juizes, mais apressados em acusar que julgar, em orgias de maldade.
Foram tempos, onde apenas a dignidade e a hombridade renitentes, sustentaram intransigentes, cada momento para dar lugar ao seguinte, sempre igual ao anterior.
Foram tempos onde conhecidos, amigos e inimigos se denunciaram em quem se alheou, em quem acompanhou e em quem virou as costas.
Relembro com apreço alguém em particular que em face dos anos convividos, não hesitando se colocou ao lado, confiante no discernimento que o mérido demonstrado durante anos, não permite duvidar aos que premeiam os mesmos princípios de justiça, que apenas a afinidade de cunhado, me impede de chamar de irmão, de quem, fartos ensinamentos o destino me concedeu.
Resta portanto, deixar que o pó que por despeito outros levantaram, assente, sepultando os acólitos do mal, tornando mais fértil o caminho por onde a dignidade caminha.
Resta portanto, deixar aos deuses a justiça que os homens não sabem fazer.
Dedico este artigo ao meu cunhado, com quem tenho a honra de partilhar uma profunda amizade e princípios de vivência e com quem tenho aprendido muito ao longo destes anos, tendo-se tornado para mim, uma referência de dignidade e de justiça. É de facto, e tem sido, uma das pessoas mais importantes na minha vida e de quem mais gosto, o que espero, se venha a estender ao meu filho, como eu gosto do meu sobrinho.
Obrigado Anselmo, fizessem os deuses de ti, o irmão que eu gostaria de ter.
Publicada por Rui @t Blog em Sexta-feira, Novembro 25, 2005 3 comentários Hiperligações para esta mensagem
Hoje levei a minha mãe para o lar.
Hoje os muros cairam e as portas franquearam-se às dunas dum deserto imenso que pouco a pouco toma conta de tudo à sua volta.
Hoje as hienas não gritam, dormindo onde os leões se deitam.
Hoje os sinos não tocam, e as beatas lançam penas de neve sobre as fogueiras, cansadas da ronda das bruxas.
Hoje descansam os que se quedaram e quedam inquietos os que não se tolheram.
Hoje a noite é calma e o silêncio deixa ouvir o bater dos corações.
Porque hoje não há luar.
Porque hoje levei a minha mãe para o lar.
Publicada por Rui @t Blog em Terça-feira, Outubro 25, 2005 4 comentários Hiperligações para esta mensagem
O despertador teimosamente assinala a sua presença, sem dar ares de desistir do seu intento. Como são insistentes estas pequenas criaturas sem vida, como se fossem suportadas em necessidades de auto-flagelação.
Os olhos teimam-se-lhe em não se abrirem para mais um dia igual a tantos outros, mas em que ser diferente nem sempre significaria ser melhor ou mais agradável. O corpo, a mente e a alma juntam-se sindicalmente na inércia de não acordar, enquanto os pés num esforço insuportável os remetem para o início da alvorada.
A saída de casa faz-se repetidamente em jejum na breve caminhada à casa da mãe, num acto devoto de fé inabalável. Encontra-a na cama, qual bela adormecida, onde a beleza daquele altar foi condensado no sorriso matinal de o rever, como se tivesse terminado o mais injusto dos degredos.
Ajuda-a a levantar-se e enquanto descobre entre fraldas e mudas de roupa, cuidados dignos do mais frágil dos seres. Assim, entre trocas de sorrisos cúmplices, os escrúpulos apenas decoram o saldo ainda grande, da dívida que nunca poderá pagar do carinho que outrora recebeu do mesmo modo.
Prepara-lhe o pequeno-almoço que decora com os fartos medicamentos e repetidas recomendações que a fraca memória teima em ignorar, a que junta o telefone na proximidade à espera de contactos que nunca chegam.
Troca a roupa da cama e lava a pouca loiça, como se quisesse apagar o testemunho da refeição anterior e sai com a mesma ligeireza com que entrou, depositando um beijo de oração, como se aquele ou outro qualquer pudesse ser o último num jogo de sorte e azar que não controla.
O dia decorre no temor ao toque do telefone, onde olhares furtivos acompanham anseios de aquele número familiar não aparecer no pequeno ecrã, pois seria sinal de que algo acontecera e que uma vez mais iria de urgência assistir à mãe após uma queda, rezando para que não tivesse o resultado mais temido.
Findo o dia, quando a Lua veio fazer o render ao Sol que se manteve fiel à guarda àquele templo de fé, volta após viagem onde os olhos assistiram à revelia numa condução dificilmente cuidada pelo cansaço.
Os olhos dela iluminam-se como se tivesse regressado da mais longa das viagens e onde os minutos aspiraram à condição horária.
Encontra-a sentada à mesa que em parceria com a televisão a assistem quais companheiros fiéis durante todo o dia. Aquece o jantar que as senhoras da assistência ao domicílio numa mesma devoção prepararam, e enquanto a vê comer, os seus olhos levam a melhor num intervalo de sonolência a que se abandona por momentos de vigia para assegurar-se que aquele sustento cumpre a sua missão.
Finda a noite, os cuidados repetem-se entre fraldas, cremes e deposita-a suavemente sobre o leito que a acolhe num aconchego quase maternal e onde um beijo na testa sela a atenção mais filial.
- És o meu Anjo da Guarda. Diz-lhe ela com aqueles olhos pequenos e meigos, castigados pelos óculos que lhe levaram o brilho, que ela sabiamente guardou no sorriso que enfeita aquela face onde as rugas assumem o papel de pergaminhos na mais sábia das bibliotecas.
