sexta-feira, outubro 21, 2005

Cara de pau

Apesar de não ser apreciador de futebol, confesso que o tema que aqui comento, me despertou especial atenção, senão vejamos:

  1. O treinador do FCP, Co Adriaanse, diz que se os adeptos não o quiserem, basta exibirem lenços brancos ou assobiarem, que ele entenderá a mensagem e abandonará o seu posto no clube.
  2. A seguir, no jogo SLB - FCP em que o primeiro derrota o segundo, adeptos deste envergando camisolas do clube, exibem ostensivamente lenços brancos.
  3. No final do jogo, Co Adriaanse diz que nunca disse que se iria embora se os adeptos acenassem com lenços brancos e que não viu adeptos do FCP com lenços brancos, mas sim, adeptos do SLB, mantendo-se no seu posto.
Isto, de algum modo, retrata o futebol português numa simples personagem, que curiosamente nem tem nacionalidade lusa.
O incidente nem teria tanta importância se não nos tivéssemos já habituado a ver o dito por não dito, diariamente, onde dirigentes, treinadores, jogadores, árbitros e adeptos se pavoneiam em discursos amolgados e velhos, disfarçados de renovadas esperanças para consumo geral e proveito de alguns, tudo isto, condimentado com plena falta de vergonha de quem pôe a cara diante de um público tristemente apático.
É preciso ter cara de pau para, com uma integridade gelada, derreter-se no calor dos interesses e na falta de vergonha do esvaziar de valor sobre a palavra que se dá.
Quanto vale a nossa palavra ? Quanto vale a mentira ? Quanto vale a honra ?
No futebol, muito pouco, de certeza.

"Um homem sem palavra é um homem sem alma. Um homem sem alma, não chega sequer a ser Homem"

Sem comentários: