quinta-feira, agosto 10, 2006

Televisão, imprópria para consumo

Sempre entendi a televisão como um dos melhores e mais eficazes meios de comunicação, tendo-me tornado um incondicional devoto do pequeno ecrã, procurando constantemente, ora divertir-me, ora informar-me, ora aprender e descobrir sobre o mundo que nos rodeia.
Contudo, verifico que a tarefa a que frequentemente me proponho ao ligar aquele ecrã mágico, se torna cada vez mais difícil e quase que apenas um Hércules dos tempos modernos será talvez, capaz de descobrir algum valor acrescentado entre os comuns quatro canais à disposição.

Com efeito, entre o despertar ao adormecer, somos intoxicados, adormecidos, agredidos, enganados e embrutecidos com a mixórdia da maioria dos programas transmitidos, capaz de fazer vomitar o mais indiferente dos espectadores.

Intoxicados com programas totalmente inadequados à audiência, seja infantil, seja juvenil e até adulta, fazendo proliferar a violência e o desrespeito por quaisquer valores num público sensível e em crescimento.

Somos adormecidos, entre outros exemplos, intoxicados com a carga intensa de telenovelas, que se repetem até à exaustão, com histórias frequentemente absurdas e ridículas, fazendo nascer sucessos de audiência através do insucesso da inteligência colectiva.

Somos agredidos em reportagens, onde a função de informar é desrespeitosamente submetida à intenção de chocar e de fazer espectáculo à custa do sofrimento de pessoas, em que o "jornalismo" dá lugar à "preversão".

Somos enganados por notícias que frequentemente vemos desmentidas e em que a verificação prévia da veracidade das mesmas, se tornou num custo adicional a evitar, a bem das audiências. E quando tal não é possível, o "sencionalismo" ou a deturpação na forma de apresentar as reportagens, procura obter o mesmo efeito, de forma descarada e maliciosa.

Somos embrutecidos com programas, nomeadamente de suposto entertenimento, onde a consciência do ridículo é transformada num desprendimento de valores e na aculturação de um povo.

Senão vejamos:

- Desenhos animados ou similares pejados de violência;
- Programas e consursos onde as pessoas são tratadas como anormais ou de inteligência residual;
- Espectacularização das opções individuais, sexuais ou outras, transformando pessoas em grotescas personagens do ridículo;
- Talk-shows impregnados de mau gosto, onde impera a parvoice;
- Reportagens exacerbadas da infelicidade e do drama;
- Telenovelas emitidas três vezes quase em simultâneo;
- ... .

Acho até que as estações actuais poderão adoptar as siglas:

... RTP 1/2 = Raramente Tentamos Programar (1ª/2ª tentativa, embora a 2ª seja melhor);
... SIC = Sem Interesse na Cultura;
... TVI = Talvez Venhamos a Informar.

É esta a televisão que queremos ?
Não existe uma autoridade que ponha cobro a esta situação ?

Todos sabemos que quanto mais inculto é um povo, mais fácil é manipulá-lo e só essa me parece a explicação plausível para o que está a suceder.
Só essa me parece a explicação para algumas personagens ainda subsistirem à nossa volta e à nossa custa.

Desta vez, não fomos tomados pelos espanhóis nem invadidos pelas tropas de Napoleão. Fomos colonizados pela mediocridade, somos explorados por crápulas e somos sucessivamente governados por gente que tem sido incapaz de tornar este país numa nação decente, onde os "majores", os autarcas fraudulentos, os pedófilos, os Albertos Jardins e tantos outros sejam submetidos à justiça que merecem.

7 comentários:

Joker disse...

Olá...

Sinto-me á beira de uma embrionária embolia televisiva...

Vou ali pegar fogo ao meu aparelho de televisão...já volto!

Obrigada pela visita ao meu espaço

Beijos

Luna disse...

O que importa são as audiências, é o dinheiro que comanda o mundo
beijos

Ana Luar disse...

Tens toda a razão Rui...
Existe cada vez mais uam escassez de qualidade de muitas emissões e de programas culturais, O lixo televisivo é cada vez mais abundante. Os canais televisivos estão virados para o jogo das audiências, e aí sucede que a quantidade é confundida com a qualidade. Mas devia ter-se em atenção que nós como "vítimas" deste drama somos, sem dúvida nenhuma, muito responsáveis por ele, pois não usamos os meios de que dispomos para dominar, em parte, a situação que criticamos.
Mas concordo plenamente ctg... tenhamos é voz activa neste drama que nos entra pela casa diáriamente que é a falta cultural de uma televisão em decadência...
Enquanto continuarmos a consumir este tipo deprograma eles jamais acabarão.
Mas tb temos que confessar... que a malta gosta é deste tipo de programa de baixo nivel... onde se expoem as vidas e sentimentos alheios.
Estamos a perder a noção do que é ridiculo.

Woman disse...

Olá, vim visitar-te. :D
Concordo inteiramente contigo e mais, sinto-me lesada. Acho um total desrespeito pelo consumista. Mas uma coisa é certa, nós também temos uma palavra a dizer, e não podemos fazer-nos de vítimas e deixar esta situação continuar. As pessoas também se sujeitam a ser público,quando têm a opção de não o ser.

Beijinho

Luna disse...

Venho retribuir a tua visita, concordo contigo neste post e gostei muito de passear por aqui.

Anónimo disse...

São escolhas consumistas de mentes pobres.
Tristes seres que se contentam com tão pouco.

joão marinheiro disse...

Assino por baixo das tuas palavras.
Abraço.