- Era bom era, se o fosse, mas não sou. Quem o é, é quem a tem salvo no hospital e quem a trata durante o dia. Eu não estou a fazer nada de mais. Responde-lhe ele com um sorriso franco, escondendo a emoção de gratidão a quem deve tanto.
Sai num adeus sempre incerto do que acontecerá a seguir, deixando a porta franca, para que qualquer pedido de ajuda permita a quem passe intervir e o chame no número que mantém junto ao telefone.
Caminhando ao som dos seus passos, a sua sombra denuncia-o no muro que o conduz, como se sentisse a sua própria presença. Sente a caminhada ligeira de um peso mais leve, como se a sua alma o fizesse flutuar e aligeirasse a carga ou alguém o ajudasse a caminhar. Continuamente descrédulo, vira-se teimando em não ver nem ninguém nem nada a não ser algumas penas caídas no chão que lhe traçaram o rasto.Volta a percorrer de regresso, aquele corredor estreito e interior onde apenas a Lua brinca com as poças de água no chão em reflexos de saudação que o olhar dele devolve em sinal de cumprimento e de gratidão aos deuses por se ter repetido mais um dia e mais uma vez aquele acto de devoção, lembrando-se das palavras da mãe, condimentadas pela recusa dele ao mais provecto dos agradecimentos.
Publicada por Rui @t Blog em Domingo, Outubro 23, 2005 3 comentários Hiperligações para esta mensagem
Apesar de não ser apreciador de futebol, confesso que o tema que aqui comento, me despertou especial atenção, senão vejamos:
Publicada por Rui @t Blog em Sexta-feira, Outubro 21, 2005 0 comentários Hiperligações para esta mensagem
"Atrás de nós virá quem pior fará"
É o que o povo diz, e confesso, com alguma razão. De facto quando ouvi a notícia de que foram gastos 118 milhões de euros na propaganda para estas eleições autárquicas, repito cento de dezoito MILHÕES de euros, fiquei estupefacto.
Significa que se formos 10 milhões de portugueses, convictos ou não, eleitores ou não, cada um de nós, contribuiu de forma directa ou indirecta, com pouco mais de 10 euros para a propaganda eleitoral destas eleições.
Eu gostaria de dizer que não contribui, mas que fui expoliado de pouco mais de 10 euros para uma campanha que me deixa triste com o que assistimos.
Será que todos os portugas que temos visto aos pulos com bandeiras de cores e sorrisos de quem lhes bate e gosta, a quem apenas a ausência do apêndice anal os distingue de cachorros a saltitar em redor dos donos, ansiando por alguns restos dos pratos, de preferência acompanhados de algumas festas, não têm a consciência de que cada um daqueles euros, ao fim e ao cabo são pagos por todos ?
Será que não têm a consciência de que quem contribui com dinheiros para campanhas, espera algo em troca, e normalmente muito mais, e sempre em prejuizo de outros ?
Será que aquele dinheiro não poderia ser aplicado em obras de valor inquestionável ?
Pensem nisso enquanto esperam nos hospitais durante o inverno e com o aquecimento desligado por falta de verbas.
Pensem nisso enquanto não recebem a devolução do IRS que lhes tarda.
Pensem nisso enquanto pagam o IVA ao Estado apesar dos fornecedores não pagarem.
Pensem nisso enquanto não sentem que têm direito tudo aquilo que a Constituição nos consagra, por falta de verbas.
Em que pensarão os que se abstiveram ? Talvez que não tenham visto alterativas credíveis. Talvez não sirvam meramente para avalistas de um acto eleitoral conspurcado. Talvez não sirvam para receber beijinhos, electrodomésticos, bonés ou até mesmo chouriços.
Pensem nisso,... ou até noutra coisa qualquer,... desde que pensem, já não é mau.
Publicada por Rui @t Blog em Segunda-feira, Outubro 10, 2005 1 comentários Hiperligações para esta mensagem
Sempre optei teimosamente e de forma quase fundamentalista pela isenção política e pela dolorosa mas reconfortante verticalidade de princípios.
Assim, e para desamparo de muitos, tem sido tarefa hercúlea para alguém, posicionar-me na geografia política.
Dizem que sou de esquerda se compreendo trabalhadores que decoram as mãos com os mesmos calos com que acariciam os filhos que fascinados voltam de escolas mal equipadas. Ou quando as atitudes de gestão se baseiam no estatuto social, varrido a desconhecimento do tecido produtivo que suporta a mão-de-obra deste país, em critérios que remetem ao anonimato de números aqueles pequenos grandes seres que diariamente sonham, trabalham, riem e choram como os demais.
Serei de direita quando acuso os baixos índices de produtividade ou algumas teimosias cegas sindicais, ou quando a mobilização das massas produtivas visam a melhoria conjunta de resultados.
Colocam-me ao centro quando, indecisos, os conceitos se misturam em atitudes de senso comum.
Posso ser o que quiserem, mas sei que uma coisa nunca serei, aquilo que os outros querem que eu seja.
Publicada por Rui @t Blog em Segunda-feira, Outubro 03, 2005 2 comentários Hiperligações para esta mensagem
"Mais vale tarde que nunca"
Hoje o Presidente da República, Jorge Sampaio, homenageou as 32 vítimas do tristemente célebre campo de prisioneiros políticos em Cabo Verde, o "Tarrafal".
Ora bem, 31 anos após o 25 de Abril, e lá encontrámos ocasião para a dita homenagem, isto para não referir, outras igualmente merecidas, a quem apenas a memória de alguns faz justiça.
Há 31 anos, que os mais altos dignatários da nação, democratas e socialistas ou comunistas, a cujos cargos ascenderam pelo evento que muitos acalentaram e poucos mereceram, não têm encontrado tempo ou agenda para a dita homenagem. Ou têm andado distraídos, ou as intenções sairam hoje defraudadas com a existência de ainda 4 sobreviventes que ao longo destes anos, têm guardado o seu testemunho em recantos de anonimato.
Eu penso que a primeira razão é a mais plausível, a avaliar pelo empenho absorvente com que se têm realizado outras homenagens e atribuídas condecorações a pessoas a quem 1974 não foi um ano grato, a exemplo Prof. Freitas do Amaral, Frank Carlucci e outros que a razão desconhece, não obstante o respeito que me possam merecer todos os homenageados, sem excepção.
Pois, mas o silêncio não cala a história, e como diria o outro "noblesse oblige".
Publicada por Rui @t Blog em Segunda-feira, Outubro 03, 2005 0 comentários Hiperligações para esta mensagem
Não vale a pena queixar-me, porque de facto a culpa é minha e só minha.
O culpado sou eu se o dinheiro não abunda, porque decidi ganhá-lo em vez de roubar, pois se cada carteira tiver 50 euros, basatava roubar 2 por dia para ter um bom salário.
Se não tenho mais tempo para o meu filho, a culpa é minha por não viver à custa do estado, como indigente ou outra modalidade qualquer.
Se me custa pagar o seguro do carro, o culpado sou eu, porque não aceitei o exemplo do gajo que veio de Angola, tem 3 moradas diferentes e conduz com um certificado provisório inválido porque nunca fez a inspecção anual do carro. E se foi preciso procurá-lo a culpa é minha porque não o acompanhei enquanto a polícia o detinha por excesso de álcool e pedir-lhe a morada quando um juiz qualquer o mandou embora.
Como sou culpado, se a minha mãe não tem nem apoio do estado nem lugar num lar decente, porque decidi não a desamparar, nem que me prive de algumas coisas, em vez de a abandonar para ela ter prioridade na Segurança Social.
Quanta a minha culpa, se decidi pagar sempre os meus impostos, em vez de seguir o exemplo de quem tem mais do que eu e ostensivamente se gaba de não o fazer.
Se este país não está melhor, a culpa é mesmo minha, porque duvido dos políticos, qual S.Tomé, em vez de me juntar a rebanhos de chapéu e bandeira na mão.
Se não sou famoso, nem apareço insistentemente na televisão, mais uma vez sou culpado, porque não me presto a audiências nem entrego o corpo ao manifesto ao sabor de padrinhos de qualquer lobby.
Quando me mostro insatisfeito com a falta de qualidade dos meios de comunicação, a culpa é minha, porque insisto em ser exigente quando sei que o país está em crise.
Quando digo que os nossos irmãos espanhóis estão melhores do que nós, eu devia ter vergonha na cara pela culpa que tenho de como qualquer outro, devo descender de um gajo qualquer que hà uns séculos trás deu porrada nos espanhóis.
Quando vejo malta de África nas esquinas do Rossio, claro que sou culpado, porque também devo descender dum gajo qualquer que também ia numa das caravelas que achou ter descoberto terras de África.
Se sou contra os roubos, culpa minha, pois é o meio mais rápido de transacção na economia nacional, enquanto eu devia privilegiar a performance de actuação.
Se a criminalidade e a violência aumentam, eu devia assumir a minha culpa, porque é o resultado da Sociedade em que vivemos, e eu faço parte dela, logo também sou culpado.
Se o ensino está pior, que culpado eu sou, porque também não sou professor nem ensino nada a ninguém, e se o desemprego aumenta, maior a culpa que tenho porque teimo em trabalhar, tirando o lugar aos outros.
Por tudo isto e muito mais, peço-vos desculpa, pois até pelo desperdício de tempo que dedicaram a ler estas linhas, eu sou culpado.
Publicada por Rui @t Blog em Sábado, Outubro 01, 2005 3 comentários Hiperligações para esta mensagem
Portugal, à semelhança de outros países, na sua maioria do terceiro mundo, continua a ser um palco de vaidades, para políticos, dos quais o discurso pouco varia e a credibilidade se vai dissipando num nevoeiro de falsa esperança, para um pouvo que ainda espera por D. Sebastião.
Mário Soares, do alto da sua provecta idade volta à carga da presidência da república, num altruísta sacrifício pela Nação cujo esforço exigido, condimentado com alguma idónea arrogância, lhe permitiria, quem sabe, espraiar-se naquilo que tanto gosta de fazer, viajar.
Cavaco Silva, o eterno pseudo-candidato à espera de concorrer quando não o tenha de fazer, isto é, quando saiba à partida que a vitória é certa. Entretanto vai mantendo a candidatura em banho maria, aquecido por uma fogueira de lições de uma cátedra oportunista.
Manuel Alegre, dos três, para muitos o mais inconstante e imprevisível, enquadra-se no trio como reduto dos que do centro à esquerda se prefilam e do clã Soares se sentem desamados. Cabe-lhe o merecimento de lisura numa candidatura a que poucos honestos de afoitam.
Dos demais candidatos, que outras venturas mobilizam, do Partido Comunista ao Bloco de Esquerda, movem intenções que a vitória não dará testemunho.
Publicada por Rui @t Blog em Domingo, Setembro 25, 2005 2 comentários Hiperligações para esta mensagem
"Adeus mundo, cada vez pior"
Acabo de saber que Fátima Felgueiras voltou, é recebida com aplausos de apoiantes, foi detida e enviada em liberdade até ao julgamento, o qual se realiza depois das eleições autárquicas na quais concorre para a Câmara Municipal da cidade com que partilha o nome.
É tão só mais um exemplo, como:
Publicada por Rui @t Blog em Quarta-feira, Setembro 21, 2005 3 comentários Hiperligações para esta mensagem
Há algum tempo, a impossibilidade de encontrar um lar para a minha mãe, em moldes financeiramente sustentáveis, levou-me a descobrir uma instituição IPSS (Instituição Pública de Solidariedade Social), neste caso a Santa Casa da Misericórdia da Venda do Pinheiro, para fazer face ao orçamento familiar limitado e à falta de vagas em lares com apoio da Segurança Social, designadamente no Lar da Santa Casa da Misericórdia de Mafra (única com lar na região mais próxima), local onde o internamento da minha mãe iria proporcionar as condições que ela desesperadamente necessita e onde eu igualmente poderia acompanhá-la e apoiá-la como sempre fiz e continuo a fazer, embora com enorme esforço.
Embora prevenido com comentários de amigos sobre a Santa Casa da Misericórdia da Venda do Pinheiro, foi grande a surpresa quando constatei o que alguns fazem por muitos, mesmo com o apoio de poucos.
Sempre pensei que as "Santas Casas" eram uma só organização, com largos proveitos directos ou indirectos, resultantes das receitas do Totobola, Totoloto e outros jogos de azar.
Com efeito, esta instituição desenvolve uma actividade que visa pessoas carenciadas das várias faixas etárias, desde crianças a idosos, contando para isso de vários profissionais e voluntários, que conjuntamente asseguram serviços de cuidados personalizados, que vão desde o acompanhamento e ocupação de tempos livres, até à higiene pessoal e cuidados de conforto, passando pelo tratamento de roupas, entre outras actividades de igual importância e utilidade.
Se me surpreendeu o âmbito da actuação da instituição, mais me surpreendeu o empenho dos profissionais e voluntários envolvidos face aos meios e apoios disponíveis. A exemplo, a forma cuidada e atenta com que tratam os idosos (e a minha mãe é uma das pessoas) e o benefício destes pela dedicação daqueles.
Apesar de o Estado (que na verdade somos todos nós, mas que apenas uns quantos administram) ter a co-responsabilidade em garantir aos idosos que estes tenham as condições necessárias a uma existência condigna, a verdade é que são instituições como esta, que a troco de nada ou por mera consciência social, operam verdadeiros milagres em situações que muitos teimam em ignorar, distraídos com os plantéis dos clubes de futebol e com as candidaturas à presidência da república de quem pouco ou nada se parece importar com as situações aqui em causa.
Por tudo isto e o muito mais que aqui não cabe em palavras, o meu obrigado, a minha admiração e a minha disponibilidade para com os que na Santa Casa da Misericórdia da Venda do Pinheiro e outras instituições congéneres, tornam a vida de muitas pessoas, mais digna e mais confortável. Para muitos eles são os amigos e a família adoptada, que diariamente lhes leva alimento para o corpo e para a alma.
Por tudo isto, vale a pena:
- Estimular as empresas a concederem donativos (existem benefícios fiscais para o efeito);
- Ser-se sócio daquela instituição;
- Contribuir com donativos ou bens que sejam necessários;
- Prestar todo o apoio e divulgar aquela instituição e a sua obra.
Publicada por Rui @t Blog em Sábado, Setembro 10, 2005 0 comentários Hiperligações para esta mensagem
Existem histórias que pela sua mensagem não deixam de nos emocionar, mesmo quando as lemos várias vezes. Esta encontrei-a por acaso num folheto espalhado sobre as cadeiras na sala de espera de um hospital.
Dedico-a aqueles que perante as dificuldades, não hesitam.
A carita colava-se ao vidro da montra, achatando o pequeno nariz. Os olhos reluziam enquanto percorriam os artigos expostos, numa escolha difícil, onde a beleza era o único critério de escolha para quem ainda não conhece o valor do dinheiro. As pequenas mãos de dedos finos e bem proporcionados, encostadas ao vidro, mais pareciam separar uma fronteira invizível mas relutante que a separava do desejo e a remetia à dura realidade.
Finalmente algo quebrou a escala da escolha adequando-se perfeitamente ao fim em vista. A beleza que um colar de turquesas finamente trabalhado irradiava, quase que apelava à escolha, sobrepondo-se na atenção daquela menina.
Decidida, uma figura pequena, entra na loja, aproximando-se do balcão que as pequenas mãos dificilmente alcançavam. As suas vestes eram modestas, anunciando no entanto o trato cuidado.
- Que queres pequenina ? - pergunda a face severa do ourives em trejeito descrente.
- Quanto custa aquele colar ? - questiona aquela pequena figura de ar decidido.
- Aquele colar minha filha, é muito caro. Porque perguntas ?
- Sabe, a nossa mãe morreu há um ano e é a minha irmã mais velha quem trata de nós. Ela é muito boa para todos nós e hoje faz anos. Aquele colar é da cor dos olhos dela e eu quero oferecer-lho porque acho que lhe ia ficar muito bem. Eu tenho um mealheiro e trouxe todas as minhas moedas - exclamou a garota, mantendo a decisão e colocando um pequeno molho de moedas sobre a mesa que guardava numa das mãos.
- Acha que chega para comprá-lo ?
No dia seguinte uma jovem, cujo cabelo emoldurava uma face morena onde dois olhos azuis acumulavam uma beleza invulgar, já garantida por aquela cara bonita.
- Diga-me por favor, este colar foi levado daqui ? - perguntou a jovem colocando um colar de turquesas sobre o balcão, ainda embalado pela embalagem tratada com cuidado.
- Sim minha jovem. Esse colar foi vendido ontem - retorquiu o ourives cujo ar severo da cara foi amaciado por um sorriso calmo.
- Mas como foi possível a minha irmã comprá-lo, se nós somos pobres e não temos possibilidades de o pagar ? Decerto houve algum engano. Peço-lhe que o aceite de volta.
- Queira desculpar, mas os negócios com os nossos clientes são da máxima confidencialidade e posso assegurar-lhe que tudo se passou com a maior honestidade - respondeu o ourives.
- Mas como, se a minha irmã apenas tinha algumas moedas ?
- Minha jovem, leve o seu colar. De facto esse colar é muito caro mas a sua irmã pagou o preço um preço justo por ele, pois deu tudo o que tinha.
Publicada por Rui @t Blog em Sábado, Setembro 10, 2005 0 comentários Hiperligações para esta mensagem
Acabei de me aperceber que o Prof. José Pedro Machado, meu ex-professor (se é que alguma vez um professor deixa de o ser e passa a "ex-") de Língua Portuguesa e de Francês na Escola Industrial Afonso Domingues (EIAD) faleceu.
De facto os blogs nem sempre trazem consigo as boas notícias, pois acabo de ter consciência disso, também num blog por onde deambolava calcorreando gostos alheios.
Junto de outras figuras, igual e discretamente ilustres, como o Engº José de Sousa Monteiro e Prof. Belarmino Barata, o Prof. José Pedro Machado marcou todos quanto tiveram a preciosa oportunidade de o conhecer.
Soubesse ele que a alma deste seu aluno ainda mantém aceso o amor pelos Lusíadas e a obra de Camões que ele me ensinou a ler e a interpretar.
Soubesse ele o quanto o recordo e guardo as lágrimas que partilhei quando dele me despedi no final do curso.
Não obstante ter sido referenciado como um dos seus melhores alunos, não esqueço particularmente o seguinte episódio.
Publicada por Rui @t Blog em Segunda-feira, Setembro 05, 2005 2 comentários Hiperligações para esta mensagem
Ao longo da minha vida, sempre me atrairam mais os números do que as letras, admirando nos primeiros a indiscutível certeza do que significam e reservando para os segundos a beleza das palavras e o fascínio de comunicar.
Assim, tanto por vocação (ou falta dela), como por inércia ou preguiça, foram e têm sido escassas as horas que dediquei à escrita e à leitura, tornando-me por natureza adquirida, alvo difícil e reticente de atrair a atenção nas letras e nas escritas. Não porque fosse conhecedor ou exigente sobre o que lesse, mas por negligente falta de vontade de o fazer.
Contudo, quando a Sandra me iniciou nos "blogs" com o seu "Cobre & Canela", deste por link, me reiniciei nas leituras, de forma mais assídua, agora no "Riso Cor de Tejo" da autora Risoleta Pinto Pedro, que as sortes nunca fizeram que conhecesse pessoalmente, embora tenha usurpado assento entre a sua legião de fãs devotos.
De facto, embora tenha chegado de maré ao blog da Risoleta, qual porta aberta, entrei e servi-me do que havia para ler sobre a mesa, sem que pedisse licença, pois que o que ali estava quase reclamava leitura a quem passasse. Sabe bem quando quem o fez, sabe escrever, pois assim as palavras escorrem suaves, onde as vogais e as consoantes dão as mãos, esquecendo que são diferentes e chegamos ao fim da leitura com um sorriso nos lábios, saciados de um sabor doce e calmo, como as águas do Tejo em dia de uma calmaria teimosa que apenas o voar das gaivotas se atreve a desafiar.
Textos e imagens, opiniões e sugestões se embriagam e oferecem ao leitor um templo de ideias e causas para continuar a ler e pensar.
Parabéns Risoleta e o link ao "Sombra do Deserto" no seu blog, me fez sentir com um valor premiado que a minha consciência me remete a não me rever merecimento. No entanto, com humildade lhe agadeço o apreço sentido.
Publicada por Rui @t Blog em Segunda-feira, Setembro 05, 2005 1 comentários Hiperligações para esta mensagem

"Aprendemos com o que está errado mas evoluímos com o que está correcto."
O autor não autoriza a reprodução total ou parcial da imagem aqui exposta.
Publicada por Rui @t Blog em Sábado, Julho 23, 2005 1 comentários Hiperligações para esta mensagem
Chove lá fora,
As gotas caiem precipitadas, como as palavras que te lanço,
O chão fica molhado como as minhas frases de mim,
E enquanto as nuvens passam e o sol demora,
O desespero pela luz, torna-se quase um pranto,
Ou será que chove dentro de mim ?
Rui @t Blog, 14-10-2002
Publicada por Rui @t Blog em Sábado, Julho 23, 2005 1 comentários Hiperligações para esta mensagem
Porque olho a lua,
E te busco uma e outra vez ?
Porque dizes o meu nome, senão me vês ?
Porque caminho,
Em caminhadas sós e loucas ?
Porque me chamas, se não me tocas ?
Porque escrevo,
Em mim, em ti, nas ruas e praças ?
Porque me amas, se não me abraças ?
Rui @t Blog, 20-10-2002
Publicada por Rui @t Blog em Sábado, Julho 23, 2005 0 comentários Hiperligações para esta mensagem

(Desencanto I)
As damas e os figurões assinalados
Que da anormal política Lusitana
Por votos quase sempre enganados,
Pousam santos, gente insana,
Em embustes e ganância esforçados
Mais do ousa a vontade humana,
E entre gentes crentes edificaram
Novos ricos, que tanto abastaram;
E também as cousas gloriosas
Daqueles que as posses foram dilatando
A Fé, o Ensino, e as artes viciosas
De todos nós andam devastando,
E alguns que por obras duvidosas
Se vão pela Morte doutros arrogando,
Cantando os vemos por toda parte,
Que a roubar os ajudam o engenho e arte.
Cessem do inglês e do americano
Os ataques aos povos que fizeram;
Cale-se do espanhol e do italiano
A fama das vitórias que não tiveram;
Que eu choro o peito luso insano,
No desprezo que aqueles mereceram.
Cesse tudo o que este povo não canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.
E vós, gentes minhas, pois criado
O sustento de tal vil gente ardente,
Se sempre em engano foi celebrado
O que àqueles foi dado tristemente,
Dai agora um som alto e enraivado,
E bani de vez tal fétida gente,
Por que de vossas bocas ordene
Os que a vossa dor diária condene.
Tende uma fúria grande e sonorosa,
Quais diabos afastados por arruda,
Numa atitude viril e belicosa,
Que o peito acende e a razão o gesto muda;
Nem estádios ou armas torne famosa
Esta gente que a sorte pouco ajuda;
Que se espalhe em pedaços no universo,
Gente vil que não caiba em verso.
E vós, ó bem nascida segurança
Da Lusitana antiga liberdade,
E não menos certíssima esperança
De aumento da vida Qualidade;
Vós, ó novo temor da Sociedade lança,
Voto fatal da vossa sanidade,
Dada a este mundo, que todo o mande,
Gente séria e de alma grande.
Publicada por Rui @t Blog em Terça-feira, Julho 19, 2005 2 comentários Hiperligações para esta mensagem

Aqui me tendes subcelência, de boa fé, no trato e mensagem que ora aqui vos dedico.
De vosso nome Alberto, como outros vos considerais dessa ilha, rei ou príncipe, ainda que da república alimenteis farta a vossa barrigança e encheis o vosso odre.
De nome João, não vos reconheço o santo, que na imagem procurais no íntimo remeter-vos, pois que do Demo mais próximo vós estais.
De Jardim, nem odor nem formosura vos assiste à imagem de flor, que nenhuma destas se toma tal semelhança em tão má figura.
Em título de doutor vos consentis senhor, inda que para vossa resignação, mui magra classificação tenhais obtido em continental universidade. Consciente decerto que se carregado de escrituras qualquer asno com doutor se parece, qualquer doutor com vossa doutrina com asno se confunde.
Em terra de boa uva e vinho vos encontro senhor, e que dos mesmos dais boa prova, seja nas falas como nos termos e propósitos que as faces e apêndice nasal vos ousam denunciar. Da comida igual elogio vos têm essas terras e mar, já que o vosso porte das boas carnes em testemunho se encontra e das lapas e mariscos o apego ao poder e o vosso intelecto, iguais se acham.
Ilude-vos senhor a capacidade de conseguir juntar poucas mais que algumas palavras para, em vil atitude, insultardes outros que insulares não sejam. Já Sir Darwin identificara que os mais raros seres em ilhas apraz encontrar, inda que na teoria da evolução, dificilmente vos reveja, que não seja por copos e talheres saibais usar sem vos ferirdes.
Vos reconheço todavia na ira e nas injúrias, que a amiúde lançais aos restantes, e que espero que tal intenção nunca a vós próprio arremesseis, pois que muito tempo e insultos vos faltariam para justamente vos qualificardes e espelho algum se aprontaria a tal disposição.
Contudo, vos aplaudo senhoria, em fartos e bebidos entreténs, com que divertis os vossos súbditos, onde na lucidez e embriaguez tendes a assistência sobre vós indecisa, embora não menos divertida, em aplausos com que vos iludis senhor, qual bobo de corte fantasiada nos cortejos de um Carnaval eterno.
A alma me dói senhoria, pelas crianças da vossa ilha em ganhos de turistas com alguns de má fama, que na vossa atenção não encontro, que a insultos não vos vejo em demanda os pedófilos nem pederastas, que contra estes não vos oiço a voz. Saiba isso Deus porquê, que o receio da resposta me faz temer perguntar.
Saiba assim vossa mercê, que em virtudes não vos encontro e que na vil arrogança que tendes pelos demais, por vós em igual cagança me encontrais como a muitos mais.
Triste povo, que sem razão, se junta qual bando a tal figurão.
Publicada por Rui @t Blog em Sexta-feira, Julho 15, 2005 2 comentários Hiperligações para esta mensagem

Pois é meus caros, de facto o Herman José tem sido um dos cómicos vivos mais apreciados do nosso país.
Quem de nós não o imitou em alguma ocasião ? Quem de nós não se riu já, de algumas das suas piadas ?
É verdade, raramente o talento e a inteligência se encontram em tanta abundância numa só pessoa, para deleite dos demais.
Contudo, o nosso povo costuma dizer que “no melhor pano cai a nódoa”, prenúncio a que aparenta nada escapar e assim o nosso cómico igualmente se submete àquela lei universal.
De facto, à parte as acusações de pedofilia, que já por si seriam suficientemente penalizadoras no apreço que pudesse merecer, custa ver aquele esfrangalhar constante de talento em jorros constantes de atitudes ordinárias e de total desrespeito pelos outros.
Longe vai o tempo em que nos fazia rir de forma sadia e consensual.
Agora não lhe basta ser mal educado, como se tivesse de se refugiar na asneira para fazer rir, não lhe basta expor convidados idosos e de encanto que ele nunca terá a poses de ilustração viva de um qualquer Kamasutra, não lhe basta parodiar gente falecida, onde se inclui a Madre Teresa de Calcutá, ente a que nunca aspirará sequer tentar seguir, não lhe basta ostentar-se em atitudes de falsa modéstia, como também chega a gozar os outros, independentemente do seu estado ou convicção.
De facto, dá-me pena quando um cérebro com vocação de talento e inteligência é remetido para o estado de adubo para o cabelo.
Publicada por Rui @t Blog em Sexta-feira, Julho 08, 2005 2 comentários Hiperligações para esta mensagem

XXIV-V-MCMXCII: A porta da maternidade abre-se como a fachada de um templo qualquer e os meus pés tomam vida própria, galgando as escadas como o vento sobre as dunas do deserto.
Finalmente, no final do corredor , com um sorriso arrebatado à felicidade da mãe, sorridente aparece o meu cunhado, qual faraó agraciado pelos deuses trazendo nos braços uma alcofa como uma flor de lótus onde se aninha o mais belo dos deuses primordiais.
Apresso-me a tocá-lo qual Midas aspirando a elevá-lo ao mais puro ouro de lei.
Assisto assim a um novo culto como no amanhecer dos tempos, a quem o passar dos anos reconhece a nova divindade, em cada nova palavra, na fala e na escrita.
Eis que no porte e gestos revejo Thoth, portador da força criadora, a quem por amor eu daria a Lua, qual Rá encantado concedendo-lhe o governo do céu e das estrelas.
Altivo e inteligente, lhe vejo a sensibilidade da flor do lótus onde foi embalado, da Lua o calor frio do discernimento num amor constante de pássaro irrequieto saltando de galho em galho à busca de algo novo por fazer e inventar.
De Osíris e Hórus, retoma com o pai a nobreza na defesa dos indefesos e aos mais fracos lança a mão, de quem baixa o olhar apenas para ajudar quem se levanta.
No governo do dia pela noite, já cansado vejo-o submisso aos deuses que o toldam ao sono profundo, adormecido no sono dos justos.
Qual esfinge protectora, ajoelho-me como tio e presto-lhe o culto de um pai, grato aos deuses, como o mais devoto dos crentes.
Publicada por Rui @t Blog em Quarta-feira, Julho 06, 2005 2 comentários Hiperligações para esta mensagem
Poucas vezes recebi e-mails que em poucas palavras mostrem o que realmente vale a pena dizer ou mostrar.
Convido vivamente a assistir a escassos 4 minutos de essência pura.
Obrigado.
(para ver basta clicar no título deste artigo)
Publicada por Rui @t Blog em Quinta-feira, Junho 30, 2005 1 comentários Hiperligações para esta mensagem

Bem haja o dia décimo segundo do mês do Sol do ano terceiro do milénio segundo, em que te vi, meu príncipe.
Bem aventurados os deuses que no ventre de tua mãe se juntaram ao criar o momento mais feliz e o mais desejado de existires.
Calma me está a alma, ao cantar-te e descansado está o corpo das lides que a sorte impôs no caminho.
Soem trombetas que o teu rir te abafe o choro, brilhe o sol do teu olhar que a Lua inveja e corra o vinho que me embriaga com o teu jeito.
Sujeito-te nos braços e inclino-me diante Rá que te inspire e em cuidados Ísis te seja farta.
Assim Sekhmet me assista em proteger e guiar-te em conheceres a felicidade que sinto por ti.
Ande contigo Bastet e se sinta Tauret reconhecida por haveres nascido.
Verta sobre ti, Ptah a sua força que Thoth molde no saber e inspiração.
Bem aventurados te sejam os caminhos que Neit conceda e a temperança te seja companheira como Maat na justiça nos pensamentos e acções.
Te seja conhecida a força e vontade com Anúbis que nos resultados e recompensas Hator não te poupe, para os demais em Osiris te revejam e naquele a ti reconheçam.
Publicada por Rui @t Blog em Terça-feira, Junho 28, 2005 2 comentários Hiperligações para esta mensagem

Há tempos, alguém me comentou que achava ilógico a adoração de Cristo na cruz, atendendo que não fazia sentido adorar a situação em si, uma crucificação e todo o sofrimento inerente.
É de facto um raciocínio respeitável e no meu entender, seria lógico, se não fosse a mensagem aparentemente subjacente, ou seja, sobre o sacrifício do próprio Jesus, supostamente pela humanidade em tudo o que ela encerra, de bom e de mau.
O facto de alguém se sacrificar pelos outros, sempre me mereceu o maior respeito, o que acrescido da raridade de ocorrência, se torna em algo, cada vez mais incompreendido nos nossos dias. Entendo que o se sacrificar por alguém, constitui a mais nobre das acções, sobretudo se disso não se esperar benefício algum que não seja a da satisfação de bem ter feito (aquilo a que chamo realmente de “bondade”).
Ao longo da minha vida, foram raras as pessoas a quem efectivamente posso chamar de “boas”, pois muitas das vezes, a acções de pressuposta bondade sobrevem a verdadeira natureza de carrascos do diabo, em acções que clara e infelizmente, frequentemente reduzem as primeiras a sublimes mas esforçadas tentativas de cristandade diluídas em orações de devoção duvidosa que procuram esquecer o mal que não conseguem apagar.
Quantas são as mãos com dedos já tingidos pelo óxido da prata das contas dos rosários de devota estima, que se juntam às bocas cansadas dos beijos piedosos a crucifixos usados em doutas atitudes, quase sempre adornadas em piedosas poses de candura com vozes mansas de capa adocicada.
As mesmas mãos que ora ajudam quem se levanta, para logo depois apontarem em atitudes que a Pilatos fariam inveja e a Jesus envergonhariam num desalento de vão sacrifício e pregação.
As mesmas bocas que ora acalmam na dor, para logo com sábia manha , em enredos e intrigas que ensombrariam o pior dos Judas, para logo acusarem em sofrimentos dignos de uma Maria indefesa.
Quantos templos de maldade e de maledicência meu Deus, quantas hóstias e confissões sustentam almas que com os olhos postos em Deus, se vão aproximando do Diabo, que com gestos e olhares de vítimas, vão castigando em atitudes de carrascos, como se em vontades de salvação fossem destruindo o que antes queriam salvar.
Seja o tempo a purificar os templos da má fé e a verdade de uma justiça incontornável a submeter os agiotas de uma moral duvidosa.
Publicada por Rui @t Blog em Segunda-feira, Junho 20, 2005 2 comentários Hiperligações para esta mensagem
Quase todos nós fomos confontados várias vezes com o pedido de descrevermos o nosso conceito de "felicidade". Eis o que eu dei como resposta:
" Estar feliz é não desejar o minuto seguinte, com medo que o dia se acabe "
Publicada por Rui @t Blog em Domingo, Junho 19, 2005 2 comentários Hiperligações para esta mensagem
É frequente ouvirmos as gentes dizerem "guardado está o pecado para quem o há-de comer" em ditos de, ora de resignação ao destino, ora de aparente sapiência sobre a inevitabilidade das consequências em função da natureza das causas.
A verdade é que de forma reiterada encontramos alguns de nós vagueando por experiências em teimosia do que pretendem querer, como berlindes num funil, rodopiando em círculos cada vez mais amortecidos no espaço que o tempo rouba, como se este durante a espera, nos deixasse partir na certeza porém de que iremos voltar.
ESPERA
Espera-te esse tempo que tens por dar,
Em voltas de caminhos por atalhos feitos,
E por sorte se acham os eleitos,
Que na mercê de sortes te vão encontrar,
E os que lá não possam estar,
Na má sorte se acharão enjeitos.
E na volta que à volta fizeres,
Em campos de trigo de ouro dourados,
Abraçarás tudo e todos por agrados,
Do pão que por bem houveres.
Nas mondas que por lá tiveres,
Semeadas aos que a ti se fizeram dados.
Rui @t Blog, 14-3-2003
Publicada por Rui @t Blog em Quinta-feira, Junho 16, 2005 4 comentários Hiperligações para esta mensagem
Por vezes encontramos pessoas cujo caminho não parece ser influenciado por nada a que atribuamos nós mesmo qualquer prioridade ou valor.
Assim, nesses casos, por vezes só nos resta estar atentos e olhar o percurso que fazem como se estivéssemos sentados calmamente à beira de um caminho observando passivamente enquanto os outros vão andando, mesmo quando são importantes para nós.
ANDANDO
Sinto os passos que não deste,
Neste andar tão devagar andando,
Que me atrevo de vez em quando.
A ver o caminho que fizeste,
Às vezes a pé, outras sonhando
Por que queiras ou por outro mando,
Que continuando te vai servindo de teste.
Abre as mãos onde os olhos se fecham,
Segue os passos que deste por andar,
Que mais se seguem por caminhar,
Antes que outros vejam,
O que ainda terás por dar,
E quando esse dia vier e chegar,
Por bem acharão os que lá estejam.
Rui @t Blog, 28-2-2003, 3-3-2003
Publicada por Rui @t Blog em Quinta-feira, Junho 16, 2005 0 comentários Hiperligações para esta mensagem
São poucas as vezes que reconhecemos que alguém seja capaz de nos definir e mais raras ainda, as que admitimos terem sido feitas de forma arrebatadora e com encanto.
Porém da escassez surgem por vezes os que ousam alcançar o que aos demais o destino na sua divina ironia proibe e assim fazem colorir o cinzento de descrever alguém.
Assim aconteceu com alguém quando em desafio a actos comuns, me enviou o seu entendimento, em forma e saber, que a não menos que simples homenagem me obriga.
Este poema há-de acompanhar-me sempre. Parabéns Laura.
DESERT-SHADOW
És a sombra que erra no deserto em busca de Almas
Vestes as roupagens de qualquer passante
És o mimo de todos os gestos e esgares
Tens as dimensões que a luz te confere
Tanto és gigante como anão
És uma réplica alimentada pela luz.
A lágrima salgada que cai no rosto, não é tua!
A gargalhada solta a plenos pulmões, não foste tu que a criaste!
A dor, a alegria e todas as formas de emoção, não as sentes porque não são as tuas!
Sombra errante do deserto que caminhas sob um sol escaldante
Deixa que os teus passos te guiem para um qualquer oásis
Despe o manto onde escondes os teus medos
E nessa caminhada procura o teu verdadeiro rosto
Funde a tua sombra com o teu SER
Sê apenas e tão somente sombra de ti próprio!
Laura, 10-10-2002
Publicada por Rui @t Blog em Quinta-feira, Junho 16, 2005 0 comentários Hiperligações para esta mensagem
Confesso que minutos atrás nem pouco mais ou menos acreditaria que viria a intervir num qualquer blog e menos ainda, iniciar algum.
Assim e como por vezes a chuva aparece inesperadamente de uma nuvem transparente qualquer, dei por mim aqui, partindo de um blog de alguém que na vénia a mestre, tal me clamando, me vai arremessando repetidos grãos de "ensinaduras" com que vou aprendendo.
Pois que em vénia de aprendiz me inclino perante os demais, em saudação íntima às mãos que me lançaram nestas artes, pedindo aos deuses bonança e bom augúrio nas falas e escritas com que em silêncios e gestos escritos, parto em demanda de mais dizer que falar.
Publicada por Rui @t Blog em Quinta-feira, Junho 16, 2005 1 comentários Hiperligações para esta mensagem